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Política

Wanderley elogia essa e diz que prioridade ser� saneamento

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- Na campanha, o senhor insiste em se apresentar como se não fosse político, mesmo tendo sido secretário de Saúde do governo Divaldo Suruagy e ocupado cargos no PMDB. Por que, então, o senhor diz que não é político? - O que quero dizer na campanha é que não sou político de mandato. Ou seja, a política, como profissão, nunca foi o meu projeto de vida. Mas isso não significa que eu não tenha tido uma forte atuação política desde o tempo de estudante, assim como sempre apoiei projetos políticos e pessoas que encampavam esses projetos. Na campanha, quero apenas transmitir que o meu ganha-pão nunca foi a política, mas o meu trabalho como cirurgião. - O senhor diz que, como cirurgião, operou diversas pessoas carentes. Mas o senhor não recebe do SUS o dinheiro por essas cirurgias? - É claro que a gente recebe um valor pela cirurgia do SUS, mas um valor bem menor do que aquele que poderíamos ganhar se nos dedicássemos apenas a operar pessoas ricas. Você deve saber a dificuldade que as pessoas têm de ser atendidas pelo SUS. E minha equipe sempre teve o compromisso de atender o pobre e o rico. Nosso objetivo de vida nunca foi pautado apenas no sentido de ganhar dinheiro. - Quanto o Sistema Único de Saúde paga por uma cirurgia cardíaca? - Pouco, cerca de R$ 200 por um procedimento que pode levar mais de duas horas. - A cidade de Maceió, assim como todo o Estado de Alagoas, tem um dos piores indicadores sociais do país, principalmente na área da saúde. O senhor já foi secretário estadual de Saúde e pouco pôde fazer para melhorar esses índices. Por que acha que, como prefeito, terá condições de fazer melhor com um orçamento tão limitado? - Em todos os cargos que ocupei, sempre cumpri o meu dever. Implantei, por exemplo, o sistema de transplantes e, como prefeito, tentarei tomar todas as medidas necessárias, assim como quando fui presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde, ao propor novos modelos de gestão estadual de saúde. É claro que as grandes obras estruturais terão que ser feitas em etapas, em quatro, oito anos. Mas é possível fazer. Há 12 anos, a cidade de Vitória, no Espírito Santo, estava na mesma situação que Maceió. Mas a prefeitura de lá adotou um planejamento estratégico e a cidade hoje é um modelo de administração no país. - Mas, no caso de Vitória, os prefeitos Paulo Hartung e Luiz Paulo Velloso Lucas fizeram uma corajosa reforma administrativa para combater o empreguismo e o clientelismo, incluindo demissões. O senhor fará demissões? - Acredito que a questão não seja apenas de demissão ou de redução da máquina, mas de mudança do modelo de gerenciamento que garanta que a administração não tenha nenhum quadro desnecessário. A palavra planejamento estratégico não é um ideal. Temos que definir a responsabilidade de cada um dos setores e compartilhar a responsabilidade com os diversos segmentos da sociedade. Afinal, o desenvolvimento não é feito apenas pela prefeitura. É preciso contar com a participação de diversos setores, inclusive para que eles fiscalizem o trabalho. E nós vamos fazer isso criando uma Organização Não-Governamental (ONG) para acompanhar o trabalho da prefeitura. - Não é uma contradição que o próprio governo crie uma organização não-governamental? - Temos que ter uma gestão participativa. A criação de uma organização não-governamental termina facilitando a discussão, criando um fórum permanente para que os cidadãos possam compartilhar decisões com a prefeitura. Quando, por exemplo, alguém faz uma crítica à administração pública, é comum que o político encare a crítica como um ataque pessoal. E, ao invés de discutir o problema, geralmente o governo parte para o contra-ataque. Com uma organização desse tipo, você acaba com esse problema, já que o debate em torno desses assuntos será liderado por vários atores da sociedade. - Qual a sua avaliação da atual gestão municipal da Saúde? - Eu tinha uma visão muito crítica do sistema de saúde em Maceió, mas ainda não tinha dimensão de como esses problemas aumentaram. Nas caminhadas que tenho feito, as pessoas me pedem para ser consultadas, já que elas não conseguem ser atendidas pelo município. Temos que descentralizar o atendimento, levar especialistas para os bairros. Há recursos do SUS para isso. É preciso também estabelecer prioridades. É verdade que hoje