Política
Deputados estaduais disputam vagas no TC
GILVAN FERREIRA MARCOS RODRIGUES A escolha de um nome para ocupar vaga de conselheiro do Tribunal de Contas (TC) vem movimentando os bastidores da Assembléia Legislativa Estadual (ALE). Como pano de fundo para as articulações, existe a necessidade regimental do TC de substituir conselheiros que atingiram a idade- limite para a atividade. Como é a vez de a ALE fazer sua indicação regimental, o ?casamento? de interesses aproxima os dois segmentos. Pela lógica, a necessidade técnica do TC implicaria na indicação de um especialista. Mas não é assim que o processo se definirá. O que prevalecerá é a composição com os grupos políticos que, hoje, coabitam na bancada do governo. O próprio governo sai com força para a disputa. A constatação é óbvia, pelo fato de apenas o deputado Francisco Carvalho (PSDB) se anunciar como oposição. ?Blindagem? Com essa realidade, a possibilidade de a indicação para o TC se transformar numa espécie de ?blindagem? para o escolhido é cada vez mais presente. Isso porque, nos últimos anos, alguns parlamentares ficaram expostos na mídia com envolvimento em atos violentos. Entre os exemplos estão os deputados João Beltrão (PMDB) e o seu colega de parlamento Cícero Ferro (PMDB). Beltrão teve o seu nome vinculado ao de seu assessor, Jesse James, o Neno, acusado de duplo homicídio. Já Ferro foi vítima de uma emboscada em Minador do Negrão. Logo, a indicação resolveria o problema da imagem do poder e ainda acalmaria algumas bases no interior do Estado. Esse raciocínio de ?resolver dois problemas de uma vez? já circula no Palácio Floriano Peixoto, mas é tratado com discrição. ?O governo terá a mesma habilidade de negociar, como fez com a outra vaga?, dizem os mais próximos do governador Ronaldo Lessa. A referência ao governador deve-se às articulações do Executivo que resultaram na nomeação de Otávio Lessa, seu irmão, para conselheiro do TC. Eleição A GAZETA tentou obter mais informações de como estão sendo conduzidas as negociações, mas tanto no Legislativo, como no Executivo, predomina o envolvimento com a sucessão municipal. No parlamento, porém, de onde sairá o indicado, os acordos para a vaga do Tribunal de Contas ganham os gabinetes. No do presidente da ALE, deputado Celso Luiz (PSB), a movimentação é mais intensa, mas ninguém se arrisca a definir quem será o escolhido para a primeira das três vagas que surgirão no TC, nos próximos dois anos. Esse período pode ser abreviado, a depender das negociações. Celso Luiz terá influência na escolha, assim como o líder do governo na Assembléia, deputado Sérgio Toledo. Eles ajudarão o governo a definir qual será o escolhido. Toledo reconhece a movimentação, mas não revela quais os interesses do Executivo. Escolhidos A GAZETA apurou que a lista dos possíveis indicados, até o momento, para sanção do governador, tem os seguintes deputados: Cícero Amélio (PP), Gilvan Barros (PL), Cícero Ferro (PMDB), João Beltrão (PMDB) e Ziane Costa (PTB). Destes, o que já teria um acordo em curso, caso seja o indicado, é o deputado Gilvan Barros. Isso porque sua saída do parlamento abriria a vaga de suplente para o ex-deputado Júnior Leão, de Arapiraca. A pendência seria o segundo suplente, Padre Eraldo (PSB), atualmente ocupando a Secretaria do Sertão. Com mais uma indicação da ALE, o Tribunal de Contas, em três anos, terá a maioria de conselheiros oriundos da política. Atualmente, o Pleno já conta com o ex-deputado Roberto Torres, com o ex-prefeito de Cajueiro Luiz Eustáquio Toledo e com o ex-deputado Edival Gaia. Como ainda cabe ao Legislativo, ao todo, quatro indicações, o perfil do TC não será essencialmente técnico.