Política
Anistia Internacional defende, por carta, promotores e procuradores
São Paulo - Em carta enviada ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Nelson Jobim, a secretária-geral da Anistia Internacional, Irene Khan, defendeu ontem a manutenção do poder do Ministério Público de conduzir investigações criminais por conta própria. O julgamento que pode proibir procuradores da República e promotores de Justiça de comandar investigações foi interrompido ontem com placar favorável ao Ministério Público. Nelson Jobim votou pela exclusividade das investigações à Polícia Federal. O documento da Anistia também foi entregue à Procuradoria Geral da República, ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, e ao ministro de Direitos Humanos, Nilmário Miranda. Na carta, Irene Khan argu-menta que a Anistia tem trabalha-do em parceria com promotores e procuradores e que o Ministério Público é responsável ?tanto pelas denúncias criminais quanto pelo monitoramento de certos órgãos do Estado, inclusive da polícia e do serviço prisional?. ?Atualmente, no Brasil, a grande maioria dos crimes de direitos humanos é investigada por policiais, muitas vezes lotados no mesmo batalhão ou delegacia de polícia que o perpetrador. Isso tem contribuído, na melhor das hipóteses, para uma imagem de corporativismo na impossibilidade de construir casos para julgamento?, diz o texto. ?Na condição de órgão independente do Executivo, o Ministério Público é um dos únicos, senão o único, organismo independente capaz de, atualmente, realizar tais investigações no Brasil?, completa.