Política
Aliados tamb�m reclamam do governo Lula
As críticas não partem apenas da oposição. Os aliados também se queixam do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. ?Em geral, tenho restrições às Medidas Provisórias (MPs). Acho que todos os governos emitiram demais e que seu uso deve ser reduzido?, avalia o líder do PCdoB na Câmara, deputado Renildo Calheiros (PE), que também ocupa o cargo de vice-líder do governo na Casa. Antecessor de Lula, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso editou 101 medidas provisórias no biênio 2001/2002, quando entraram em vigor as novas regras para edições de MPs. A líder do PT no Senado, Ideli Salvati (SC), revela que está preparada para uma semana de negociações e que o governo não espera mesmo votar matérias nos próximos cinco dias. ?Será uma semana de negociações para permitir que na semana seguinte seja possível partir para a votação?, diz. Salvati acredita que o Senado deverá avançar na discussão da reforma do Judiciário, do projeto de Biossegurança ? que trata, entre outras coisas, dos produtos transgênicos e da liberação de pesquisas com células-tronco ? e das Parcerias Público Privadas (PPPs). Na Câmara, os deputados terão pela frente a votação dos destaques da Emenda Paralela da Reforma da Previdência; além da Emenda Constitucional que confisca propriedades onde forem encontrados trabalhadores em regime análogo à escravidão. A PEC do Trabalho Escravo enfrenta fortes resistências da bancada ruralista e, como exige quórum de 3/5 dos deputados para ser votada, pode acabar sendo adiada para o fim do ano. Destino semelhante deve ser dado à fatia da reforma tributária que unifica a legislação do ICMS. Além das emendas constitucionais, os deputados ainda têm na lista de espera as propostas de recriação da Supe-rintendência de Desenvolvimento da Amazônia e do Nor-deste ? Sudam e Sudene, extintas no governo Fernando Henrique Cardoso por causa de sucessivas denúncias de corrupção. Apesar dos assuntos em pauta, o ritmo de trabalho neste segundo semestre no Congresso não deverá repetir o empregado nos primeiros seis meses do ano. Um balanço do período demonstra que na Câmara foram 150 sessões deliberativas, com o saldo de 384 matérias votadas. No Senado foram realizadas menos sessões, mas o saldo é ainda maior: 513 matérias levadas à votação. Enquanto os senadores rejeitaram 35 dos projetos, propostas e MPs levadas à votação, a Câmara registrou saldo zero de rejeição. ?Assunto encerrado? Enquanto a oposição ameaça continuar com as denúncias de sonegação fiscal envolvendo o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, o governo acredita que o assunto vai esfriar, com a demissão do diretor de Política Monetária, Luiz Augusto de Oliveira Candiota. Segundo fontes do Ministério da Fazenda, a intenção do senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) de cobrar explicações de Meirelles não deverá ir adiante. ?Meirelles tem anteparo político?, resumiu a fonte. Ele lembrou que, por um lado, o presidente do BC foi eleito deputado por Goiás pelo PSDB e, por isso, não é de interesse dos tucanos fritá-lo. Do outro, o maior avalista da indicação dele foi o senador petista Aloizio Mercadante (SP). ?O assunto está encerrado?, completa. Para os avalistas, porém, ?o governo apagou o incêndio mas deixou uma brasa acesa?, afirmam, referindo-se ao fato de que Meirelles foi mantido no cargo e, com isso, torna-se o alvo preferido em momentos de especulação. ?Se ocorrer, não será a primeira vez. Nos últimos meses, boatos de demissão de Meirelles serviram muito mais para especuladores?, lembra um ex-diretor do BC. O economista Roberto Padovani, da consultoria Tendências, diz que essa visão predomina no mercado, mas não tem se refletido no preço dos ativos. ?O governo não deverá dar muito espaço para o assunto se estender?, assegura. Para o ex-diretor de Política Econômica do BC Sérgio Werlang, a estratégia do governo para contornar a crise foi bem-sucedida e o BC deverá sair do centro da crise. Senadores da oposição afirmaram que não pretendem dificultar a aprovação do nome do economista Rodrigo Azevedo na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e no plenário, desde que ele não seja alvo de denúncias por sonegação de imposto, omissão fiscal e evasão de divisas, como ocorreu com Luiz Augusto Candiota. (Agência Nordeste)