Política
Candidatos de Macei� fazem hoje vestibular de vereador
ODILON RIOS A juíza da 3ª Zona Eleitoral, Nelma Padilha, aplica hoje provas de português em candidatos a vereador em Maceió para verificar se eles podem ou não concorrer às eleições municipais. O requisito exigido pela Justiça Eleitoral é que os candidatos saibam ler e escrever. ?Conversei com candidatos que deixaram de estudar há 25 anos?, informou a juíza, esclarecendo que esses casos se referem a candidatos que há muitos anos freqüentaram as primeiras séries do Ensino Fundamental e, ao mesmo tempo, podem ter dificuldades para interpretar textos ou escrever durante a prova. ?Temos um caso de pessoa que fez a alfabetização no interior do Estado, em 1949?, disse a magistrada, ao descrever outros casos de pessoas que, segundo ela, têm dificuldades para obter a declaração ou o histórico escolar para comprovar o grau de escolaridade. Outros candidatos, lembrou Nelma Padilha, começaram a estudar recentemente em salas de aula de jovens e adultos. ?Provavelmente, esses candidatos terão dificuldade para fazer a prova?, reconhece a juíza. Cuidados ?Deve haver mais cuidado na hora da filiação desses candidatos que não sabem ler e escrever?, advertiu a juíza, referindo-se aos partidos políticos. ?Mas o nível geral dos candidatos é muito bom: ensino superior incompleto ou segundo grau completo?, destacou Padilha, sobre os candidatos que não precisam fazer as provas. Maceió tem 379 candidatos a vereador e cerca de 30 vão fazer a prova de português, que será aplicada na sede da Associação dos Magistrados de Alagoas (Almagis), no Centro de Maceió, a partir das 9 horas de hoje. A recomendação da juíza da 3ª Zona Eleitoral é de que os candidatos cheguem uma hora mais cedo. ?Às oito e meia, vou conversar com os candidatos nas salas sobre a prova de português?, disse Nelma Padilha. Ela não vai permitir a presença da imprensa nas salas da Almagis ou que se tirem fotos dos candidatos fazendo as provas. ?Eles não têm culpa se são analfabetos?, avaliou a juíza. Polêmica Embora a lei eleitoral diga que nenhum cidadão analfabeto pode exercer cargo eletivo, a Justiça é omissa quanto à forma para se comprovar essa condição. Deixa isso a cargo do juiz eleitoral ? e a polêmica se instala. Por isso, alguns candidatos recorreram ao TRE para se livrar do teste. Pelo menos em um caso, o TRE deu razão a um candidato: Nascimento Leão, de Arapiraca. Ele faltou à prova aplicada pelo juiz João Luiz Azevedo Lessa e recorreu para não ser eliminado da eleição por causa disso. Nascimento Leão, pai do ex-deputado Júnior Leão, é analfabeto e tem vários mandatos de vereador em Arapiraca. Ele tentará mais uma vez a reeleição à Câmara Municipal. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também já livrou pelo menos um candidato, da Bahia, de fazer prova de português.