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Coron�is PM boicotam desfile e crise aumenta

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GILVAN FERREIRA A crise na cúpula da Policia Militar (PM), desencadeada com a aprovação do projeto de lei que muda os critérios de promoção de oficiais, e a exoneração de três coronéis do alto comando da corporação, foi agravada, ontem, com a ausência de um grupo de oficiais no desfile de 7 de Setembro. O ato dos oficiais foi considerado um protesto contra o comando geral da PM. Dos 16 oficiais do alto comando, pelo menos quatro não compareceram à solenidade militar, marcada pelo desfile das tropas ao comando da PM. Os coronéis Cláudio Omena, exonerado do cargo de subcomandante da PM; o coronel Nerecinor Sarmento, removido do comando do Policiamento do Interior (CPI); o diretor de Pessoal da PM, coronel Veríssimo Correia Rocha, também afastado da função, e o diretor de Finanças da PM, coronel Pedro dos Santos, outro que perdeu o cargo, não compareceram ao desfile militar. Amanhã, a crise aberta na cúpula da instituição será tratada numa reunião do alto comando, convocada pelo comandante da corporação, coronel Edmilson Cavalcante. Entre os oficiais, a ausência dos quatro coronéis foi entendida como um ato de protesto contra o comando geral da PM e demostraria a animosidade contra o comandante Edmilson Cavalcante por parte de um grupo que seria liderado pelo ex-subcomandante-geral, coronel Cláudio Omena. O grupo reuniria outros coronéis que se sentem atingidos pela lei que modifica os critérios de promoção dentro da corporação. Omena teria o apoio de seis dos 16 oficiais do alto comando.Um oficial da Polícia Militar, que prefere não ser identificado, afirmou que a crise dentro da PM vem se ?alastrando? e pode comprometer as ações do comando da Polícia Militar. ?Esses coronéis podem usar sua influência interna na corporação, além de tentar apoio político para pressionar o comandante e o governador Ronaldo Lessa a reverem as exonerações e o projeto aprovado pela Assembléia Legislativa?, disse o oficial. ?A decisão do comandante Edmilson Cavalcante de transferir esses três coronéis para funções menores dentro da PM pode servir para um debate mais acirrado sobre as exonerações e sobre essa lei que vem causando muita polêmica dentro da corporação?, explicou o oficial. ?Sem crise? O comandante da Polícia Militar de Alagoas, coronel Edmilson Cavalcante, voltou a afirmar ontem, durante o desfile, que não existe crise na PM e que as mudanças fazem parte da rotina da Polícia Militar. Em tom irritado, o comandante disse que ?os coronéis são donos das patentes, mas não das funções de comando?. O comandante também garantiu que a exoneração dos três oficiais não foi feita por critérios políticos ou revanche. ?Não existiu qualquer ingerência política ou uma punição aos oficiais que são contrários ao projeto de lei aprovado pela Assembléia Legislativa. O que aconteceu foi a decisão do comando de promover um remanejamento, uma troca de funções, dentro do comando da PM, nada mais do que isso. A lei foi discutida na PM, no Corpo de Bombeiros e recebeu o aval da Procuradoria Geral do Estado. Não houve nenhum tipo de traição ou perseguição aos oficiais?, garantiu Cavalcante.Reação do governo O vice-governador Luis Abílio, que substituiu o governador Ronaldo Lessa nas comemorações do 7 de Setembro, usou o mesmo discurso do comandante da PM. Abílio disse desconhecer a existência de crise na PM, mas somente a reação de ?um ou dois oficiais? que se sentiram atingidos pelo projeto de lei do governo. O vice-governador também afirmou que, na sua avaliação, os oficiais não devem ser punidos por esse motivo, pelo menos enquanto não agirem fora das normas da Polícia Militar. ?Eu avalio a atitude dos oficiais como uma posição democrática. Eles mostraram descontentamento, e isso é uma posição democrática. Se eles não fizerem nada que atrapalhe o bom andamento do trabalho na polícia, não há nenhuma razão para serem punidos?, comentou Luis Abílio.

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