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Chic�o afirma que governo tem “banda podre”

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MARCOS RODRIGUES O ex-secretário-executivo de Ciência e Tecnologia, deputado estadual Francisco Carvalho, o Chicão (PSDB), disse ontem que deixou o cargo por ter ?contrariado interesses? do que classificou de ?banda podre do governo do Estado?. Hoje, Chicão volta a ocupar a cadeira de deputado na Assembléia Legislativa, e promete fazer um pronunciamento, ?com documentos?, sobre suas denúncias. Suas primeiras declarações foram feitas numa entrevista, ontem pela manhã, na TV Pajuçara. Segundo Chicão, a ex-diretora do Laboratório Farmacêutico de Alagoas (Lifal), médica Amália Amorim, e o atual secretário da célula de Desenvolvimento Econômico, Arnóbio Cavalcanti, fariam parte de um grupo de pessoas ?privilegiadas? do governo. ?Minha saída do governo aconteceu porque comecei a atingir pessoas no governo e, com isso, muita gente lá dentro. Aí, senti que muitos não estavam mais me querendo no cargo?, disse o parlamentar. Aviso O ex-secretário conta que quando assumiu a pasta, por indicação do deputado Antônio Albuquerque (PL), há oito meses, avisou ao governador Ronaldo Lessa (PSB) do ?rombo? do Lifal, que atualmente é estimado em US$ 8,5 milhões. ?Avisei ao governador do problema e ele adiantou que estava sendo realizada uma auditoria para levantar mais dados sobre a dívida?, destacou. Chicão disse que o Estado não tem como se livrar dessa dívida, por causa dos compromissos existentes entre o Banco Central (BC) brasileiro e o Banco Central da Índia, onde foram comprados os medicamentos. ?Existe um documento no valor de R$ 50 milhões?, disse ele. Ao todo, segundo o secretário, foram feitas duas auditorias: uma para confirmar o valor a ser pago ao laboratório indiano (R$ 80 mil) e outra para apontar a viabilidade da saída da crise financeira (R$ 60 mil). ?Até onde consegui informações, uma delas foi conduzida por um tal Lourenço, que inclusive está preso por envolvimento com o esquema dos hemoderivados do Ministério da Saúde [Operação Vampiro]?, adiantou o deputado. Inimigo Ao se referir ao secretário Arnóbio Cavalcanti, Chicão o classificou como ?inimigo?. ?Ele foi o meu segundo inimigo dentro do governo. Ele trabalha para desarticular os outros?, afirmou. A ?primeira inimiga?, segundo ele, é Amália Amorim. Chicão conta que o secretário o ?ignorou? à frente da pasta da Ciência e Tecnologia e o acusa de pedir uma consultoria, sem licitação, para elaborar o Plano de Desenvolvimento Energético do Estado. Chicão contou, ainda, que Arnóbio ?contribuiu para a desarticulação da secretaria?, incentivando o desmembramento da Fundação Universidade do Estado de Alagoas (Funesa), Fundação de Amparo à Pesquisa em Alagoas (Fapeal) e o Lifal. ?Em todo o país, as fundações de pesquisa estão ligadas à Secretaria de Ciência e Tecnologia. Em Alagoas isso não ocorre?, disse Chicão, alegando que ficou ?sem estruturação? em sua pasta. Outro projeto que segundo o ex-secretário foi ?abortado? por seu ?inimigo? Arnóbio Cavalcanti foi a parceria para de-senvolver a inclusão digital no Estado. ?Ao todo, 30 centros de inclusão seriam implantados por uma empresa coreana, cujo representante, o senhor Cláudio, está disposto a contar por que o projeto foi emperrado?, acrescentou Chicão. Lessa responde O governador Ronaldo Lessa, que também foi citado na entrevista de Chicão, tratou, ontem, o seu ex-secretário com agressividade. Procurado pela GAZETA para comentar as declarações de seu ex-aliado, Lessa não poupou palavras para demonstrar o quanto estava irritado com a situação. ?Se existe alguma banda podre dentro do governo, ela com certeza diminuiu muito quando ele [Chicão] saiu?, disse o governador, no salão de despachos, onde presidiria uma reunião com todos os coordenadores celulares. Pouco antes da reunião e de falar sobre o assunto ?banda podre?, o governador falava, descontraído, com o secretário Arnóbio, que também participaria da reunião. Por um instante, Lessa demonstrou já saber que o ex-secretário partiria para o ataque. Mas, ao ser perguntado sobre as críticas de Chicão, Lessa mudou de expressão. Mas, quando rebateu as acusações de Chicão, o governador não saiu em defesa de Arnóbio e Amália Amorim.

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