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Prefeitura confirma compra de carga suspeita

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MAIKEL MARQUES Sucursal Arapiraca - O secretário de Administração de Canapi, a 252 km de Maceió, no alto sertão de Alagoas, Carlos Gilberto Lira Filho, confirmou, ontem, que o objetivo do gestor municipal era, de fato, fazer a distribuição das cestas básicas, avaliadas em R$ 30 mil e encontradas na carroceria de dois caminhões apreendidos, no último fim de semana, por determinação do juiz eleitoral de Santana do Ipanema, Galdino José Amorim. Num depoimento prestado ao delegado regional Ailton Soares Prazeres, o secretário explicou, no entanto, que a entrega dos donativos aconteceria ?somente depois das eleições?. Mas não disse quanto tempo depois da votação a comida seria entregue à população. O secretário de Administração da Prefeitura de Canapi, município administrado por Rita Tenório Brandão (PSB), compareceu, ontem cedo, à sede da Delegacia Regional de Santana do Ipanema, para prestar depoimento que apura indícios de crime eleitoral com relação à compra das 24 toneladas de cestas básicas destinadas às prefeituras de Canapi e Inhapi, segundo nota fiscal em poder da Polícia Civil. Carlos Gilberto confirmou a compra e informou que a distribuição é de praxe no município. ?O secretário nos informou que estava ciente das restrições do período eleitoral e que a distribuição só aconteceria depois das eleições?, afirmou Ailton Soares Prazeres. Celso Luiz Segundo o delegado, os responsáveis pela compra da alimentação foram assessores do deputado Celso Luiz (PSB), presidente da Assembléia Legislativa Estadual (ALE). O deputado é filho da prefeita de Canapi, Rita Tenório. Rotina Ainda no depoimento, o secretário Carlos Gilberto explicou que a administração municipal fazia a distribuição da alimentação a cada dois meses. ?Disse que seguraria a alimentação para só distribuí-la depois das eleições?, revelou o delegado. Ele aguarda, agora, o depoimento dos motoristas que transportavam a mercadoria e do proprietário da empresa Mercantil de Alimentos Messias Ltda., revendedora dos produtos. Com base nos autos, ele fará a convocação de outras pessoas, para que possa então encaminhar à Justiça inquérito pedindo ou não a condenação dos responsáveis pela prática de crime eleitoral. ?Não houve a materialização da distribuição, mas pode haver indício do crime, porque a mercadoria está distribuída em pacotes ou cestas básicas?, afirmou o delegado. Avaliadas em mais de R$ 30 mil, as 24 toneladas de alimentação estão guardadas em Santana, num depósito da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), até a conclusão do inquérito. Inhapi O delegado de Santana do Ipanema ainda vai ouvir o secretário de Administração de Inhapi (269 km distante de Maceió) sobre a compra dos alimentos para distribuição nesse período eleitoral. O depoimento deveria ter acontecido ontem, mas a polícia recebeu a justificativa da Prefeitura, segundo a qual o secretário está viajando. O delegado espera tomar o depoimento no começo da próxima semana. A investigação do caso ainda pode chegar à Polícia Federal.

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