Política
Promessas de candidatos ignoram a realidade
ODILON RIOS As promessas são variadas: criar uma escola de informática ou uma escola-circo, inaugurar fundações, extinguir o mandato dos ?vereadores turistas?, acabar com o desemprego, a miséria e a corrupção, tirar os menores das ruas. Estas são algumas das propostas de alguns candidatos a vereador por Maceió, que tentam se eleger através da retórica, mas, na prática, será impossível viabilizar os projetos ou as idéias consideradas mirabolantes. No vale-tudo para conseguir uma das 21 vagas na Câmara Municipal, a maioria dos candidatos mostra que não sabe ou pelo menos não entende qual a função de cada poder e acaba criando propostas que, em verdade, são funções de outros poderes. Algumas das promessas, entretanto, fazem parte de problemas seculares, que até hoje nenhum governante, mesmo federal, conseguiu combater, como a miséria e o desemprego. De acordo com a Constituição Federal de 1988, as funções da Câmara Municipal são fiscalizar a prefeitura, atuar em matérias de alcance do município, além de discutir as questões locais. Discurso vazio Alguns candidatos a vereador, mesmo sem prometer nada, acabam dizendo que vão fiscalizar as contas públicas ou mostrar à população os destinos do dinheiro do contribuinte. Porém, mesmo para os vereadores que tentam a reeleição, isso nem sempre é possível. Os petistas são um exemplo disso. Antes, os vereadores Thomaz Beltrão e Judson Cabral, hoje candidatos à reeleição, eram os únicos que se consideravam de oposição na Câmara de Maceió e pediam a fiscalização em órgãos da prefeitura, como a SMTT. Mas os ventos da política mudaram os destinos das palavras e hoje, pelo menos para o PT, ficaria bem difícil tentar seguir à risca a cartilha sobre a fiscalização do poder público que a Câmara deveria ter. Além disso, os lados na Câmara determinam a função do parlamentar. Poucos, até hoje, na gestão da prefeita Kátia Born e pertencentes à bancada da prefeita, contestaram suas contas. Mas alguns candidatos prometem mudar tudo isso, dando à Câmara um modelo de transparência nunca antes imaginado na história brasileira.