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Sextafeira parte para o tudo ou nada em busca de vaga no 2� turno

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- Sinceramente, como o senhor avalia a atual administração municipal de Maceió? - Avalio como uma administração que, é claro, também cometeu erros, mas avançou em vários pontos importantes. Quem quer assumir um cargo na administração pública, costuma não reconhecer os avanços da administração passada e termina abandonando programas que foram bem-sucedidos. Quero dar continuidade a tudo que avançamos, como na área de educação básica e saúde, sem deixar de reconhecer os erros. - Você poderia dar exemplos desses erros... - É claro que não foi possível fazer tudo o que precisávamos fazer. Como eu mesmo fui secretário de Obras, costumo ouvir críticas de cidadãos sobre, por exemplo, uma rua que não pôde ser pavimentada. Por isso mesmo, criei programas como Bairro Feliz, em que toda a sociedade discute seus problemas e participa da solução. Acredito numa gestão compartilhada com a sociedade, em que as famílias possam participar, por exemplo, de discussões em torno de como melhorar a escola pública de sua comunidade. Nos quatro meses que estive à frente da prefeitura, meu propósito sempre foi o de governar com a sociedade. - Não foi também um erro prometer a despoluição do Salgadinho e da Praia da Avenida? - A questão da despoluição do Salgadinho virou um cavalo de batalha em que se discute tudo, menos as raízes do problema. O Salgadinho é a conseqüência de um problema muito mais complexo, que é o do Vale do Reginaldo. E para resolver esse problema, será necessário transferir adequadamente cerca de duas mil famílias que moram em suas margens. Somente essa transferência custará 10 milhões de reais. São necessários também mais 100 milhões de reais para implantar todo o sistema de esgoto sanitário e mais 90 milhões para o sistema viário. O que conseguimos fazer no Salgadinho é uma proposta para garantir a balneabilidade da Praia da Avenida em tempo seco. Desafio qualquer candidato a resolver o problema do Reginaldo sem esse volume de recursos. Fomos realistas, não inventamos a roda. Criamos apenas um sistema para barrar o fluxo de esgoto e bombeá-lo para o emissário submarino. E o resultado vem sendo atestado pela medição da balneabilidade das praias afetadas. Foi uma proposta para tempo seco. - A Prefeitura de Maceió, do qual o senhor faz parte, deixará uma dívida para o próximo prefeito de mais de 400 milhões de reais. Essa dívida era necessária? - A dívida existe, mas não foi criada por essa gestão. É uma dívida decorrente de más administrações passadas que não honraram compromissos como o pagamento do FGTS e do INSS. Essa administração, ao contrário, tem ajudado a equacionar essa dívida, criando a possibilidade de Maceió pagá-la. É exatamente por isso que Maceió está autorizada a receber recursos de convênios do governo federal e de órgãos internacionais. Por isso, temos credibilidade de rolar a dívida que hoje chega a 380 milhões de reais. - Maceió continua sendo uma das capitais com os piores indicadores sociais do Brasil, apesar dos vários anos de administração do PSB. Por que o senhor acredita que conseguirá reverter esse quadro agora? - Em primeiro lugar, acho que é preciso reconhecer que se avançou muito durante esse período. Também não podemos perder de vista uma série de entraves que foram criados e impediram que esses indicadores melhorassem na velocidade necessária. Há pouco mais de 20 dias, o próprio Jornal Nacional noticiou como Alagoas deixou de arrecadar um bilhão de reais devido a acordos com usineiros. Como esses recursos não foram repassados para o Estado, perdemos cerca de 200 milhões de reais em investimentos somente na educação. Isso sem contar os outros milhões de reais que não puderam ser usados em políticas públicas. E Maceió sofre as conseqüências de todo esse processo. Para você ter uma idéia, dados do IBGE indicam que, nos últimos dez anos, cerca de 25 mil pessoas migraram para Maceió anualmente, o que significa que a cidade recebeu cerca de 250 mil pessoas. É como se a população de uma cidade como Vitória, no Espírito Santo, chegasse a Maceió. Essas pessoas, na maioria expulsas do campo, chegaram sem acesso à moradia e à renda, ocupando as grotas da cidade. - O senhor quer dizer que boa parte dos problemas de Maceió tem a ver com o