Política
MUTIRÃO DEPENDE DA CAPACIDADE E ESTRUTURA DOS HOSPITAIS DO INTERIOR
A triagem dos pacientes começou na terça-feira passada (21), e as cirurgias dependerão ainda das disponibilidades técnicas e da infraestrutura dos hospitais regionais. A situação preocupa o deputado Davi Maia (UB), por exemplo. “A gente percebe que os hospitais novos e antigos não têm condições de zerar as filas das gigantescas demandas reprimidas. Falta tudo nas unidades. Daí se observa que estamos diante de uma ação com objetivos eleitoreiros”, avaliou o deputado com a realização rápida de milhares de exames e definições de cirurgias.
De acordo com informações da própria Sesau, no primeiro dia de triagem nos dois municípios foram realizadas 1.453 consultas e atendimentos e 3.800 exames. No total, foram agendadas 357 cirurgias gerais e ginecológicas; 20 ortopédicas; 201 oftalmológicas e 27 urológicas. Para a realização das cirurgias, ocorreram 3.800 exames diversos; 60 de Raios-X; 380 exames de ultrassom; 308 ecocardiogramas e ainda 340 consultas oftalmológicas.
Em Santana do Ipanema, no primeiro dia de triagem para o mutirão, foram feitas 1.050 consultas e atendimentos, agendadas 182 cirurgias gerais, das quais 25 ginecológicas; 27 urológicas; 15 ortopédicas e 137 oftalmológicas. Foram realizados, 1.800 exames pré-operatórios, dentre eles 60 de Raios-X; 150 de ultrassom e ainda 250 consultas oftalmológicas.
Em Delmiro Gouveia, foram realizadas 403 consultas e atendimentos, com agendamento de 250 cirurgias gerais e ginecológicas, três ortopédicas, 54 oftalmológicas. Foram realizados ainda dois mil exames diversos, 308 ECGs, 230 de ultrassom e 90 consultas oftalmológicas. O deputado Léo Loureiro, presidente da Comissão de Saúde, revelou que a maratona gerou nova rotina profissional na saúde mais rápida e menos burocrática. “O governo tem uma meta ousada e quer reduzir as filas”, disse Loureiro.
FILAS
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Os conselhos Federal, Estadual de Medicina, os parlamentares da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa e profissionais avaliam que a pandemia do coronavírus estrangulou os sistemas público e privado da saúde de Alagoas. As direções dos hospitais particulares de Alagoas confirmam também que a pandemia fez aumentar a demanda reprimida dos procedimentos cirúrgicos e de exames. Neste momento, as instituições privadas e filantrópicas retomam as cirurgias eletivas, priorizando os casos mais graves. O presidente do Sindicato dos Médicos, Marcos Holanda, revelou recentemente que os hospitais públicos, particulares e filantrópicos têm demanda reprimida elevada e a maioria dos 10 mil médicos disponíveis nas redes trabalha para minimizar a situação.
Os médicos, por sua vez, dizem que estão preparados para a “maratona dos procedimentos” e demonstram a necessidade de reduzir, de forma organizada e estruturada, as filas de espera por cirurgias eletivas e exames. O próprio presidente do Sindicato dos Médicos foi contratado para compor a equipe do novo hospital de Porto Calvo. “A fila de pacientes de cirurgia de hérnia na região norte praticamente zerou, mas ainda tem muita gente esperando por histerectomia (retirada do útero), operação de vesícula, ortopedia e cirurgias cardíacas”, revelou Holanda. A fila de espera por cirurgias eletivas não para de aumentar. Ao ser questionado se os novos hospitais têm condições de participar dos programas para reduzir a fila das cirurgias. “No hospital onde estou trabalhando [Porto Calvo], a gente não consegue fazer muitas cirurgias porque além de ser uma unidade porta aberta para urgência e emergência, enfrenta deficit de material cirúrgico”. Desta forma, só é possível fazer duas cirurgias quando o ideal seria cinco por dia, admitiu Marcos Holanda.
Os novos hospitais têm condições de reduzir a fila de espera por cirurgias. “Mas precisam de insumos básicos e material cirúrgico em quantidade suficiente para um programa arrojado de maratona cirúrgica”, disseram alguns médicos e enfermeiros do Sertão e Zona da Mata que preferem anonimato. AF
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