existe fila para ser atendido em hospitais públicos no mundo inteiro. Mas essa fila tem que ser organizada de maneira diferente. Uma pessoa com um câncer grave não pode ficar esperando atendimento atrás de alguém que pode esperar um pouco mais, como um paciente que precisa de uma operação de hérnia. O sistema municipal de saúde parou no tempo. - E a saúde no Estado, que está nas mãos do PSDB, que apóia sua candidatura, está numa situação melhor que a do município? - A saúde estadual faz um trabalho melhor, tem boa afinidade como o Ministério da Saúde, mas esbarra na municipalização. Afinal, é no município que as pessoas morrem, e é aí que tem de se tomar as medidas necessárias. A Secretaria Municipal de Saúde de Maceió precisa se preparar para dar a sua contrapartida. É preciso rever as obrigações do Estado e do município. - Um dos seus projetos de campanha é a criação uma companhia municipal de abastecimento de água. A criação de mais um órgão público não vai apenas onerar ainda mais o orçamento da cidade? - É preciso ver esse projeto dentro de nossa proposta de saneamento de Maceió. O saneamento é a obra mais importante da cidade, porque tanto engloba a saúde, com a prevenção de doenças, quanto gera emprego e renda para as pessoas carentes, já que o turismo seria incrementado com o saneamento da capital. O abastecimento de água também está dentro desse projeto, e se hoje a Casal não faz bem esse trabalho, essa concessão pode passar para o município. Não adianta ter um aeroporto, nem um centro de convenções, se você não tiver a cidade saneada. - Mas o Estado já tem um projeto para sanear a cidade. Não seria mais pragmático adotá-lo? - Eu ainda não tive acesso a esse projeto. Mas se ele já existe, ótimo. Nós não queremos competir nem rechaçar qualquer idéia que seja viável. Mas queremos mudar a noção de que, só porque algumas atribuições são da esfera do Estado ou do governo federal, o prefeito não deve se envolver. Na minha visão, saneamento é primordial, prioridade básica. E o prefeito de Maceió tem que se envolver nesse projeto. - Quando o senhor foi secretário de Saúde, teria dito que o Estado não precisava de mais leitos hospitalares. O senhor mantém essa posição? - Essa é uma questão irrelevante dentro da nossa discussão atual sobre como organizar a administração de Maceió. Essa frase foi retirada de todo o contexto em que vivíamos na época, com a rede de saúde totalmente fechada no Estado. Não sou lobista de construtora para ter diversos hospitais fechados e construir mais um, deixando os outros hospitais fechados. Afinal, ainda hoje, o grande problema da saúde na cidade é a falta de dinheiro para pagar internamentos. - E de onde o senhor pretende conseguir recursos? - Esses recursos vêm de Brasília, do Sistema Único de Saúde, que repassa para os municípios ano a ano. E o prefeito também tem que lutar para conseguir essas verbas. - Como o senhor avalia o governador Ronaldo Lessa? - O Ronaldo, que é um amigo, contribuiu bastante para dar uma organizada no Estado. Enfim, é um governo que tem agradado aos alagoanos, e nós votamos no Ronaldo para governador. - Que nota o senhor daria ao governo? - Eu prefiro não dar nota. Quem tem que dar nota é a população. - Que critério o senhor utilizaria para montar a equipe de governo? - A cidade está tão complicada que não podemos prescindir de nenhum quadro importante que esteja disponível. Temos que fazer uma gestão suprapartidária. Em nosso projeto, além do PMDB e do PSDB, contamos com pessoas de outros partidos políticos, como o PT. - Quem do PT está participando? Não posso dizer, por uma questão ética. - Mas o critério de escolha vai ser político ou técnico? - Vamos escalar as melhores pessoas. Acredito que Maceió precisa viver um momento especial. Precisamos trabalhar dentro de um novo marco administrativo, com critérios técnicos de planejamento e gestão. - Mas os senadores que apóiam o senhor, Téo e Renan, têm compromissos políticos... - O critério puramente político não vai prevalecer. Temos que saber escalar o melhor time, e tenho certeza de que os senadores estão afinados com essa filosofia, por isso estão conosco. - Em sua campanha, o senhor transmite a imagem de uma pessoa calma, que talvez não saiba dizer ?não? quando necessário... - Não se deve confundir serenidade com frouxidão. Fui treinado numa área de ponta, em que o risco tem que ser zero. Estou acostumado a tomar decisões rápidas e firmes.

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