Política
PROCESSOS DE INVESTIGAÇÃO DE PATERNIDADE PASSAM DE MIL EM 6 MESES
Segundo psicóloga, não ter o nome do pai em documentos afeta o comportamento do ser humano
Nem sempre a ausência do nome do pai na certidão de nascimento acontece de forma consensual entre as duas partes (pais e mães) e muitas vezes os casos acabam chegando à Justiça. Para se ter uma ideia da demanda no Poder Judiciário, em todo o ano de 2021, foram 945 processos de investigação de paternidade. Em 2022, somente entre os meses de janeiro a junho, foram 1.003 processos impetrados.
COMPORTAMENTO
Para a psicóloga Laurianny Cavalcante, não ter o nome do pai constando na certidão de nascimento e nos demais documentos que serão feitos ao longo da vida, afeta, e muito, o comportamento do ser humano. Segundo ela, uma criança em fase de desenvolvimento, por exemplo, precisa ter referências e saber de onde veio. “As crianças precisam desenvolver tanto o ambiente social, quanto a questão psicológica, então é de extrema importância que ela entenda de onde veio. Na vida adulta, isso causa muito conflito, porque sempre vai ficar uma lacuna, uma brecha, uma série de interrogações. A pessoa sempre vai se perguntar de quem foi a falha e isso afeta demais o desenvolvimento”, afirma. E completa: “Todos nós precisamos saber as nossas origens. Hoje, um dos assuntos mais falados nesse sentido, é o quanto isso é nocivo à vida de uma criança”.
Ela ressalta que os adultos são os referenciais das crianças que estão em fase de desenvolvimento. São eles quem ajudam a construir o caráter e as crenças, e a saber os direitos e deveres de cada um. E, em regra, quem passa tudo isso são pai e mãe. Quando uma dessas figuras não existe, é natural que o desenvolvimento psicológico e social acabe sendo prejudicado.
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“Não dá para falar, especificamente, o problema que isso vai dar no futuro das pessoas, pois cada um tem um comportamento diferente diante desse cenário. Estamos falando do abandono da presença, do cuidado. E existe a importância de saber de onde veio para que a criança não seja prejudicada dentro do desenvolvimento psicológico e social, que é como ela vai se entender, se desenvolver, como vai se integralizar diante do mundo, como vai socializar com outras pessoas. Sempre que existir uma lacuna, onde eu não sei a minha identidade, a minha origem, vai haver um bloqueio emocional dentro do contexto”, pontua, ressaltando que o cenário acaba gerando crianças inseguras e instáveis emocionalmente. A psicóloga diz ainda que, em regra, a fase da adolescência é a mais crítica nesses casos. “A adolescência é a fase de desenvolvimento mais crítica, é quando vêm as questões hormonais, e quando os jovens buscam muito por respostas”, falou. Por fim, ela diz não ter como mensurar ou avaliar o que leva um homem a adotar o comportamento de abandono, pois depende muito do cenário em que a criança foi gerada. “E não estamos falando nem de afetividade, mas de responsabilidade com a vida da outra pessoa”, destacou.