Política
Juiz det�m estudantes do PT por crime eleitoral
MAIKEL MARQUES Sucursal Arapiraca ? O juiz eleitoral Alberto Al-meida, de Gi-rau do Ponciano, a 151 km de Maceió, flagrou ontem à tarde, numa operação com apoio da Polícia Militar (PM), cinco jovens que estariam usando o nome do programa Fome Zero e a promessa de pagamentos de conta de luz em troca de votos para o candidato a prefeito do PT, Júnior Lopes. Ao serem detidas, elas argumentaram que apenas foram contratadas para fazer pesquisa com base no cadastro de inscritos no programa federal Fome Zero. Na versão das estudantes, o objetivo da pesquisa era saber qual o candidato a prefeito dos entrevistados. Quem declarasse ser eleitor de Júnior Lopes (PT), contudo, receberia ajuda para pagar as contas de luz com valores de até R$ 20. ?Se o candidato fosse eleito, as contas seriam quitadas pelos próximos quatro anos?, afirma o juiz Alberto Almeida, titular da 44ª Zona Eleitoral (que engloba, ainda, o município de Campo Grande). As universitárias Sandra Siqueira Brasileiro e Maria Camélia Alves de Almeida, e as estudantes secundaristas Willyma Olímpio da Silva, Simone Maria da Silva e uma menor (17) residem em Arapiraca. Elas foram flagradas nas imediações do povoado Craíbas dos Ferros, zona rural do município, quando faziam a ?pesquisa? que teria sido encomendada por um dos cabos eleitorais do candidato petista. Missão A missão das estudantes era primeiro localizar os inscritos no programa Fome Zero e depois preencher o cadastro, obtendo, inclusive, informações sobre o número do título de eleitor e o número do cadastro social do governo federal. ?Nossa orientação era recolher e prometer o pagamento das contas de luz de quem concordasse em votar em Júnior Lopes?, conta a estudante Maria Carmélia. Cada uma das estudantes recebia R$ 20 por dia para fazer o ?cadastro? de eleitores e recolher as contas de luz, que deveriam ser pagas até o próximo dia 28 deste mês. Elas também teriam recebido orientação de informar nomes falsos. ?Falávamos que éramos prestadoras de serviço de um instituto de pesquisa do Sudeste?, revelou Simone Maria. Os cadastros e as contas de luz apreendidas pelo juiz seriam entregues a uma pessoa de confiança do candidato, que ficaria de quitá-las e devolvê-las aos proprietários dos imóveis. Para o juiz, a oferta de pagamento da conta de luz se constitui em crime eleitoral, que pode resultar, inclusive, na cassação do registro do referido candidato. O caso será entregue ao promotor Luís Cláudio Pires, que será responsável pela análise dos fatos e pela oferta de denúncia, tanto à Justiça como à Polícia Federal. Sob condição de que retornariam ao Fórum do município quando convocadas, o juiz liberou, ontem à noite, as jovens acusadas de fazer ?pesquisa? em favor do candidato a prefeito. Outro lado O candidato a prefeito Júnior Lopes (PT) disse ontem à GAZETA, por telefone, que não estava sabendo do caso, nem do depoimento que as estudantes prestaram à Justiça acusando-o de recolher os cartões do Fome Zero e cadastrar eleitores em troca de pagamento. O candidato sugeriu que estaria sendo vítima de interesses de algum de seus concorrentes na disputa pela prefeitura de Girau. ?Acho que existe algum adversário interessado, mas não estou sabendo de nada?, disse o candidato, que afirmou estar, no momento em falava à reporta-gem, percorrendo a zona rural domunicípio fazendo campanha. Por isso, desconhecia a denúncia.