Política
Vereador nega troca de terrenos por votos
MAIKEL MARQUES Sucursal Arapiraca - O vereador arapiraquense Cícero Valentim (PTB) negou as acusações do Ministério Público (MP) de que trocou 500 terrenos de um loteamento clandestino, na periferia da cidade, por votos que teriam favorecido, no pleito de 2002, a eleição de um deputado estadual e de um federal. ?Sou comerciante. Comprava e vendia terrenos a preços acessíveis. Nunca dei terreno a ninguém, mas já pedi apoio a outros políticos?, alegou o vereador, que confirmou ao promotor negociar seus lotes através da imobiliária Nosso Lar, empresa sem registro no Conselho Regional dos Corretores de Imóveis (Creci). O vereador Cícero Valentim (PTB) chegou ao cartório eleitoral da 22ª Zona, em Arapiraca, acompanhado do advogado Edson Lucena Maia, presidente do diretório do PSB de Arapiraca. ?Eu sou inocente. Desafio a Justiça a provar as acusações contra minha pessoa?, ironizou o vereador. Em entrevista à GAZETA, Valentim rebateu as acusações de que teria trocado terrenos por votos para favorecer, segundo a denúncia do Ministério Público, eleição do suplente de deputado federal Jurandir Bóia (PSB) e do deputado estadual Gervásio Raimundo (PTB). Para quem? As acusações que pesam contra o político constam de inquérito da Polícia Federal (PF) e datam dos meses anteriores ao pleito eleitoral de 2002. Segundo a denúncia do Ministério Público (MP), Cícero Valentim distribuiu centenas de pequenos terrenos no loteamento Baixa da Hora, periferia da cidade, para eleitores que concordaram em votar nos seus candidatos. Ouvido pela GAZETA, o promotor Valter Omena informou que o acusado confirmou ter distribuído cartões contendo números dos candidatos para quem ?trabalhava?. ?Um deles era o deputado Gervásio Raimundo (PTB)?, afirmou o promotor. Dizendo-se ?político folclórico?, Valentim ironizou, mais uma vez, ao afirmar que não deve nem pediu favor a nenhum de seus eleitores. Apontado pelo Ministério Público (MP) como ?político que se utiliza de meios reprováveis para conseguir votos?, Valentim confirmou o fato (distribuição dos lotes), mas negou a finalidade eleitoral, o que não convenceu o promotor Valter Omena. ?Ele deixou claro que trabalhava para dois candidatos, mas afirmou que não pedia votos em favor dos dois cidadãos?, completou o promotor. Fantasma Em seu depoimento, o vereador arapiraquense também confirmou que ?negociava? os lotes através da imobiliária Nosso Lar, empresa sem registro no Conselho Regional dos Corretores de Imóveis (Creci). ?Ele confirmou que sua imobiliária era fantasma?, revelou o promotor. À reportagem da GAZETA, Valentim também não explicou por quanto vendia cada um dos 500 lotes, que continuam sem proprietário legal. Isso ocorre porque os ?beneficiários? ? tenham ou não comprado os imóveis ? continuam sem a escritura de posse dos mesmos. Em março deste ano, a Defensoria Pública entrou com ação pedindo à Justiça que julgasse a questão em favor dos eleitores e lhes concedesse a posse definitiva da área, que fica vizinha ao Distrito Industrial do município. Caso seja condenado pelo crime de troca de terrenos por votos, o Código Eleitoral prevê perda do mandato e prisão de um a quatro anos.