Política
Pedido de CPI sobre o Lifal causa diverg�ncia no governo
MARCOS RODRIGUES O governo do Estado está preocupado quanto ao pedido de CPI que será encaminhado, na Assembléia Legislativa, pelo deputado e ex-secretário de Ciência e Tecnologia Francisco Carvalho, o Chicão (PSDB), para investigar o que ele classificou como ?banda podre? do Executivo. As principais denúncias, até ontem, tinham como alvo o secretário de Desenvolvimento Econômico, Arnóbio Cavalcanti, e a ex-diretora do Laboratório Industrial e Farmacêutico (Lifal), Amália Amorim. O líder do governo na ALE, deputado Sérgio Toledo (PSB), afirma que vai trabalhar contra a instalação da CPI. Já o governador Ronaldo Lessa (PSB) diz não temer investigações. Chicão pretende investigar o governo por meio de duas frentes distintas. Ele defende a apuração sobre os responsáveis por um suposto ?rombo? no Lifal e sobre as consultorias contratadas pelo governo, segundo ele, sem licitação. Neste caso, o tucano cita Arnóbio Cavalcanti como ?privilegiado?. Segundo o líder do governo, ?não há clima? na Assembléia para a instalação de uma CPI. Toledo acredita que o fato de o governo estar investigando as denúncias envolvendo o Lifal é suficiente para frustrar o surgimento de novas investigações. ?A CPI se justificaria se o governo não estivesse envolvido na busca dos esclarecimentos. Desde que estes fatos vieram à tona, o Ministério Público está investigando o assunto. Então, não vejo necessidade para a instalação da CPI?, sustentou o deputado. Contra Dizendo-se convencido das ações do Executivo sobre os assuntos, Toledo declarou que é contra as investigações. ?Mesmo sem consultar o governador, já antecipo que trabalharei contra a instalação da CPI na Assembléia?, afirmou. O líder do governo diz que não desconsidera as denúncias do deputado Chicão, mas já avisou que a orientação é boicotar a criação da CPI. ?Não há espaço político para a coleta de assinaturas?, disse ele. ?A CPI tem uma conotação investigativa. Se o próprio governo já trabalha pela apuração dos fatos, para que fazermos uma investigação e dizermos a mesma coisa?? ? argumenta o deputado. Toledo não se referiu a Amália Amorim. Indagado se o fato de existir uma dívida registrada entre o Banco Central (BC) brasileiro e o banco central da Índia de 8,5 milhões de dólares não justificaria a investigação, ele desconversa. ?Para o governo, independentemente de qual seja o assunto, será investigado. O fato de me posicionar contra a instalação não se mistura com quem será ou está sendo investigado?, garantiu Toledo. Sobre o valor envolvido, ele declara que o governo reconhece a quantia, mas ao mesmo tempo discorda de como se chegou a esse montante. ?É por isso que há um recurso pedindo que a dívida seja recalculada?, lembra Toledo. O líder do governo revelou, ainda, que o seu principal temor em relação à CPI envolve o ?contexto eleitoral?. Ele diz acreditar que se as investigações forem aprovadas, seu desdobramento também seria eleitoral.