Política
FALTA DE ORGANIZAÇÃO E ESTRUTURA DEFICITÁRIAS COMPROMETEM HGE
Mesmo com as novas unidades de saúde, pacientes continuam sendo encaminhados para o Hospital Geral, que vive superlotado
A falta de pessoal, insumo e estrutura nos hospitais novos expõe a fragilidade da saúde em socorro de pacientes graves no interior e na capital. Quem afirma é o deputado Cabo Bebeto (PL). Ao citar o caso da motorista de aplicativo Alayne da Silva Oliveira, sequestrada e baleada com um tiro na cabeça na região da Cachoeira do Meirim, o deputado lembrou que a vítima foi levado para a UPA do Benedito Bentes, esperou quatro horas por uma ambulância até ser levada para o Hospital Geral do Estado, apesar de estar ao lado do Hospital Metropolitano.
Outro caso citado pelo parlamentar foi o do tiroteio no forró do Benedito Bentes. As seis pessoas baleadas também foram socorridas no HGE. “Cadê o Metropolitano? Serve para que aquele hospital construído com parte do dinheiro do Fundo de Combate a Pobreza?, questionou o parlamentar ao lembrar que se alguém for atropelado na porta do Metropolitano vai para o HGE. “Por isso que o HGE só vive lotado”.
Bebeto destacou que os hospitais são necessários. Lamentou, contudo, a falta de planejamento. Para exemplificar o “caos”, citou a situação do interior. “Tem municípios que tem unidade filantrópica com leito do SUS, UPAs, hospital novo e os pacientes graves continuam sendo trazidos para o HGE. Afinal, o que foi feito com a saúde na gestão passada? Taí essa maratona que utiliza os hospitais novos, os velhos, as unidades de apoio para tentar fazer o que não foi feito na gestão Renóquio [denominação pejorativa dada pelo parlamentar ao ex- governador]”, atacou o deputado ao apontar que “o atendimento continua ruim por falta de pessoal, por causa do empreguismo, da desorganização, falta de insumos básicos e de infraestrutura inclusive nos hospitais novos”.Demanda reprimida precisa da rede de apoio
A estrutura disponível da saúde pública de Alagoas, mesmo com os novos hospitais e UPAs, ainda não é suficiente para atender à antiga demanda de cirurgias eletivas, de exames e garantir o atendimento diário a maioria dos 3,3 milhões de alagoanos, alfinetou o deputado Davi Davino Filho (PP). Para reduzir a demanda reprimida, o governo não tem alternativa, tem que fazer as ações com ajuda das entidades filantrópicas e hospitais conveniados. “Não existem condições de o Estado atender à demanda porque falta tudo: de pessoal a insumo básicos”.
O deputado considera que os mutirões são necessários. Ele considerou perigoso fazer milhares de exames e cirurgias às pressas. “Isso pode resultar em algumas complicações”. Para o deputado, a estratégia usada tenta camuflar a herança da gestão passada e ao mesmo tempo está de olho no processo eleitoral. “A gente está diante de uma maratona eleitoral na saúde”.