Política
Conquista de prefeituras � estrat�gica para governador
A presença do governador Ronaldo Lessa em campanha pelo interior do Estado, e não somente em Arapiraca, é estratégica para seus planos em termos de futuro político. Estratégico também foi o discurso diplomático para os senadores Renan Calheiros e Téo Vilela. Lessa pretende sair candidato a senador daqui a dois anos, nas eleições gerais para presidente, governador, senador e deputados. Seu projeto tem mais força com o apoio dos dois senadores, que mantiveram aliança com o governo nos dois mandatos de Lessa, desde 1999. O governador estará presente onde for possível para reforçar as candidaturas que apóia do interior. Como em Arapiraca, ele também enfrenta os senadores Renan e Téo em outros municípios em que não há aliança em torno de PSB, PMDB e PDSB. Em todas as situações, a atuação será semelhante. Críticas mútuas entre os candidatos, mas tratamento cuidadoso com os padrinhos de lado a lado. Lessa, Renan e Téo têm candidatos diferentes que se atacam, mas o mesmo não acontece entre os três. Não interessa a ninguém. Essa também é, claramente, a situação de Maceió. Na capital, Renan e Téo juntaram-se e trabalham pela candidatura de José Wanderley (PMDB), enquanto Lessa aposta suas fichas em Alberto Sextafeira, de seu partido, o PSB. As pesquisas divulgadas até ontem mostram Sextafeira numa situação de risco, numa briga para ir ao segundo turno provavelmente contra Cícero Almeida (PDT), que lidera as pesquisas até agora. A incerteza em torno do resultado com a disputa em Maceió faz com que a conquista de prefeituras do interior, principalmente Arapiraca, sejam decisivas para o projeto Lessa 2006. Debate confuso O candidato a prefeito Dudu Albuquerque (PSB) surpreendeu seus correligionários e decidiu não comparecer ao debate promovido, na noite da última terça-feira, pela Fundação Universidade Estadual de Alagoas (Funesa), na sede da própria instituição, sob domínio do diretório municipal do PSB. Embora tivesse confirmado presença até as 20 horas, o candidato voltou atrás cinco minutos depois e explicou, por intermédio de seu assessor, Genival Galdino, que não participaria do debate em virtude da ausência do jornalista Ari Cipola, mediador do debate que alegou problemas renais para não comparecer a Arapiraca. Como também não concordava com a mediação sob comando do professor José Carlos Pessoa (presidente do SindFunesa), o assessor pediu a transferência do debate e a convocação de mediador que não pertencesse aos quadros da instituição. ?Os candidatos concordaram com as regras. Não aceitamos que questionem nossa lisura porque um professor será o substituto do mediador que adoeceu?, criticou o professor Luiz Sávio de Almeida, vice-diretor da instituição. ?Somos uma entidade legítima e não temos interesse em beneficiar quem quer que seja?, reforçou José Carlos Pessoa. O presidente do SindFunesa também informou à platéia que a Comissão Organizadora havia rejeitado pedido da assessoria do candidato Luciano Barbosa (PMDB) para mudar o mediador, sob argumento de que ele teria ligação com o governo do Estado e o PSB. Cipola foi secretário extraordinário do governo Lessa até este ano. ?Recusamos o pedido e o candidato Luciano confirmou sua presença. Não entendo o porquê da ausência de Dudu?, completou José Carlos Pessoa. Ao final da discussão, o assessor do candidato Dudu Albuquerque concordou em levá-lo ao debate hoje à noite. Ontem à noite, quem iria expor seu plano de governo era o candidato Luciano Barbosa.