Política
Caso Vianna: Garibalde e Fid�lis resolvem falar
PLINIO LINS Dois depoimentos que estão sendo mantidos sob rigoroso sigilo pelo Ministério Público (MP) Estadual acrescentam fatos novos e podem provocar mais uma reviravolta no chamado caso Sílvio Vianna ? o assassinato, em 28 de outubro de 1996, em Ipioca, do então coordenador-geral de Administração Tributária da Secretaria da Fazenda. Dois dos acusados do crime ? o fazendeiro José Fernandes Neto, o Fernando Fidélis, e o ex-soldado PM Garibalde Amorim, este já condenado como um dos executores de Vianna ? deram um longo depoimento aos promotores de Justiça Marcos Mousinho e Luiz Vasconcellos, na tarde e noite da última terça-feira (14), em uma sala cedida pela Polícia Federal (PF) em seu prédio-sede, em Jaraguá. Garibalde foi condenado pelo Tribunal do Júri, em fevereiro deste ano, a 18 anos e dez meses de prisão como autor material da morte de Vianna. Junto com ele foi condenado a 19 anos e dez meses o ex-tenente-coronel Manoel Francisco Cavalcante, acusado de mandante do crime. Fernando Fidélis, também acusado de autor material, estava foragido na época do júri e foi recapturado meses depois. Deverá sentar no banco dos réus dentro de menos de um ano. Fidélis já cumpre pena de 14 anos por ter sido o mandante de uma chacina na Fazenda Picoara, em Viçosa, em fevereiro de 1999: a seu mando, um irmão de Fidélis e um empregado de sua fazenda mataram, a golpes de facão, toda uma família ? pai, mãe e dois filhos menores. ?Seguro de vida? Garibalde e Fidélis pediram espontaneamente para dar o depoimento sobre a morte de Vianna aos dois promotores. A GAZETA apurou que as relações entre eles (principalmente Garibalde) e Manoel Cavalcante chegaram a um ponto crítico. Os três cumprem pena no presídio Baldomero Cavalcanti. Garibalde e Fidélis estão num mesmo módulo e se tornaram aliados na cadeia. Cavalcante está na ala de prisão especial. Devido a esse estado de ?guerra? quase aberta entre Garibalde e seu ex-chefe Cavalcante, a decisão do ex-soldado de dar o depoimento-bomba é considerada, por autoridades da área de segurança, como uma espécie de ?seguro de vida? para Garibalde. O promotor Mousinho confirmou à GAZETA que Garibalde ?tem receio de ser morto?. Depois do depoimento, o Ministério Público ofereceu a ele transferência para outro lugar ? a própria PF, ou a prisão de oficiais no quartel da PM, ou mesmo um presídio fora do Estado ? mas Garibalde preferiu continuar no Baldomero. Novos nomes Ouvido pela GAZETA na quinta-feira, por telefone, Garibalde não quis dar nenhuma declaração. Apenas confirmou ter dado o depoimento. Fidélis, nem isso: ?Eu não saí daqui. Não falei com ninguém?, disse, e desligou. Mas o promotor Marcos Mousinho confirmou à GAZETA que colheu na terça-feira, junto com o promotor Vasconcellos, depoimentos de Garibalde Amorim e Fernando Fidélis. Os dois negaram aos promotores ter assassinado Sílvio Vianna, e deram os nomes de outras pessoas que, garantem, foram os executores do crime. São nomes novos ? e conhecidos na área do crime. Nada têm a ver com os acusados do primeiro inquérito ? o então cabo Sandro Duarte e dois funcionários da Secretaria da Fazenda ? indiciados após terem sido presos numa operação ironicamente comandada pelo próprio Cavalcante, na época um poderoso tenente-coronel PM. Garibalde e Fidélis não apontaram outro mandante do crime. Pelo depoimento, Cavalcante continua sendo, pelo menos, o contratante dos pistoleiros que mataram Vianna. O promotor Mousinho se recusou a fornecer qualquer informação sobre o teor dos depoimentos de Garibalde e Fidélis. Admitiu que as declarações ?acrescentam fatos novos? ao caso e ?serão investigadas? pelo Ministério Público. A necessidade de manter sigilo sobre os nomes e as informações fornecidas pelos depoentes, segundo Mousinho, é exatamente para não prejudicar as novas investigações.