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Candidatos fazem “showm�cios” milion�rios

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ODILON RIOS O banco de apostas para assumir a Prefeitura de Maceió envolve números altos e estratégias na periferia para angariar a simpatia e os votos dos mais pobres. Os ?showmícios? fazem parte destas estratégias. Três candidatos a prefeito investem nas bandas de música mais caras do país para atrair o ?povão? às ruas, relembrando a velha estratégia dos circos romanos, onde os imperadores distribuíam aos pobres o pão e o circo. O ?circo?, neste caso, é uma atração cara (para quem contrata), mas os números estão bem escondidos nos bolsos dos candidatos. Duas bandas nacionais ditas ?de peso? já tocaram de graça para o público na periferia: Chiclete com Banana, contratada pelo candidato Cícero Almeida (PDT-PTB) e Zezé di Camargo & Luciano, para o comício de Alberto Sextafeira (PSB-PT). O candidato José Wanderley (PMDB-PSDB) ainda tenta receber, das mãos do senador Renan Calheiros (PMDB), a contratação de Wanessa Camargo, mas parece que o show não vai vingar aos peemedebistas. ?O Renan conseguiu Wanessa, mas trazê-la a Alagoas sairia muito caro?, disse o candidato a vice-prefeito Jorge VI (PSDB), o responsável pelas atrações dos comícios de Wanderley. Ele garante que as atrações que foram contratadas para tocar nos ?showmícios? são ?doações?, do senador do PMDB, talvez lembrando da influência política de Calheiros no cenário político nacional. ?Damos prioridade para artistas locais?, garantiu VI, dizendo que tocaram nos comícios da campanha, até agora, Bakanas do Brega e Rose de Paula. O forró da banda Baby Som e o trio elétrico Ninja também fizeram parte das ?doações? ao PMDB, segundo o vice-prefeito, cujos valores são mantidos sob sigilo. PSB Segundo apurou a GAZETA, um show com Zezé di Camargo & Luciano não sai por menos de R$ 100 mil. Para a realização de um ?showmício?, os números engordam: em média, a dupla cobra R$ 300 mil. O comando do PSB diz que a apresentação de Zezé foi uma ?doação? da direção nacional do PT e por aqui ninguém sabe os preços, a não ser para as bandas locais, como Luana do Reggae e Time Machine. Um dos coordenadores da campanha de Sexta, Francisco Beltrão, garante que as duas bandas, que são estaduais, não cobraram mais que R$ 2 mil. Mas a GAZETA apurou que os valores são mais salgados: cerca de R$ 5 mil, para a Time Machine, e cerca de R$ 10 mil, para Luana do Reggae. ?É vantajoso um showmício porque enquanto o candidato faz uma caminhada naquele bairro, um trio toca uma música e as pessoas participam da campanha?, disse Beltrão, que informou que Sextafeira alugou um trio elétrico entre R$ 80 mil e R$ 100 mil, para os três últimos meses da campanha. O PSB não revela quais são as bandas que vai trazer até o final da propaganda eleitoral, nem adianta se os grupos serão de ?peso? nacional. PDT Numa das campanhas mais caras de Maceió, que é a do deputado estadual Cícero Almeida, a estratégia foi trazer Chiclete com Banana para a periferia, mas o PTB, que coordena a sua campanha, quer trazer o Chiclete mais uma vez para tocar na capital, em local não revelado. O coordenador político do PTB, Nelson Ferreira, garantiu que o preço pago a banda foi de R$ 100 mil, mas o valor, segundo fontes consultadas pela GAZETA, seria esse se o Chiclete tivesse sido contratado para uma ocasião não política. Um ?showmício? do Chiclete não sai por menos de R$ 300 mil. Ferreira também não revelou se a proposta do PTB é trazer outras bandas para tocar na campanha de Almeida. O show do Chiclete aconteceu em ritmo de comemoração, pelo primeiro lugar ocupado por Cícero Almeida, em três pesquisas registradas no Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Pacotes caros Uma banda se torna mais cara, segundo fontes consultadas pela GAZETA, nos quinze últimos dias de uma campanha. Além disso, quando as bandas são contratadas, geralmente os candidatos pagam os ?pacotes?, que incluem palco, iluminadores, carregadores e técnicos de som, uma equipe de, no mínimo, oito pessoas. Porém, os altos preços cobrados, segundo as fontes consultadas, pelas bandas têm uma explicação: geralmente, os cantores evitam se identificar com algum candidato, o que pode trazer prejuízo para as gravadoras, caso as candidaturas naufraguem. Cantores como Daniel e Ivete Sangalo, por exemplo, cobram altos cachês e poucos políticos podem pagar em média R$ 400 mil ? preço que cada um dos cantores cobra para tocar em eventos políticos. Assim, os candidatos recorrem às bandas ditas ?da terra?, mas tocando sucessos nacionais, de grande aceitação popular, mas, ainda assim, as bandas só tocam em determinados locais se houver identificação com o ritmo na região. O critério, neste caso, é o sucesso das músicas nas rádios comerciais. ?Às vezes, os candidatos contratam uma atração de fora, mas deveriam empregar o dinheiro para ajudar as atrações da terra?, refletiu o empresário de shows Augusto Marques. Vantagem e desvantagem A depender dos lados, os ?showmícios? têm vantagens e desvantagens. Além da oportunidade de contar com o famoso que está no palco e ouvir do cantor que ele vota naquele candidato, no intervalo das músicas, os ataques são bem-vindos nos microfones, já que ainda não existe fiscalização da Justiça Eleitoral da conduta dos candidatos durante os discursos. Além disso, a Justiça Eleitoral não tem poder de pedir direito de resposta ou impedir o discurso dos candidatos agressores. A mesma vantagem não é registrada na televisão e no rádio, meios de comunicação com maior alcance na sociedade. Os direitos de resposta e as ações pedindo a suspensão de programas abarrotam a Comissão de Propaganda Eleitoral, que já suspendeu, até agora, parte do programa de Cícero Almeida, a pedido de Sextafeira, e todo o programa do PRP, a pedido de Cícero Almeida. Os ataques também atingem o peemedebista José Wanderley. Para alguns eleitores, os ?showmícios? ainda representam dor de cabeça. Na Justiça Eleitoral, até sexta-feira, não foram registradas reclamações oficiais de pessoas contra os horários que acabam alguns dos comícios: em alguns casos, às duas da manhã. Mas os juízes da Comissão Eleitoral têm recebido reclamações de moradores, por telefone, de áreas vizinhas aos locais dos eventos. Em tese, ou melhor, de acordo com a lei eleitoral, os comícios deveriam acabar às 22 horas.

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