Política
Assembl�ia Legislativa de Alagoas ficou 100% governista
CÉLIO GOMES MARCOS RODRIGUES O governador Ronaldo Lessa (PSB) não tem apenas maioria de votos na Assembléia Legislativa de Alagoas. Ele vive a rara situação de um governante para quem a oposição simplesmente evaporou. O último representante da resistência ou contestação a projetos governistas na Assembléia ? o deputado Paulo Fernando dos Santos, o Paulão (PT) ? mudou de lado, movido por ingredientes eleitorais. Paulão passou-se para a base aliada desde que seu partido aderiu à candidatura de Alberto Sextafeira (PSB). Com isso, o governador Ronaldo Lessa pode aprovar, em tese, tudo o que quiser com o incrível placar de 27 votos a zero. A Assembléia Legislativa tem 27 deputados. Mas a história dessa hegemonia não é tão recente e seus lances principais não estão ligados a Paulão e ao PT, mas sim ao deputado Antônio Albuquerque (PL) e o chamado Grupo dos 14, chefiado por ele em 1999, primeiro ano do primeiro mandato do governador. Na eleição de 1998, Lessa derrotou o então governador Manoel Gomes de Barros, que concorria à reeleição. Como fazia desde 1992, quando se elegeu prefeito de Maceió, Lessa defendeu o novo. Dizia que enfrentava as ?forças do atraso? no Poder Executivo e na Assembléia. Disse que não negociaria cargos e não receberia pressões de ninguém. Quando 1999 começou, não demorou muito para Lessa sofrer seguidas derrotas na Assembléia. O Grupo dos 14 ? a maioria dos deputados, portanto ? não deixava passar nada. Lessa atacava a Assembléia, avisando que não iria se dobrar e que ?Alagoas vivia um novo tempo?. Acordo e cargos A relação de amor e ódio entre Lessa, Albuquerque e seus aliados não demorou muito. Depois de socos na mesa e acusações mútuas, chegaram à paz. As partes explicaram que um acordo havia sido feito ?em nome da governabilidade e do respeito à independência dos poderes?. Antônio Albuquerque e aliados foram para o governo. E ocuparam os cargos que escolheram. Com algumas divergências localizadas, mas sem nada que provocasse uma crise, Lessa e a Assembléia atravessaram os anos em calmaria. A relação com Antônio Albuquerque ficou em suspense com a eleição de 2002. Lessa foi reeleito derrotando no primeiro turno o ex-presidente Fernando Collor. Albuquerque estava entre os aliados de Collor. Mas um outro nome, já desde o primeiro mandato, começava a se tornar decisivo para o governador na Assembléia: o deputado Celso Luiz, político tradicional com bases eleitorais no Sertão e no Agreste. Com Celso Luiz presidente da Assembléia, o governo ganhou um aliado que não reclama e não ameaça, como fazia Albuquerque. ?Tenho uma ligação com o governador muito grande. Toda Alagoas sabe?, disse Celso Luiz à GAZETA logo no começo do segundo governo Lessa, em 2002. Dois anos depois, a fidelidade de Celso é a mesma. Diz hoje que a relação com o governo foi ?construída de maneira sólida e não será quebrada por causa das eleições?. A referência às eleições por parte do presidente da Assembléia tem um motivo claro: alguns deputados têm candidatos a prefeito em municípios do interior, que enfrentam candidaturas do governo estadual. Mas, pelo visto, nem a briga por votos ameaça o domínio absoluto que o governador tem sobre a Assembléia. Quanto a Albuquerque, hoje o governo resolve o problema com uma secretaria de Estado: a da Ciência e Tecnologia, cujo titular, deputado Francisco Carvalho (Chicão), é indicado por Albuquerque.