acordo dos usineiros? - Quero dizer que existem excelentes idéias de políticas públicas, mas elas só podem ser executadas com financiamento. E mesmo sem recursos, conseguimos avançar em áreas prioritárias como a da saúde e da educação básica. Tampouco ninguém pode contestar que nessa administração se respeitou o dinheiro público. - Por falar em usineiros, o senhor vem acusando o candidato Cícero Almeida de representante dos maus usineiros. Como explicar que um suposto representante de maus usineiros possa fazer parte da bancada de sustentação do governo Ronaldo Lessa, do seu partido? - É bom lembrar que apenas recentemente esse candidato passou a receber apoio desses grupos. - A prefeitura tem sido bastante criticada pela criação de inúmeros cargos comissionados. O senhor fará uma redução no número desses cargos? Eu discordo que exista um número excessivo de cargos comissionados. Há quem, por falta de conhecimento, acuse também a prefeitura de ter um número excessivo de secretarias. Na prática, essas pessoas terminam chamando órgãos da prefeitura de secretarias. - Então não é verdade que a prefeitura tem quase 40 secretarias... - Não, não é verdade. Ao contrário, fizemos um esforço recente para unir áreas como trânsito, limpeza urbana e iluminação pública sob o comando de uma única secretaria. Com a reforma que implantamos, no segundo mandato, transformamos vários postos com status de secretaria em cargos de segundo escalão. - Segundo escalão também no quesito cargos e salários? - Também. A Secretaria da Criança e do Adolescente, por exemplo, se tornou uma fundação. A Secretaria do Convívio e do Controle Urbano está unida com a pasta de Meio Ambiente, já que trata também do controle do destino do lixo e de ligações clandestinas de água e esgoto. Estamos levando também pastas como o desenvolvimento urbano para a Secretaria de Planejamento. Pretendo simplificar cada vez mais a estrutura de trabalho. - Por que, então, a folha de pagamento ainda é uma das principais vilãs da conta da prefeitura? - A folha de pagamento onera a prefeitura como em qualquer outra cidade. Mas não estamos estourando o orçamento e nos mantemos dentro da Lei de Responsabilidade Fiscal. - Inicialmente, o governador Ronaldo Lessa acenou com cortesia para outras candidaturas. Isso atrapalhou, inicialmente, que a sua campanha decolasse? - Nem o governador Ronaldo Lessa nem o PSB acenaram em direção a outra candidatura. O que houve, como há em qualquer partido, foi uma disputa interna conduzida com maturidade para se chegar ao nome do candidato do partido. - Mesmo após as convenções, o governador Ronaldo Lessa apareceu levantando o braço do candidato de outro partido, José Wanderley... Esse episódio foi um oportunismo político fruto de um ato inusitado, já que o próprio governador disse que o candidato José Wanderley nada mais fez do que aproveitar um momento em uma solenidade para levantar o braço do governador e tirar uma foto. Não tenho nenhuma preocupação quanto ao apoio do governador, já que Ronaldo Lessa está presente diariamente em nossa campanha e reafirma seu apoio diariamente com uma participação ativa. - Alguns candidatos têm insinuado que o PSB estaria por trás de candidaturas laranjas nesta eleição. Como o senhor responde a essas acusações? Eu não posso responder por essas acusações. Somente posso responder por minhas atitudes. Cada candidatura responde por si, já que são todos maiores. Eu respondo pela minha vida e acho que essas acusações partem de candidatos que são, na verdade, prepostos de outros interesses. - Nesta semana, o diretor do Cefet, Mário Jucá, foi apontado pela polícia federal como tendo fraudado um concurso da instituição. Ele se defendeu, alegando que está sofrendo perseguição política pelo fato de o senhor ter sido diretor da instituição. Como o senhor está vendo essas investigações? Acredito que todo gestor público é passível de sofrer denúncias por má administração e ninguém, na administração pública, deve temer sofrer algum tipo de investigação. Ao mesmo tempo, é preciso ter cuidados para que não haja um julgamento precipitado motivado por outras intenções que nada tenham a ver com a investigação. Ainda mais na véspera das eleições da instituição. No que diz respeito ao meu passado, estou tranqüilo e me orgulho por tudo o que fiz quando estive na frente da instituição.

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