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Tr�s candidaturas em Macei� se dizem apoiadas por Lula

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A sucessão da prefeita de Maceió, Kátia Born (PSB), deverá ser uma eleição federalizada. Dos oito aspirantes ao cargo de prefeito, pelo menos três (João Caldas, José Wanderley Neto e Alberto Sextafeira) se apresentam, em maior ou menor grau, como candidatos com apoio do Palácio do Planalto. Por ter constituído a maior aliança, envolvendo o PCdoB, o PT e o PV, os socialistas do PSB afirmam que sua candidatura, representada pelo atual vice Alberto Sextafeira e pelo sindicalista José Roberto Mendes (PSB-PT) é a mais próxima do presidente Lula. ?A aliança com os partidos da base aliada é o que mais interessa ao presidente da República. Por isso, venho trabalhando para ampliá-la?, diz a prefeita Kátia Born. Ela própria, na condição de ?madrinha? da candidatura de Sextafeira, se declara como uma pessoa com ?trânsito em Brasília?. Kátia Born usa, inclusive, sua eleição para a presidência da Frente Nacional de Prefeitos como sendo algo estratégico para o presidente. Isto porque ela diz ter contado com o apoio de importantes prefeitos do PT para a sua eleição. Além disso, interessava ao governo que o comando da entidade não ficasse nas mãos de um prefeito de um partido de oposição. Estado O governador Ronaldo Lessa, um dos principais cabos eleitorais do PSB, concorda com a opinião da prefeita de Maceió. Mesmo sem ter pedido votos para o então candidato Lula no primeiro turno da eleição de 2002, Lessa o apoiou no segundo turno. Por causa do apoio de seu partido, o governador de Alagoas integrou a comitiva que participou da primeira viagem internacional do presidente. Coincidência ou não, a partir daí foram garantidos recursos para a conclusão das obras de ampliação do Aeroporto Zumbi dos Palmares. Na verdade, o projeto de ampliação do aeroporto fazia parte da estratégia da Infraero para o país. Mas a presença do senador Carlos Wilson no cargo de presidente do órgão facilitou a liberação do dinheiro. Nacional Quando o pleito é observado sob a ótica do plano nacional, Lessa e Kátia entendem que a posição defendida pelos dois está dentro da normalidade dos fatos. O acordo que reaproximou PSB e PT, na eleição para Maceió, contou com a interferência direta do presidente nacional do PT, José Genoino. Foi Genoino quem convenceu o deputado Paulo Fernando dos Santos, o Paulão, a desistir de sua candidatura e apoiar o candidato do PSB, Alberto Sextafeira. Além de resolver esse impasse, Genoino conseguiu a garantia de que os dois partidos se manterão juntos até a sucessão do governo estadual, em 2006. Contradição Mas existe uma contradição na relação do presidente Lula com seus aliados. Se por um lado interessa a ele vê-los juntos e apoiando seu governo, a prefeita Kátia Born reclama que a recíproca não é verdadeira e cobra a liberação de verbas para o município. A prefeita diz que o fato de ser da base aliada, junto com seu partido, não garantiu a liberação de recursos de emergência para os estragos provocados pela chuva de junho. No ano passado aconteceu o mesmo. Também por causa da chuva, diversas cidades às margens do Rio São Francisco foram atingidas pelas enchentes, mas os recursos não vieram. Entre as explicações para esse fato estão os compromissos com o pagamento dos juros da dívida externa. Disputa Se PSB e PT têm a chapa mais próxima do poder nacional, o deputado João Caldas e seu PL brigam para dizer que ele, sim, é querido do Planalto. Caldas não se cansa de repetir que teve papel decisivo na aliança do PT com o PL. Caldas atribui a si próprio os louros de ter ?levado o vice-presidente José Alencar para o partido?. ?Por conta disso, o presidente tem uma eterna gratidão comigo e se dispõe, inclusive, a vir ao Estado e ajudar em minha campanha. Atualmente represento os interesses do Planalto em Maceió. É por isso que sou candidato?, diz o parlamentar. Seu discurso é em tom de resposta à prefeita Kátia Born, depois que o próprio Caldas admitiu renunciar à candidatura para apoiar Sextafeira. Kátia confirmou as conversas e defendeu a renúncia de Caldas. Ele agora fala em outro tom. ?Minha candidatura é estratégica para o PL em nível nacional. Por causa da minha independência, querem que eu desista?, declara Caldas, reclamando das dificuldades para conseguir apoio financeiro. Até agora, sua candidatura não foi para as ruas. As conversas sobre sua desistência envolvem, além da prefeita, o governador. Ambos já ofereceram cargos ao deputado, que agora, se quiser, pode escolher. Kátia ofereceu a Secretaria Municipal de Habitação. O presidente do PT também conversou com Caldas. Ele próprio confirmou o encontro com Genoino, mas não admite mais falar em adesão de Caldas. Pelo menos por enquanto. Base Se João Caldas demonstra força a partir da participação do PL, e Kátia usa a união de partidos da base de apoio, o candidato José Wanderley Neto tem a força de um dos seus padrinhos: o senador Renan Calheiros (PMDB). O peemedebista ajudou a levar seu partido para a base de apoio do presidente Lula no Congresso. Por ser o maior partido, em nome da governabilidade, o PMDB ganhou, inclusive, o Ministério da Previdência. Esse apoio se refletiu em Alagoas para a indicação dos supe- rintendentes da CBTU e do Ibama. ?Temos condições de abrir espaços importantes, em Brasília, para viabilizar a vinda dos recursos para os projetos que serão apresentados?, tem anunciado Renan. Mas ele também possui uma contradição em sua chapa. É o apoio do PSDB, do senador Téo Vilela, que faz oposição ao governo Lula. Ainda assim, o modelo administrativo que será apresentado pelo candidato Wanderley conta com a coordenação do senador tucano. Isolado No contexto dos partidos da base de apoio a Lula, na capital existe outra candidatura. Trata-se da chapa ?puro-sangue? do PPS, encabeçada pelo ex-deputado Regis Cavalcante. Seu partido também tem um ministério, o da Integração Nacional, mas Regis não tem se apresentado como defensor do presidente. Pelo contrário. Depois que foi isolado pelo PMDB e PSDB, partidos com quem buscava aliança, vem lutando com fôlego próprio. Segundo sua assessoria, a campanha será de denúncia das alianças do PT e PSB.

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