Política
SEM REPASSE DA SESAU, HOSPITAL EM RIO LARGO TEM ATENDIMENTO COMPROMETIDO THIAGO GOMES REPÓRTER Após denúncia de salários atrasados dos médicos há três meses e falta de condições de trabalho, o atendimento no Hospital Ib Gatto Falcão, no município de Rio Largo, chegou a ser suspenso no começo desta semana e permanece comprometido. Os profissionais reclamam da falta de insumos básicos no setor de urgência e emergência e revelam que o pagamento dos fornecedores não está sendo feito. Um dos trabalh
Após denúncia de salários atrasados dos médicos há três meses e falta de condições de trabalho, o atendimento no Hospital Ib Gatto Falcão, no município de Rio Largo, chegou a ser suspenso no começo desta semana e permanece comprometido. Os profissionais reclamam da falta de insumos básicos no setor de urgência e emergência e revelam que o pagamento dos fornecedores não está sendo feito.
Um dos trabalhadores, que prefere não ser identificado, diz que o atraso na remuneração sempre aconteceu, mas a situação ficou insustentável recentemente. Segundo ele, ninguém recebe dinheiro desde maio.
Sem salários, os médicos decidiram se mobilizar. Decidiram manter a triagem e atender, apenas e prioritariamente, os casos classificados como mais graves (com pulseiras nas cores vermelha, laranja e amarela). Os pacientes sem risco de morte estão sendo orientados a procurar o serviço básico de saúde.
O Hospital Ib Gatto Falcão é do governo estadual, mas, desde 2018, é administrado pelo Instituto Saúde e Cidadania (ISAC), a mesma organização social que atua na Unidade de Pronto Atendimento [UPA] do Benedito Bentes e do Trapiche da Barra, em Maceió, e também nos estados da Bahia, Goiás, Paraná e Tocantins.
Os médicos foram contratados como pessoas jurídicas por este instituto e, portanto, não possuem vínculo empregatício formalizado. Eles reconhecem que a empresa implementou algumas melhorias na unidade, mas não consegue pagar os salários em dia. “Desde março, sempre ficava um mês dentro no pagamento, mas sempre o salário entrava até o dia 20 do mês seguinte. Só que o salário de abril foi pago 45 dias depois e o maio ainda não foi repassado até agora. Sempre cobramos à direção, mas nunca percebemos que há preocupação para se resolver. Dizem que são feitas reuniões na Sesau [Secretaria de Estado da Saúde], todas sem sucesso”, relatou um dos médicos. Ele informa que o estoque de insumos básicos para o atendimento da urgência e emergência está sempre no limite ou em falta. “Na semana passada, não tinha soro, medicamentos como tramal, dipirona, agulhas. Os equipamentos estão defasados, mas a gente sempre dá um jeito porque gostamos de trabalhar lá e não queremos pedir demissão”, completou.
Na última terça-feira (19), o instituto ISAC suspendeu o atendimento, alegando que a unidade teria atingido a capacidade máxima de lotação. A medida seria necessária para oferecer os cuidados aos pacientes internados e que aguardavam transferência. Todos os leitos das salas vermelha e amarela estavam ocupados. Nesta quinta (21), apenas os casos mais graves estão sendo atendidos.
Suspeito de matar ex-companheira em cavalgada em Igreja Nova é preso
Ex-companheiro é condenado por matar professora em Viçosa
Caso Nayane Gaspar: IML conclui exame e aponta causa da morte
Estudante de 13 anos morre após passar mal em escola de Maceió
Ladeira da Moenda é liberada após retirada de poste
Em nota, o ISAC informou que está aguardando o repasse da Secretaria de Saúde de Alagoas (Sesau) para efetuar o pagamento dos prestadores de serviços médicos e demais fornecedores. E promete que está tratando com a pasta para que a situação seja resolvida o quanto antes. “O ISAC lamenta o atraso ocorrido por conta da falta de repasse, afinal, o seu compromisso é de pagar em dia todos os profissionais. E ressalta que, por se tratar de recurso público para gestão específica por projeto, só pode efetuar o pagamento com recurso do contrato. Para cada projeto que o Instituto gerencia é aberta uma conta específica e apenas os recursos do próprio contrato podem ser usados para pagamentos e manutenção do serviço. Por uma questão legal, o ISAC é proibido de usar o recurso de outro contrato para pagar as despesas”, ressalta. A Sesau foi acionada pela reportagem e, até a publicação desta matéria, não tinha enviado um posicionamento.