Política
Duplo assassinato em Coruripe completa 1 ano
GILVAN FERREIRA Na última quinta-feira, dia 19, as famílias do vendedor de jóias José Cerqueira, morto aos 38 anos, e de seu motorista, Majelo da Silva, que tinha 19, lembraram, em silêncio, um ano dos dois assassinatos. Uma missa na Igreja das Cacimbas, no centro de Arapiraca, serviu para reunir parentes e amigos de Cerqueira e Majelo. A irmã de José Cerqueira, Maria Cerqueira, contou à GAZETA o sofrimento da família, que há um ano busca justiça para o desaparecimento trágico do vendedor de jóias. Maria diz que a mãe, Ana Cerqueira, a última pessoa da família a falar com José, por volta das 19 horas do dia 18 de agosto de 2003, não esconde a dor pela ausência do filho. ?A gente ainda sofre muito, mas entregamos o caso à justiça de Deus. Minha mãe tem muitas lembranças de José e ainda fala no que fizeram com ele. Ela guarda o material que sai nos jornais e não quer falar com a imprensa sobre isso?, diz. Em tom resignado, a irmã de José Cerqueira diz que acredita na Justiça para punir os responsáveis pela morte do irmão. Maria Cerqueira diz que a família não sofre ameaças de morte, mas não esconde o receio de falar com a imprensa. José Cerqueira e Majelo da Silva foram assassinados, em agosto do ano passado, em Coruripe. Os dois corpos só foram encontrados dois meses depois, em um canavial da Usina Guaxuma, em Coruripe, e foram identificados por técnicos do Laboratório de DNA Forense da Ufal, em Maceió. Investigações Depois de quatro meses de investigação, o então delegado de Coruripe, Marcílio Barenco (que foi afastado do cargo há duas semanas), indiciou o vereador e policial civil Jesse James Viana, o ?Neno? ? assessor do deputado estadual João Beltrão (PMDB) ? e seu funcionário Paulo César Cartier dos Santos, o ?Paulinho Cartier?, com base nos artigos 157 (latrocínio) e 211 (ocultação de cadáveres), do Código Penal. Carro, dinheiro e jóias A polícia não conseguiu encontrar o veículo de José Cerqueira ? um Palio cinza, placa MUN 4212 ?, as jóias, avaliadas em cerca de R$ 60 mil, o dinheiro conseguido com as vendas em Coruripe e documentos, que incluiriam promissórias do deputado João Beltrão, no valor de R$ 2.700, e do próprio Jesse James, no valor de R$ 320. O delegado Marcílio Barenco investigou várias pistas para tentar chegar ao veículo, às jóias, às promissórias e ao dinheiro arrecadado por José Cerqueira em Coruripe. Prisões Jesse James, o ?Neno?, que está preso na sede do Grupamento Tigre, desde o dia 30 de março, quando se apresentou à polícia, também é investigado por suspeita de envolvimento em mais seis homicídios em Coruripe, além de processos por ameaças a delegados e jornalistas, furto e crime ambiental. Um mês depois da prisão de Neno, dia 30 de abril, Paulinho Cartier se apresentou à policia. Ele aguarda julgamento na delegacia regional de Penedo. No inquérito, o delegado Marcílio Barenco apresentou depoimentos de testemunhas que, segundo ele, ajudaram a formar sua convicção da participação de Jesse James e Paulinho Cartier nos crimes.