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Empresa fantasma coloca vereador sob suspeita

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FELIPE FARIAS O servente Zenalvo José do Nascimento trabalha na fundação mantida pelo vereador Jaudeni Coutinho (PSB) no bairro do Prado, pelo que diz ganhar R$ 150. Mas seu nome consta como um dos ?únicos sócios? da firma Conterra ? Construções e Terraplenagens Ltda., junto com o de Célia Alexandre da Silva. O nome de ambos consta, por sua vez, da relação de assessores do gabinete de Jaudeni, na Câmara Municipal de Maceió. Ter um ?laranja? à frente, porém, não é a única irregularidade associada à empresa, como demonstram documentos obtidos pela GAZETA esta semana: no de alteração do contrato, que coloca Zenalvo e Célia como únicos sócios, registrado na Junta Comercial, o endereço informado da Conterra é a Rua Dona Maria Machado, em Fernão Velho. Mas lá não há sinais da empresa: na casa mora a irmã de outra assessora de Jaudeni Coutinho. Já num ofício remetido à Prefeitura de Maceió, onde consta o logotipo da firma, a Conterra é apresentada com outro endereço: na Rua Franco Jatobá, 82, no Prado ? onde fica a sede da fundação mantida pelo vereador e na qual trabalha o servente ?laranja? que não sabe de nada. Procurado esta semana pela reportagem da GAZETA, na sede da Fundação, Zenalvo mal sabia definir suas funções no local, que foi usado como cativeiro no seqüestro dos pernambucanos Sávio Gomes e Flávio Freire, mantidos por cerca de uma semana em cárcere privado porque venderam um trator roubado ao vereador. Jaudeni foi indiciado por crime de extorsão mediante seqüestro, por uma comissão de delegados, que investigou o episódio e encontrou uma gravação em que ele mandava que a família dos dois pernambucanos vendesse seus bens para que ele recebesse de volta o dinheiro pago pelo trator, cerca de R$ 110 mil, e mais R$ 17 mil para ?remunerar? um grupo de policiais que abordou os pernambucanos; todos igualmente indiciados. Mas antes que dissesse mais alguma coisa, Zenalvo foi impedido de continuar falando com a reportagem da GAZETA por um funcionário da fundação que se identificou como sendo do CPD. Essa não é a primeira vez que o nome de Jaudeni foi relacionado ao uso de empregados como ?laranjas?: em julho, o pedreiro José André da Silva, 58, denunciou que foi tentar dar entrada em sua aposentadoria especial, após ter sofrido um derrame. Descobriu que era ?dono? de uma construtora e de um supermercado. A dívida de R$ 12 mil das duas empresas com a Previdência e a Receita Federal o impediu de obter o benefício. André fora usado como ?laranja? após entregar seus documentos a um assessor do vereador Jaudeni Coutinho. Procurado pela reportagem da GAZETA, Coutinho não quis comentar o caso: ?Não tem nada a declarar [sic] sobre isso. Me deixem em paz. Já basta o que eu sofri?, se limitou a dizer o vereador.

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