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Almeida aposta no 1� turno e diz que n�o sofrer� inger�ncia pol�tica

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- O senhor é criticado por fazer ações assistencialistas em troca de votos. Como o senhor financia essas obras? - Não entendo que essas obras sejam assistencialistas. Não sou a primeira pessoa a montar um centro para atender pessoas carentes. Quando me elegi vereador, entendi que ficar sentado dentro da Câmara de Vereadores não dá voto a ninguém. Quando fui eleito deputado, lutei para construir esses centros onde procuro manter o trabalho dentro dos padrões exigidos até pela própria Secretaria Municipal de Saúde. Mas garanto que nunca pedi voto por isso. Nenhuma dessas clínicas foi usada como cabide eleitoral. - E como essas obras são financiadas? - Não existe um financiamento externo. Mantenho essas obras com os recursos que tenho. O que ganho, procuro dividir com o meu povo. Nunca recebi um centavo do governo. Ninguém nunca acenou para colaborar comigo. Quando fui vereador, votei todos os projetos da prefeita na época e nunca recebi um centavo. - O senhor apoiou e apóia, como deputado estadual, o governo do PSB. Não há uma contradição entre apoiar o PSB no governo e fazer tantos ataques ao PSB na prefeitura? - Acho que é a sociedade que tem de avaliar. Eu faço parte de uma bancada, fui o deputado mais votado na capital e hoje, por mérito, faço parte da mesa diretora da Assembléia. Não tenho motivos para estadualizar a eleição. O alvo é a Prefeitura Municipal de Maceió. Me dou muito bem com o governador, tenho respeito por ele e lamento que hoje ele esteja acenando apoio para outro candidato, ainda que contra a vontade dele. - Contra a vontade? - Acho que ficou claro que o candidato do governador não foi, desde o início da campanha, o atual candidato do PSB. - Há quem diga que o deputado João Lyra é mais que um parceiro de sua campanha e que, com a força política e econômica que tem no Estado, será ele quem tomará, na prática, as principais decisões administrativas, se o senhor for eleito. Sinceramente, o senhor não teme que ele tenha uma influência maior do que imagina?v - O prefeito de Maceió vai se chamar Cícero Almeida, a partir do dia primeiro de janeiro. As decisões serão tomadas por Cícero Almeida. O secretariado será escolhido por pessoas competentes, o que não significa dizer que não tenhamos secretários indicados pelo PTB, pelo PFL, pelo PP e pelos partidos coligados. Mas não sofrerei ingerência política de ninguém na prefeitura. João Lyra é, na verdade, um parceiro. No momento em que ele abriu mão de sua candidatura para me apoiar, ele viu que Cícero Almeida é uma pessoa decente, competente, leal, amigo, e colocou a sua filha como vice dentro de um acordo feito entre os presidentes dos partidos. Me senti orgulhoso porque ela é uma pessoa muito decente, distinta e não tenha dúvidas de que vai me ajudar muito. Só que o prefeito, repito, será Cícero Almeida. - O senhor está confiante que ganhará no primeiro turno? - As pesquisas indicam que ganharemos no primeiro turno. - Uma das suas principais propostas para desafogar o trânsito de Maceió é a construção do chamado eixo viário do Reginaldo, uma obra orçada em quase 300 milhões de reais. Como o senhor pode prometer realizar essa obra, já que tudo que o governo federal repassa anualmente para o Estado não chega a 100 milhões? - A obra não chega a custar isso. É verdade que prefeita de Maceió chegou a dizer que, com o metrô de superfície, essa obra estaria orçada em 900 milhões. Mas nós já temos, inclusive, técnicos trabalhando nisso, pessoas que fizeram e mostraram a maquete no Guia Eleitoral. O orçamento do nosso eixo viário, que vai desafogar o trânsito de Maceió, é de cerca de 90 milhões de reais. Se o município tem hoje uma dívida de 500 milhões de reais, que será deixada para o Cícero e para a Lourdinha, e a prefeitura não consegue explicar para a população como gastou esse dinheiro, por que nós não teremos prestígio para conseguir 90 milhões e fazer o nosso eixo viário? Entre tantas outras obras que nós queremos fazer, essa será a grande obra de nossa administração. - Quer dizer que, mesmo com a falta de recursos, o senhor está prometendo que essa obra será terminada em um mandato? - Temos o compromisso com a população de cumprirmos todas as propostas. Chega de mentira, demagogia e promessa. Vamos fazer uma administração com transparência e a sociedade vai saber aonde vai parar cada