Política
Parlamentares ganhar�o R$ 38 mil por dez dias
Os parlamentares receberão nos próximos três meses cerca de R$ 38.500, para trabalhar apenas dez dias. As votações serão realizadas durante duas semanas em agosto (segunda e terceira semanas) e uma em setembro, ainda sem data definida. Em outubro, mês da eleição, não haverá votações. Pelos poucos dias de trabalho, os parlamentares receberão os salários integralmente. Com a promessa de que não haverá cortes nos salários, a maioria dos parlamentares ignorou a reabertura dos trabalhos no Congresso Nacional e preferiu esticar as férias. Na Câmara foi registrada a presença de apenas 27, dos 513 deputados. No Senado, comparativamente o quórum foi melhor: 19 dos 81 senadores estiveram presentes, o que significa mais de 20% da Casa. Por causa do período eleitoral, os congressistas vão trabalhar em regime de esforço concentrado, a exemplo do que aconteceu em julho, quando Câmara e Senado votaram uma extensa lista de projetos em três dias. Somente nestas ocasiões é que haverá corte nos salários dos ausentes. Preocupados em aprovar matéria de interesse do Executivo, os líderes governistas defendem o esquema especial de votação e acreditam que a população compreende que período eleitoral é um momento especial na vida do País, o que justifica o funcionamento em ritmo desacelerado. ?Lutamos muito para que houvesse eleição e a população entende que parlamentar não é taxímetro para ser analisado pelo que votou ou o que deixou de votar. Quem não está diretamente ligado à eleição está envolvido indiretamente. Essa pausa nos trabalhos já faz parte da nossa cultura?, afirma o líder do PT na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP). A alagoana Heloísa Helena (PSol), no entanto, diz que a alteração no calendário é imoral. ?É uma vergonha. Quer fazer campanha, vai fazer segunda, sexta, sábado e domingo. Nos outros três dias pode vir aqui votar, porque a Constituição diz que é uma opção não ter sessão 60 dias antes do pleito. Então, há tempo de sobra nos outros dias para fazer campanha?, dispara. O presidente da Câmara, deputado João Paulo Cunha (PT-SP), salienta que as críticas são injustas e garante que os deputados terão muito trabalho no período pré-eleitoral. ?Critério de justiça e injustiça cada um tem o seu. A Câmara votou coisas importantes em julho e vai votar em agosto. Quem acha que vamos ficar parados vai se enganar?, avisa. Esforço em risco As críticas da oposição criarão um ambiente delicado para discussão da pauta do esforço concentrado na semana que vem, período em que deputados e senadores interrompem o recesso branco para votar projetos de interesse do governo. O andamento deve ser mais prejudicado no Senado, onde o governo não tem uma base folgada, especialmente se a turbulência provocada pelas denúncias contra os presidentes do Banco Central e do Banco do Brasil azedar as negociações nos próximos dias. No Senado, o governo gostaria de ver realizadas as votações dos destaques da reforma do Judiciário, do segundo turno da matéria, da lei de biossegurança e do projeto que institui as Parcerias Público-Privadas (PPPs). Mas as PPPs dificilmente serão votadas agora, já que ainda existem fortes divergências sobre a matéria. Na Câmara, aguardam aprovação as leis de falências e a das agências reguladoras. Os parlamentares da base do governo deverão se reunir nesta semana para discutir não só a abrangência do esforço concentrado, mas também montar uma estratégia de defesa diante da artilharia da oposição.