Política
Lessa: se criar, n�o tem problema
O governador Ronaldo Lessa quer dar por encerradas as discussões em torno da demissão e das denúncias do ex-secretário de Ciência e Tecnologia, Francisco Carvalho, o Chicão. Ontem, depois de uma solenidade no Palácio Floriano Peixoto, Lessa voltou a dizer que ?não teme? investigações da Assembléia. Lessa chegou a defender que o deputado Chicão apresente todas as provas que tem, principalmente o que for concreto. ?Acho que se a Assembléia entender que deve instalar uma CPI, não tem problema. Mas defendo a sua instalação a partir de um fato concreto, o que ainda não existe. Por isso, defendo que o deputado apresente todas as provas que tem e as traga a público?, disse o governador. Lessa voltou a sustentar o discurso de que no governo não existem denúncias sem apuração e que, até o momento, ?nada foi provado contra ninguém em nenhum escalão?. Acordo O governador negou a participação do secretário Arnóbio Cavalcanti no afastamento do deputado Chicão da secretaria, mantendo a versão de que o secretário foi afastado por necessidade do PSB ocupar mais espaço no governo. O governador fez um breve histórico dos acordos que vinham sendo mantidos com o deputado Antônio Albuquerque (PL) e com o próprio Chicão. Lessa contou que ambos já haviam sido contactados há pelo menos cinco meses. ?Tanto o deputado Albuquerque como o secretário sabiam das pressões que existiam pela sua saída?, afirmou o governador. Ainda segundo o governador, as cobranças pelo cargo do PSDB aumentaram com a saída do partido do governo, por conta dos desentendimentos no apoio à sucessão municipal. ?Dentro do PSB, ficou forte a cobrança pelo cargo, já que o PSDB estava praticamente fora do governo e apoiando outro candidato?, reafirmou o governador, referindo-se a José Wanderley, candidato a prefeito do PMDB. Oposição O governador diz saber que o período eleitoral pode alterar o quadro de apoio na Assembléia. Ele apontou como primeiro opositor declarado o próprio Chicão, que já afirmou que ficará na oposição ?até que a banda podre saia do governo?. O processo eleitoral, por conta das disputas no interior, vem colocando muitos parlamentares contra candidaturas governistas. Um enfrentamento inevitável está acontecendo entre os deputados Antônio Albuquerque e o atual presidente da ALE, Celso Luiz (PSB). Como Chicão foi indicado para a secretaria por Albuquerque, é possível que os dois, juntamente com os deputados Cícero Ferro (PMDB), Cícero Amélio (PMN) e Alves Correia (PL) se unam e formem um novo bloco de oposição. Esse grupo poderia contar com o deputado Gilberto Gonçalves (PP), atual candidato a prefeito de Rio Largo. Sobre este assunto até o líder do governo, deputado Sérgio Toledo, admite que ?insatisfações? possam surgir. Mas diz não acreditar que esse ?movimento? tenha força suficiente para atrapalhar o desempenho do governo na ALE. Enquanto os prognósticos não se confirmam, o deputado Chicão diz que na próxima sessão ordinária da ALE irá coletar assinaturas para viabilizar a CPI. Ele avisa que o primeiro parlamentar que irá contactar será o petista Paulo Fernando dos Santos, o Paulão, atualmente governista. (MR)