centavo arrecadado. Será motivo de orgulho para nós terminarmos o nosso mandato, daqui a quatro anos, tendo cumprido o eixo viário e todas as nossas propostas. - Apenas com prestígio o senhor conseguirá recursos para todas essas obras? - Maceió é, hoje, a terceira pior capital quanto ao índice de arrecadação. A prefeitura deixou de arrecadar, só no ano passado, R$ 316 milhões. Se nós multiplicarmos esse valor por quatro anos, isso significa que perdemos mais de um bilhão e duzentos e sessenta e cinco mil reais, segundo dados da Secretaria do Tesouro Nacional. Se tivesse arrecadado isso, Maceió teria despoluído o Salgadinho, construído o eixo viário e não teria a dívida de hoje, de cerca de 500 milhões de reais. - Para arrecadar mais, a prefeitura tem que cobrar mais impostos ou fazer um corte de pessoal para diminuir seu déficit. O senhor tomará quais dessas duas medidas? - Não aumentarei impostos, sobrecarregando a população com mais carga tributária. Em nossa administração, no dia primeiro de janeiro, vamos tomar algumas medidas para conseguir isso. A prefeitura tem umas 39 secretarias. Ou seja, são 39 prédios alugados, 39 secretários, 39 subsecretários, com funcionários que moram em São Paulo e recebem aqui. Isso vai acabar no dia primeiro de janeiro. Vamos conquistar credibilidade e, por meio da nossa bancada, conseguiremos os recursos de que precisamos. Já temos hoje o apoio do ministro do Turismo, que se colocou à disposição de nossos deputados federais para que todas as emendas sejam liberadas por ele. O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) tem hoje 180 milhões de reais para investir em Maceió. Esse dinheiro não veio por falta de projeto. - Caso o senhor vença as eleições, manterá seus centros assistenciais? - A partir do dia primeiro de janeiro, eles deixam de funcionar, para que não haja nenhuma ligação do Cícero Almeida com essas centrais de atendimento. Os postos de saúde do município serão ampliados com atendimento 24 horas, principalmente na periferia de Maceió. Esses postos serão reformados, ganharão nova estrutura e os médicos do município serão valorizados, já que um médico do município ganha hoje 600 reais. - Para pagar melhor aos funcionários da prefeitura, o senhor precisa de dinheiro, que só poderá surgir por meio de um aumento de arrecadação ou corte da folha do pessoal... - Você não precisa sobrecarregar os trabalhadores de impostos para fazer isso, mas o médico e o professor têm que ser valorizados. Faremos uma economia suficiente para poder valorizar a classe médica, os professores e o funcionalismo público de um modo geral. Maceió hoje tem um excesso de funcionários. Quem são eles? Onde trabalham? Tudo isso será investigado a partir do dia primeiro de janeiro. - Haverá então uma redução drástica dos cargos comissionados? - Vamos tomar medidas concretas para fazer uma grande economia na prefeitura, que serão anunciadas no dia primeiro de janeiro, a partir da nossa posse. - Que medidas concretas? - No momento, não posso antecipar para você. Mas a sociedade vai tomar conhecimento e você terá oportunidade de divulgar na GAZETA. - Por que o senhor não pode explicar que medidas são essas, já que esse é um tema de administração? - Por enquanto, não posso adiantar. Eu nem ainda tomei posse. - Por isso mesmo a população quer saber... - Maceió precisa de novas empresas, nosso pólo industrial parece um campo de guerra. Temos que terminar a macrodrenagem. Perdemos empresas e deixamos de gerar 50 mil empregos. A burocracia da prefeitura emperra a instalação de novos hotéis e empresas. - Mas essas obras não são da esfera do Estado? - Mas tem que haver parceria do município. - Como o senhor avalia o governo Lessa? - No momento, não posso avaliar o governador Ronaldo Lessa. Mas a população tem avaliado como uma boa administração. - Por que o senhor não pode avaliar, já que faz parte da bancada de apoio ao governo? Do meu ponto de vista, concordo com a sociedade, ele está administrando bem o Estado. - Caso o senhor não vença, continuará na bancada de Lessa? - Em primeiro lugar, eu saio da bancada do governo no dia 31 de dezembro. A partir daí eu serei o prefeito de Maceió e Ronaldo Lessa o governador. Com respeito a 2006, eu não penso. Penso em 2008, já que eu vou trabalhar por um grande mandato e, se Deus quiser, serei reeleito. - Então o senhor garante que cumpriria integralmente seu mandato, se for eleito? Vou cumprir o meu mandato integralmente.

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