Política
Den�ncias agitam reabertura do Congresso
Brasília - Em meio a novas denúncias contra os presidentes do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, e do Banco do Brasil (BB), Cássio Casseb, deputados e senadores retornam ao trabalho nesta segunda-feira, depois de 19 dias de férias. A oposição promete aquecer a semana, que seria apenas para cumprir o calendário, com pedidos de demissão dos dois dirigentes. Os governistas, por sua vez, tentarão esvaziar os trabalhos para evitar holofotes para os escândalos. Os aliados trabalham para que o ritmo normal de votações só seja retomado a partir do dia 10 de agosto, quando o governo convocou um novo esforço concentrado. Os líderes do PSDB e do PFL adiantam, entretanto, que vão aproveitar o reinício dos trabalhos no Congresso para cobrar uma posição do governo com relação às denúncias de que os dois dirigentes das principais instituições financeiras do País estão envolvidos em acusações de sonegação fiscal. Cássio Casseb é ainda acusado de improbidade administrativa, pelo Banco do Brasil ter patrocinado um show da dupla Zezé Di Camargo e Luciano, em benefício do Partido dos Trabalhadores (PT). ?A gente abre o Congresso falando nisso. É uma trapalhada atrás da outra. Se até terça-feira não estiver tudo resolvido, não tem alternativa, a não ser pedir da tribuna que eles deixem o cargo?, avisa o líder do PSDB no Senado, Artur Virgílio (AM). No PFL a disposição é a mesma. ?Esse é assunto da semana, até porque tem desdobramento de uma CPI do próprio Congresso. As novas denúncias mostram que o governo não toma as medidas no momento certo. Tudo o que faz é mediante pressão ou denúncia?, diz. Demissão imediata O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banestado, senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), articula para que a oposição defenda a demissão ?imediata de toda a diretoria? das duas instituições e adianta que, a princípio, o PSDB apresentará requerimentos convocando o presidente do Banco Central a dar explicações do plenário do Senado ainda esta semana. Algumas das denúncias surgiram em meio a documentos aos quais a CPI teve acesso. O líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), não quis falar sobre o assunto. Já o líder do governo no Congresso, senador Fernando Bezerra (PTB-RN), está, segundo sua assessoria, no exterior. Medidas provisórias Paralelo às acusações, os aliados ainda precisam reunir votos para aprovar as medidas provisórias que ?trancam? a pauta da Câmara e do Senado e contornar as desavenças provocadas na base pelas eleições municipais. A disputa nos municípios deve dificultar a vida do governo neste segundo semestre. Com 89 deputados e três senadores na corrida por vagas em prefeituras de todo o país, que coloca muitos aliados no plano nacional em lados opostos nos municípios, ao que tudo indica, o ritmo normal do Legislativo só será retomado mesmo após as eleições de outubro. ?A semana não será de votações. Vamos aproveitar o tempo para mostrar à população os erros do governo Lula durante o recesso. Foi muito erro para tão pouco tempo?, avisa o presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC). Erros Pelo menos em um dos ?erros? apontados pela oposição, o governo é reincidente: a farta edição de medidas provisórias. Antes de fechar qualquer acordo para votação de projetos de lei ou emendas à Constituição, quando retornarem ao trabalho os líderes aliados terão que se esforçar primeiro para aprovar cinco MPs que estão com prazo de votação vencido no Senado e duas, entre as 14, que tramitam na Câmara. Desde o início do mandato, o presidente Lula já editou 100 medidas provisórias. Só neste ano foram 42 ? cinco delas durante o recesso parlamentar de julho. Os parlamentares já aprovaram 21, rejeitaram outras duas e ainda precisam se debruçar sobre 19 para ?limpar? a pauta se quiserem evitar novos ?trancamentos? dos trabalhos. ?O governo só atua com MP, o que faz com que o Congresso fique amarrado. Sobra pouco tempo para discutir os demais projetos?, critica o líder do PFL, senador José Agripino Maia (RN).