Política
Foragido da Justi�a pede voto em Minador
MAIKEL MARQUES Sucursal Arapiraca - O fazendeiro José Nilton Cardoso Ferro, acusado de comandar, sete meses atrás, a emboscada contra o deputado Cícero Ferro (PMDB), ?participa? da campanha eleitoral em Minador do Negrão dando apoio ao vereador Emílio Barros (PSB), que é seu parente e disputa a prefeitura do município contra a funcionária pública Eladja Ferro (PMDB), esposa do deputado. Zé Nilton tem prisão decretada e é procurado pela polícia. Para Cícero Ferro, ?Zé Nilton é quem financia a campanha do adversário?. A família do acusado diz que a alusão ao nome do fazendeiro é uma simples homenagem, uma vez que ?ele não pôde disputar o cargo de prefeito?. A disputa pelo comando político de Minador do Negrão ganhou seu último ? e talvez mais polêmico ? ingrediente depois da confirmação das candidaturas e do início da propaganda política, quando o grupo que apóia o candidato Emílio Barros decidiu vincular sua publicidade ao nome do fazendeiro José Nilton Cardoso, foragido da Justiça desde o dia 31 de janeiro deste ano, quando comandou a emboscada contra o deputado Cícero Ferro e seu motorista, José Maria Ferro. ?Mesmo foragido, ele é quem financia a campanha de nosso adversário?, diz o prefeito João Bosco Cardoso Ferro (PSDB). Atual prefeito do município, João Bosco deu entrevista à GAZETA no escritório do deputado Cícero Ferro, num dos cômodos de sua chácara na zona rural de Minador. ?Eles querem que o foragido mande na cidade?, dispara o atual prefeito. Os comentários de que Zé Nilton seria o fiEmílio Barros surgiram de pois da pintura de seu nome nos muros de residências da cidade. A chapa Emílio Barros/Lindalva Barros figura com a seguinte inscrição: ?apoio: Zé Nilton Cardoso?. O recado Na parede de uma lanchonete na rua de acesso ao Centro de Minador, o recado atribuído ao fazendeiro é bem objetivo: ?Me impediram de ser candidato, mas não podem me tirar o prazer de votar no 40?. ?É um absurdo. Pedem votos em nome de um foragido?, critica o deputado Cícero Ferro. ?Não é absurdo coisa nenhuma?, rebate uma mulher. ?Não pedimos votos em seu nome. Decidimos homenageá-lo porque ele seria nosso candidato a prefeito. Como não foi possível, é justo que lembremos de sua importância?, diz a mulher ? ela é parente de Zé Nilton ? que pediu para não ter o nome identificado. ?Considero esse tipo de propaganda um desrespeito à Justiça?, critica Cícero Ferro, líder político do atual prefeito e de sua esposa, Eladja Ferro, que disputa a primeira eleição. Como não conseguiu localizar o candidato Emílio Barros, a GAZETA ouviu da candidata a vice-prefeita, Lindalva Barros, a explicação de que o ?apoio vem da família e não do Zé Nilton?. ?Ele é o político da família. Como saiu da cidade depois do ocorrido e não conseguiu disputar a eleição, decidimos lançar o Emílio e fizemos questão de lembrar o nome de Zé Nilton?, explica Lindalva. A GAZETA apurou que Emílio Barros foi o nome encontrado pela família para não ficar de fora da eleição depois da constatação de que Zé Nilton não teria apoio dos filiados de seu partido, o PFL, para disputar o cargo de prefeito. ?Tentamos lançar o nome da esposa dele, Socorro Cardoso Ferro, mas ela também ficou sem apoio. Como não conseguiram tomar o PSB, decidimos unir forças para lançar sua candidatura?, explica um parente do fazendeiro Zé Nilton. Rotina A atual presidenta do PFL de Minador é Taíse Ferro. Ela é filha de Cícero Ferro e esposa de Flávio Emílio, atual vice-prefeito e candidato a vice na chapa encabeçada por sua nora, Eladja Ferro (PMDB). Eladja conta que mudou sua rotina depois do atentado contra seu marido. ?Não pode haver descuido?, comenta a candidata, que conta com apoio de parte dos 10 policiais destacados pelo governo para fazer a segurança do deputado Cícero Ferro. Bem armados, os militares circulam em caminhonetes possantes até mesmo num deslocamento ao centro da cidade. ?Estamos preparados para um novo confronto, se for necessário?, comentou um dos seguranças. ?O clima é de paz e muita tranqüilidade na cidade. Enquanto o bandido [Zé Nilton] não for preso, precisamos nos precaver de uma possível situação adversa?, explica o deputado, numa clara referência à possibilidade de novo confronto com seu primo, José Nilton Cardoso.