Política
URGÊNCIA E EMERGÊNCIA NECESSITAM DE MAIS INVESTIMENTOS
Para os profissionais de saúde, dificilmente o Estado terá condições de manter sozinho as novas unidades recém-inauguradas
Os profissionais de Saúde e a maioria dos políticos não condenam a construção das novas unidades de Saúde. Defendem, porém, a política de investimentos públicos e convênios com o Ministério da Saúde para as necessidades básicas nos hospitais “porta aberta” de urgência, emergência e pronto atendimento. Todos avaliam que dificilmente o Estado terá condições de manter, sozinho, uma estrutura que cresceu de forma surpreendente. A cobrança, na verdade, começou na gestão passada do governo estadual, que não reagiu com agilidade aos antigos pleitos e deixou de investir na estrutura que existe.
Os médicos ressaltam que havia a necessidade de mais hospitais e UPAs no Estado. Contudo, lamentam que os gestores não montaram um planejamento adequado capaz de garantir a funcionalidade das novas estruturas. “Os novos hospitais são necessários, mas precisam de condição de funcionar. Do contrário, o HGE continuará sendo a única opção de socorro dos alagoanos”, dizem profissionais de saúde e entidades que representam auxiliares de enfermagem, enfermeiros e médicos.
As preocupações dos profissionais se baseiam nas estatísticas dos conselhos Federal e Regional de Medicina, divulgadas recentemente. O Estado registrou a maior queda do Brasil em procedimentos médicos na fase aguda da pandemia. Foram 782.189 procedimentos a menos entre março e dezembro de 2020, quando comparado com o mesmo período de 2019. De acordo com os levantamentos, o recuo foi de 47%. Esses procedimentos incluem exames e consultas médicas.
Em julho do ano passado, uma pesquisa do CFM apontou que Sergipe e Acre foram os únicos estados a retomarem as cirurgias eletivas do País. De lá para cá, a rede hospitalar alagoana continuou patinando na questão, sem falar nas distorções da folha salarial, onde um seleto grupo de profissionais foi denunciado por ganhar até R$ 70 mil com plantões fantasmas, disse o deputado Davi Maia (UB) em discurso no plenário do Legislativo e que encaminhou documentos para os ministérios públicos Federal, Estadual, Tribunal de Contas, Controladoria Geral da União, que investigam o caso. Em 2020, a Covid-19 provocou queda de 27 milhões nos procedimentos de saúde que não são de emergência no Brasil. Segundo o estudo do CFM, em todo o País foram 16,6 milhões de exames de diagnóstico a menos, 8,8 milhões de procedimentos clínicos, 1,2 milhão de pequenas cirurgias e 210 mil transplantes. Os procedimentos considerados eletivos, que não são de urgência e emergência, tiveram impacto pelo direcionamento da estrutura da rede de saúde para atender os pacientes com Covid-19.
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EXAMES
Entre março e abril de 2020, com o avanço da primeira onda da pandemia, houve uma queda de quase a metade do número de procedimentos no País. As áreas mais afetadas entre março e dezembro de 2020, em comparação com o mesmo período no ano anterior, foram as consultas e exames em Citopatologia (-51%), neurologia (-40%), anatomopatologia (-39%), cardiologia (-38%), oftalmologia (-34%) e medicina clínica (-33%).
Em Alagoas os exames com as maiores baixas no atendimento foram mamografia, ultrassonografia, os de prevenção das doenças cardíacas, diabetes, dentre outros. A situação é preocupante, disse a deputada Jó Pereira (MDB). “O sistema de saúde só atendeu à demanda do coronavírus. Isso quer dizer que os hospitais de campanha eram necessários. Faltou estratégia para garantir o atendimento preventivo das outras doenças”.