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Um “nanico” na briga pelo voto para prefeito da capital alagoana

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- Quantas eleições o senhor já disputou? - Essa é a quarta campanha. Eu fui candidato a vereador em 1988. Antes, em 86, saí candidato a deputado estadual, quando então a disputa para governador era entre Ronaldo Lessa, Fernando Collor e Guilherme Palmeira. Na eleição passada, em 2002, disputei o Senado. - O que o faz acreditar que nesta eleição o senhor terá mais sucesso do que nas anteriores, onde nunca conseguiu se eleger? - Nas primeiras campanhas, a gente sai com aquele desejo de cidadão, de servir à cidade, servir ao Estado, à pátria. Nesta eleição, estamos com o mesmo pensamento. Estamos fazendo a diferença, porque enquanto existem grupos fortes que tentam se perpetuar no poder, nós fazemos essa diferença em sermos um candidato nascido do povo, de um partido chamado de nanico, mas que tem o mesmo direito de disputar uma eleição. Estamos trabalhando há mais de um ano em cima de propostas para Maceió. Não somos uma candidatura de laboratório. - Qual sua experiência como administrador? - Na rede privada nós administramos tudo. Eu comecei aos 12 anos cobrando livros e depois vendendo livros. E quem vende livro no Brasil é um herói, porque quem vende livro tem de empurrar mesmo para conseguir passar o produto. v - O senhor era um bom vendedor de livros? - Eu cheguei a ganhar até alguns prêmios com meu desempenho. - E como cobrador, arrecadava bem? - Como cobrador arrecadava, mas muitas vezes era expulso das casas, porque cobrador é sempre ruim. Eu fui criado vendido livros. Meu pai tinha um alfarrábio na Feira do Passarinho e lá me criei vendendo livros. A gente era pobre mesmo. - Todo candidato gosta de alardear uma ?origem humilde?. O senhor também veio da pobreza? - Fui criança pobre. Vejo aí gente dizer que dormiu em saco de cimento e tanta colocação que se faz de pobreza. Eu sim posso dizer que nasci na pobreza mesmo. Meu sonho de criança não era ter bicicleta ou carrinho; meu sonho era comer um pão doce sozinho, porque quando se comprava um pão lá em casa, era dividido para quatro pessoas. E cresci. Hoje, se eu quiser, posso comprar uma padaria. - Onde o senhor nasceu? - No município de Paulo Jacinto, em 17 de outubro de 1955, mas moro aqui em Maceió desde os cinco anos. - E depois da experiência como cobrador e vendedor de livros? Depois de vender livro no mercado, exerci várias funções pela vida até virar radialista. O importante é que aprendi a seguir como meu pai defendia. Foi um homem de família honesta, onde prevalece a palavra empenhada. Ele dizia ?olhe não se misture, seja honesto, mantenha a palavra, não minta?. Essa foi sua lição. - Numa eleição se fala em acordos, negociações, candidato laranja. Como se negocia uma candidatura, afinal? - As pessoas que me conhecem sabem que não sou afeito a esse tipo de coisa. Sou político que trabalha no campo das idéias. Nunca participei como laranja. - Seu pai então não teria motivos para ficar decepcionado com o senhor? - De jeito nenhum. A gente sempre manteve um linha e as pessoas que me conhecem sabem. Minha preocupação social, como falei, saiu da pobreza. Com a venda de livros, percebi que a leitura é o único grande caminho para a formação de um povo. O povo brasileiro não tem hábito de leitura. E isso é essencial para a educação ? uma de nossas metas no projeto de governo. - O senhor gosta de ler com regularidade? - Claro, o livro é fundamental, a educação de um povo está ligada a isso, e a política pública deve direcionar mais esforços para essa área. - Qual o último livro que o senhor leu? - A Bíblia, ontem à noite. É minha consulta diária. - Algo mais? - Geralmente são livros de conteúdo evangélico. Um livro que estou lendo é de um grande pregador dos Estados Unidos, mas não me recordo o nome dele agora. Ele é um desbravador pela África na busca de transformar vidas. - O senhor é pastor evangélico. Sua atuação política aumentou depois que resolveu seguir a religião? - Eu me converti há 15 anos. Mas em 86 