Política
Candidatos dizem n�o temer dossi�s no fim da campanha
MARCOS RODRIGUES O último programa do Guia Eleitoral será exibido amanhã e, mesmo diante da ameaça de exibição de ?dossiês- bomba?, nenhum dos três principais candidatos admitiu medo ou ter documentos reveladores sobre a candidatura do adversário. Ontem a GAZETA ouviu jornalistas, marqueteiros e candidatos sobre as notícias que circulam nos bastidores da campanha. Entre as informações, a principal é sobre a possível alteração do quadro eleitoral a partir de fatos novos sobre a vida pessoal dos candidatos. Como vem mantendo a liderança das pesquisas desde o início da campanha, o candidato Cícero Almeida (PDT) pode ser um dos alvos. Assim como os dois candidatos Alberto Sextafeira (PSB) e José Wanderley (PMDB), que, segundo as pesquisas, disputam a segunda vaga, para o eventual segundo turno. Sem efeito Segundo o marqueteiro da campanha do candidato Alberto Sextafeira, jornalista Rui França, ?quem estiver anunciando dossiê está blefando ou apostando num fato sem efeito?. Com a experiência de outras campanhas, ele lembra que ?uma denúncia tem que ter um tempo de maturação, além disso existe o direito de resposta?. França não acredita também que um fato contra a vida pessoal de um candidato seja capaz de alterar o quadro eleitoral. ?Para ter força e alterar o quadro, só se for uma coisa muito forte, como roubo ou assassinato, ainda assim com provas e critérios. É por isso que não acredito em dossiê, muito menos que algo seja levado ao público?, destacou Rui França. Ataque Na semana que passou, o candidato Cícero Almeida sentiu na pele o que uma ação mal coordenada pode causar. Durante um debate com estudantes universitários, ele foi surpreendido por uma pergunta sobre pedofilia. Almeida atribuiu essa afirmação a um candidato ?laranja?. Politicamente, ele respondeu, mas um de seus assessores chegou a tomar a fita do cinegrafista da produtora da faculdade que organizou o encontro. Ontem, por meio de sua assessoria, ele informou ?que não está preocupado? com denúncias. ?Ignoro qualquer dossiê. Minha vida é um livro aberto. Do nosso lado, não vamos baixar o nível da campanha?, disse Almeida. O candidato do PMDB, médico José Wanderley, também disse não temer a existência de denúncias em forma de ?dossiê? contra sua candidatura. Quanto à utilização de informações sobre a conduta pessoal dos adversários, ele se demonstrou contrário. ?Não temo dossiê e não utilizaremos isso contra ninguém. Além disso, para nós a vida pessoal, de qualquer um, interessa a um outro foro. Não queremos saber disso. Vamos acabar a campanha sem sairmos do sério?, disse Wanderley. A surpresa do Guia Eleitoral está em pequenas inserções, no horário gratuito no rádio, que foram veiculadas no programa do candidato Ildo Rafael. Em 15 segundos, um locutor faz referência a um estupro que teria ocorrido há 10 anos. Ontem, Rafael negou que isso tenha relação com algum candidato a prefeito. Já o marqueteiro de sua campanha, publicitário José Heliton, também disse o mesmo, porém, afirmou que o fato ?está registrado nos jornais da época?. Ele defendeu que o texto do rádio seja exibido também na propaganda exibida na TV.