Política
Preocupados, ju�zes se re�nem em Minador
CELIO GOMES A preocupação das autoridades com as eleições em Minador do Negrão leva em conta, também, o clima pouco amigável entre a juíza Iva Bernadete e o deputado Cícero Ferro. O deputado reclamou várias vezes da forma como a juíza se posicionou diante do atentado do qual ele foi vítima. O parlamentar criticou o fato de a magistrada não ter decretado a prisão de Jacó Cardoso Ferro, apontado por ele como um dos envolvidos na emboscada. Jacó Ferro acabou fora da lista dos indiciados pela polícia. Cícero Ferro também se irritou todas as vezes em que a juíza citou o clima de medo no município. Uma reunião ocorrida há uma semana é um capítulo a mais nessa delicada relação entre o deputado e a magistrada. Na terça-feira da semana passada, 31 de agosto, uma reunião na Câmara Municipal de Minador do Negrão provocou constrangimento entre dezenas de juízes eleitorais e uma das filhas do deputado Cícero Ferro, Thayse Ferro. A reunião fora convocada pela juíza para pedir calma às partes envolvidas na eleição. Estavam lá os representantes das candidaturas a prefeito, vários candidatos a vereador e quem mais quisesse participar. ?Foi uma reunião aberta ao público. Havia mais ou menos 70 pessoas?, informa a juíza Bernadete. Thayse Ferro é secretária municipal de Saúde de Minador e presidenta do diretório municipal do PFL. Ela foi à reunião acompanhada do marido, Flávio Emílio, vice-prefeito, rompido com a atual administração e candidato novamente a vice, só que desta vez na chapa de Eladja Ferro, a mulher do deputado. Thayse Ferro conta que não sabia detalhes sobre o que seria tratado na reunião. ?Me disseram que seria para falar da eleição, pedir tranqüilidade, essas coisas. Quando cheguei lá, vi aquele monte de gente, um monte de juízes?, conta. Estavam na reunião daquela tarde, em Minador, algo em torno de 20 juízes eleitorais, incluindo a juíza Iva Bernadete e o presidente da Associação dos Magistrados de Alagoas (Amal), Fernando Tourinho Filho. A reunião, segundo a filha de Ferro, acabou virando um encontro de solidariedade à juíza Bernadete ?e de ataques a meu pai?. ?Eles começaram falando que Painho [Cícero Ferro] era isso, era aquilo, que andava armado; eu fiquei indignada com aquilo?, contou Thayse à GAZETA, ontem à tarde, por telefone, da casa da família, em Minador. Thayse diz que não gostou de ouvir seu pai ?ser atacado? pelos juízes. Ela pediu a palavra e dirigiu-se diretamente aos magistrados. ?Um juiz disse que Painho andava com mais segurança do que três cidades juntas. Eu esperei todo mundo falar e, como ninguém se pronunciou sobre aquilo, eu falei que achava um absurdo?, disse a filha do parlamentar. Thayse disse para a platéia ?que não existe pressão política em Minador por causa do meu pai. O que tem é bandido solto por aí, e a polícia não faz nada?. Ainda segundo Thayse Ferro, sua irritação foi maior com o juiz do município de Major Isidoro e com o promotor de Minador, Nilson Miranda. Foi o juiz de Major quem teria afirmado na reunião, segundo ela, que o deputado teria mais segurança do que três municípios somados. ?Eu disse a ele que ele só estava dizendo aquilo porque não passou 17 dias com o pai na UTI, como eu passei. Disse que meu pai sempre andou sozinho em Minador, inclusive no dia do atentado só estava com o motorista. Hoje, a gente anda com o carro e com nossa casa cheia de gente estranha, porque temos de ter segurança. Ninguém gosta disso?, afirmou a filha do deputado. Thayse disse que, ao falar para os juízes durante a reunião daquela tarde, chegou a chorar ao lembrar que, como enfermeira, cuidou do pai durante todo o tempo em que ele estava no hospital, e depois no seu processo de recuperação em casa. Seu pronunciamento, conta ela, surpreendeu a platéia e acabou fazendo com que boa parte dos que estavam presentes viesse prestar solidariedade ? desta vez a ela. Segundo Thayse, na reunião ouviu de juízes a afirmação de que ?a Justiça não comete pecado?. Ao dar sua resposta, ela diz que contestou a afirmação, dizendo que ?os juízes erram sim e ninguém está acima da lei?. Segundo disse a filha do deputado, depois de suas palavras, o próprio juiz de Major Isidoro pediu desculpas e disse entender a preocupação do deputado com a segurança. ?Se fosse comigo, acho que ia querer até mais segurança do que o deputado?, teria dito o magistrado a Thayse Ferro.