já era candidato. Sempre estive ligado à política num trabalho de assessoria, quando era locutor. Tenho 25 anos de rádio. Estou fora do ar, como locutor, há uns dez anos, mas tenho programas evangélicos em duas rádios diferentes, mas estou fora do ar, depois da candidatura, como manda a lei. - Vamos falar de propostas. Qual é a base real para sua idéia de anistiar os devedores do IPTU? Isso não é só promessa de campanha? - De forma nenhuma, porque o IPTU hoje é o bicho-papão para milhares de famílias que não têm como pagar os débitos que foram se acumulando. Muitos estão sendo executados, estão na fase de penhora. - Sim, mas a anistia não trará problemas aos cofres do município? Como o senhor resolveria isso? - O grande objetivo nosso não é isentar ninguém de pagar o IPTU. Isso foi o que os adversários disseram. Serão dois momentos do IPTU. Primeiro é o congelamento, por quatro anos. Aí, vem a anistia. Ela se dará se o contribuinte, nos próximos quatro anos, pagar em dia o IPTU atual. A dívida ativa continua, mas as ações contra o consumidor vão parar. Com o projeto que enviarei à Câmara Municipal, dá para garantir o pagamento e recuperar o contribuinte. - Seu programa de governo também propõe a eliminação das lombadas eletrônicas. Isso não vai aumentar o perigo para os motoristas e pedestres em vários pontos? Em alguns casos, as lombadas foram exigência de moradores, que fizeram até protestos contra acidentes e mortes. - Elas poderão até existir, do ponto de vista do controle da velocidade. Mas essa penalidade que se dá ao motorista nós discordamos. O limite de velocidade também é pequeno, numa cidade como Maceió. - A anistia para devedores do IPTU e o fim das lombadas reduziriam a receita da Prefeitura. Isso não tornaria mais difícil ainda a execução de obras necessárias ao município? - Dois números chamam a atenção em Maceió: o desemprego, que é muito alto, e a dívida do município, que está perto de meio bilhão de reais. Então, nós pensamos em como fazer para não depender de recursos federais ou de bancos internacionais, por exemplo. - E como fazer? - Todas as nossas propostas são fáceis de fazer. Depende só da boa vontade. E a arrecadação aumenta com a questão do IPTU, com estímulo a pequenas empresas, com a estima da população em alta diante do novo governo que vai entrar. Vamos buscar parcerias com organismos vivos da sociedade, como as universidades. Vamos criar cinco subprefeituras. Não vamos onerar a prefeitura. Todos os outros candidatos dependem de dinheiro. São dependentes do governo federal. Nós, não. - Como isso é possível? Dê um exemplo? - Temos o Parque Municipal, que não é utilizado, fica lá abandonado. Nós podemos criar um zoológico naquele lugar. Temos dinheiro para isso? Não. Mas eu posso terceirizar. Abrir concorrência pública nacional e internacional para isso. Vamos ter lazer para o cidadão, vamos gerar empregos, além de outros projetos, buscando parcerias. - O senhor propõe ainda redução de secretarias. Reduziria pessoal também? - Os funcionários efetivos são garantidos por lei. Vamos reduzir secretarias, custos, cargos comissionados. Temos aí perto de 30 secretarias, diferente de São Paulo, Nova Iorque. Vamos reduzir para eliminar cargo comissionado. E vai funcionar. Vamos ter tudo com solução caseira. - Os ataques estão no ar no Guia Eleitoral. As campanhas sempre têm ?baixaria?? - Nós mostramos propostas. Como cristão, como cidadão, nós condenamos os ataques. Dizer que você não presta e depois votar junto, isso não é certo, como muitas vezes vemos aí. - As pesquisas mostram o senhor sem chance de vitória. A campanha muda os números? - Nós temos aí mais de 30 dias para a eleição. Os outros candidatos têm mais nome do que eu, ocupam mais a mídia, têm mais visibilidade. Nós começamos agora e temos propostas. Nós acreditamos numa grande virada. - O senhor acredita em milagres? - Nós fazemos caminhadas e as pessoas dizem que vão votar na gente, que vão pedir voto, vestir a camisa, porque nós temos mostrado que somos o único candidato com propostas. Isso nós temos.

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