Política
Jo�o Caldas e Celso Luiz reclamam da interrup��o
A decisão do juiz José Braga Neto, de cancelar a realização de um comício em São José da Laje, no sábado à noite, irritou o deputado federal João Caldas (PL). Segundo o parlamentar, que desistiu de ser candidato a prefeito em Maceió, a ação do magistrado é ?uma perseguição?. Além de Caldas, o presidente da Assembléia Legislativa (ALE), deputado Celso Luiz (PSB), também foi impedido de falar no comício, depois que o juiz suspendeu a realização do ato político. Para o deputado João Caldas, o juiz Braga Neto ?não tem imparcialidade para conduzir o pleito no interior?. O parlamentar cita conflitos ocorridos no município de Ibateguara. Lá, a candidata apoiada pelo deputado é sua esposa, Eudócia Caldas. ?Nós tivemos problemas já nas eleições de 2000, quando ele [juiz Braga Neto]tomou partido por uma das candidaturas, em Ibateguara. Chegou a usar, inclusive, um carro de som em favor do outro candidato. Por isso, fizemos representação junto ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), pedindo o seu afastamento do pleito deste ano?, argumentou o deputado. A GAZETA confirmou, com o juiz federal Sérgio Wanderley, a existência de um pedido de afastamento do juiz Braga Neto da cidade de Ibateguara. O pedido pode ser julgado ainda hoje pelo Pleno do TRE, do qual o juiz Wanderley é um dos integrantes, como representante da Justiça Federal. Pelo fato de o processo ainda está em fase de análise, o juiz Sérgio Wanderley não antecipou mais detalhes sobre a solicitação. Agitação Ainda segundo o relato do deputado João Caldas, a decisão do juiz Braga Neto de cancelar os comícios provocou ?uma grande agitação? na cidade. Para ele, o ?tumulto? provocado pela suspensão poderia causar problemas mais sérios. ?Foi uma ação com a presença de homens da polícia fortemente armados, como se lá, ao invés de políticos, estivessem bandidos. Isso provocou um clima de tensão, que até então não existia?, disse Caldas. Celso Luiz Segundo a assessoria do deputado Celso Luiz, de fato houve o impedimento da continuidade dos pronunciamentos. Celso disse que quando chegou ao local marcado para o ato político, os microfones já se encontravam desligados. Ele afirmou não ter visto cenas que pudessem ser classificadas como ?ação violenta? dos policiais. Mas para o presidente da Assembléia, a ação do juiz foi ?antidemocrática, tendenciosa e abusiva?. O deputado Celso Luiz soube, segundo sua assessoria, que no domingo um dos candidatos à sucessão em São José da Laje fez comício e, somente no final, ?quando o show musical havia começado, é que foi interrompido pelo juiz?. Essa versão é desmentida pelo juiz Braga Neto. O magistrado esclareceu que interrompeu o comício ainda em andamento, e não apenas o show. Pressões O incidente em São José da Laje serve para mostrar, mais uma vez, a delicada situação de juízes eleitorais pelo interior do Estado, na tarefa de disciplinar a campanha para as eleições municipais. A GAZETA já mostrou os vários casos de juízes que falaram em pressões de autoridades com mandatos legislativos inconformadas com medidas tomadas em vários municípios. Desde que o processo eleitoral começou, os deputados Cícero Ferro (PMDB), Francisco Tenório (PPS) e Cícero Almeida (PDT) ? este candidato a prefeito de Maceió ? já fizeram críticas a atuação de juízes. Os alvos foram os magistrados que trabalham em municípios como Minador do Negrão, Chã Preta, Arapiraca, Satuba e outros pontos onde há uma disputa acirrada com envolvimento de caciques da Assembléia Legislativa. (GF/MR)