Política
Jornalistas discutem conselho com deputado
MARCOS RODRIGUES O projeto de criação do Conselho Federal de Jornalismo (CFJ), proposto pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e encampado pelo governo federal tende a ser retirado da pauta do Congresso Nacional. É que se por um lado a proposta é debatida no seio da categoria, há 20 anos, no parlamento ela soou como um modelo de censura para a atuação da imprensa contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Um os defensores dessa tese é o deputado federal alagoano José Thomaz Nonô (PFL). Ele é um dos articuladores da oposição no Congresso. Durante toda a semana que passou ele concedeu várias entrevistas em emissoras locais e nacionais. Segundo Nonô, a proposta de criação do CFJ não protege nem beneficia a categoria, mas é sim uma proposta para silenciá-la. ?O que o governo quer é criar uma forma legal de calar os jornalistas e acabar com a liberdade de imprensa?, afirma o deputado. Ele chega a comparar a proposta como sendo tão grave que ?nem a ditadura militar teve tanta ousadia?. Nonô considera que o presidente Lula está preocupado com as investigações, em curso no país, em setores de seu governo, a exemplo da ?operação vampiro? no Ministério da Saúde e o ?caso dos bingos?, que envolve um ex-assessor do gabinete civil da Presidência da República. Nesse episódio o personagem é Waldomiro Diniz. Contexto É por causa desse contexto e, principalmente, pelo conteúdo do projeto, que ele acredita que o principal objetivo do governo é evitar as investigações da imprensa. ?O governo dos petistas se mostrou falível ao que eles mais cobravam e criticavam, que era a corrupção. Basta ver que o principal assessor do ministro Humberto Costa saiu algemado pela Polícia Federal?, relembrou. Ainda segundo o parlamentar, o PT estaria temendo que o poder de investigação da imprensa, ?que no passado era um artifício muito usado pelo partido para criticar o governo?, possa favorecer o discurso da oposição. Fenaj Já o presidente do Sindicato dos Jornalistas de Alagoas (Sindjornal), Antônio Pereira, entende que a reação da oposição está atrelada aos interesses das empresas de comunicação. ?A discussão sobre a criação do CFJ é legítima e está no seio da categoria há anos. Na verdade, o conselho será um norte importante para a organização da categoria e, principalmente, a defesa da qualidade da atuação?, explicou. Pereira, que é vice-presidente da regional Nordeste da Fenaj, recém-eleito, disse que o CFJ foi levado ao Congresso em forma de projeto pela própria categoria dos jornalistas. Ele defende que o tema seja amplamente discutido com a sociedade e, sobretudo, pela categoria. ?O projeto é importante para a sociedade, por isso estamos dispostos a discuti-lo de forma democrática, ao contrário dos grandes conglomerados de comunicação que estão criticando a idéia desde que ela foi apresentada?, disse. Por causa disso, os jornalistas alagoanos discutem o CNJ, amanhã à noite, na sede do Sindijornal, na Casa da Comunicação. A proposta surgiu durante uma entrevista do deputado Nonô na Rádio GAZETA, no programa ?Ministério do Povo?. ?Queremos discutir o projeto com igualdade e ouvindo a categoria, assim como o deputado Nonô?, defendeu.