Política
Eleito � acusado de comprar voto e n�o pagar
DORGIVAL JUNIOR ?Comprou, mas não pagou a conta?. Era o que diziam eleitores revoltados com o vereador eleito Paulo Corintho (PV). Ontem à tarde, eles fizeram um protesto na frente do comitê do candidato eleito, no bairro da Ponta Verde, em Maceió. Eles cobravam o que afirmavam ter sido combinado: o pagamento de R$ 30 pelo voto dado. Corintho foi eleito no último domingo, com 3.967 votos. Cerca de 30 pessoas participaram da movimentação, que chamou a atenção dos moradores da Rua José Júlio Sawer. O candidato sumiu. Na casa que serviu de comitê, os eleitores encontraram apenas dois cães fazendo a segurança. Em muitos casos, vários membros de uma mesma família teriam participado do esquema, que configura prática de crime eleitoral, segundo a lei. Os eleitores, a maioria formada por jovens estudantes e desempregados, denunciaram que alguns teriam recebido apenas R$ 5, um dia antes da votação. Eles acrescentaram também que o próprio candidato teria participado das reuniões realizadas nas comunidades onde os eleitores residem e onde teria sido acertada a compra dos votos. As reuniões, de acordo com os eleitores, foram realizadas na casa de cabos eleitorais do vereador eleito. ?Em todas as reuniões, ele [Paulo Corintho] esteve presente com os cabos eleitorais. A princípio, ele dizia que queria conhecer a comunidade e seus problemas; depois, falava do dinheiro a ser pago pelo voto?, frisou a estudante Glaucineide Dias, moradora da Ponta Verde. As reuniões, segundo os denunciantes, ocorreram em vários bairros da periferia de Maceió, como o Vergel do Lago. Apesar da revolta por não terem recebido o dinheiro, e de saber da responsabilidade pelo crime de compra de votos, os denunciantes alegaram temer pela segurança física após ter feito a denúncia. ?Muitas pessoas ficaram com medo de também fazer a denúncia?, frisou a estudante Juliana Dias, moradora da Rua São Francisco, localizada no bairro da Jatiúca. O suposto esquema montado para a compra dos votos teria contado com o cadastro de cada eleitor. Na lista de nomes, de acordo com os denunciantes, constava o número do título de eleitor, endereço completo e telefone de contato de cada pessoa que participava do negócio. Cada eleitor recebeu, no sábado passado, véspera da eleição, uma pulseira e uma camisa contendo a foto e o número de Corintho Campelo. A pulseira seria a prova de que o eleitor teria votado no candidato. ?Para receber o dinheiro, a pulseira não poderia estar com o lacre rompido. Caso contrário, os R$ 30 não seriam pagos. Hoje, quando fomos receber o dinheiro, não tinha ninguém no comitê deles, só os cães de guarda?, disse a estudante. Os eleitores denunciaram, ainda, que o dinheiro estava previsto para ser pago às 10 horas do domingo, dia da eleição, na casa dos cabos eleitorais que teriam reunido os grupos para votar no candidato. ?O candidato ficou de nos pagar no domingo, e depois na segunda. Ontem, não tivemos mais como esperar e fizemos o protesto. Se a gente não tivesse votado, talvez ele não tivesse ganho?, disse o desempregado José Antônio dos Santos, morador do bairro da Jatiúca, que votou no Colégio Crispiniano Portal. A GAZETA havia recebido denúncias da compra de votos por Paulo Corintho, dias antes da eleição, no Vergel, que podem ter sido confirmadas com as denúncias dos eleitores. Resposta A GAZETA esteve ontem no comitê de Paulo Corintho. Ninguém foi encontrado no local para prestar esclarecimentos sobre as denúncias. O vereador eleito também foi procurado por telefone, mas não atendeu às ligações feitas para seu número até o fechamento desta edição.