Política
PROMESSA DE RESGATAR A EDUCAÇÃO DE QUALIDADE NO ESTADO FICOU SÓ NO PAPEL As promessas do ex-governador Renan Filho (MDB), feitas em 2015, de recuperar e resgatar a Educação pública de qualidade em Alagoas, segundo alguns professores da rede e os dirigentes do Sindicato dos Trabalhadores da Educação, não aconteceram. Durante a gestão passaram cinco secretários de Estado da Educação. Em fevereiro, reta final do governo passado, os índices negativos continuaram como os dos piores do País em analfab
As promessas do ex-governador Renan Filho (MDB), feitas em 2015, de recuperar e resgatar a Educação pública de qualidade em Alagoas, segundo alguns professores da rede e os dirigentes do Sindicato dos Trabalhadores da Educação, não aconteceram. Durante a gestão passaram cinco secretários de Estado da Educação. Em fevereiro, reta final do governo passado, os índices negativos continuaram como os dos piores do País em analfabetismo, com 17,1% da população de 3,3 milhões de habitantes; evasão escolar somava 154 mil crianças e adolescentes (Unicef), sendo 33 mil matriculados na rede estadual.
Com distribuição de dinheiro para atrair os alunos às salas de aula nas escolas estaduais, a gestão passada da Educação afirmou que 68% dos que abandonaram as salas de aula, voltaram a se matricular, mas a situação da exclusão digital não mudou. O Núcleo para Desenvolvimento da Educação do Ministério Público monitora a política de distribuir dinheiro para alunos e professores a fim de reduzir os elevados índices. Não condena porque a medida é adotada também em outros Estados. Outro dado que preocupa o MPE é a situação de, estimadamente, 20 mil crianças matriculadas em 137 escolas públicas, algumas sem água potável, outras sem banheiro, ou sem rede de esgoto, sem internet, sem pátio e sem quadra esportiva, conforme aponta o Comitê Técnico da Educação do Instituto Rui Barbosa. Promotores de Justiça visitaram as escolas críticas e cobraram providências para solucionar os problemas.
CONGRESSO NACIONAL
Para tentar reverter o quadro dramático da exclusão digital no País e praticamente obrigar Estados como Alagoas a investir seriamente no ensino público, o Senado aprovou no dia 2 de junho a proposta de emenda à Constituição (PEC) que estabelece a inclusão digital como um dos direitos fundamentais da população.
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A PEC já foi analisada no Senado em dois turnos e, com a aprovação, seguiu para a Câmara dos Deputados, onde também será submetida a dois turnos de votação. Para ser aprovada, a proposta precisará do apoio de 308 dos 513. O texto define que o poder público deverá adotar políticas que busquem ampliar o acesso à internet no País.
A pesquisa do Instituto Locomotivas e da empresa de consultoria PwC identificou que 33,9 milhões de brasileiros não têm acesso à internet, dentre eles mais de 600 mil são jovens alagoanos. Nas 70 escolas de tempo integral do estado, a maioria dos computadores precisam ser renovados e estudantes também reclamam de falta de investimentos nas aulas de robótica. José Carlos dos Santos, estudante de uma escola de tempo integral do Cepa, em Maceió, afirmou que a situação já foi muito pior. “Este ano melhorou. Houve renovações tecnológicas em alguns laboratórios de robótica e nas salas de informática, mas falta muita coisa ainda”, disse o estudante do segundo ano do ensino médio.