Política
Compra de voto: PF investiga outro vereador
GILVAN FERREIRA O delegado da Polícia Federal (PF) André Costa abriu inquérito para apurar denúncias de envolvimento do vereador eleito por Maceió, Marcelo Victor (PP), em crime eleitoral. A denúncia envolve a suposta compra de votos pelo candidato, que foi eleito com 6.880 votos. Marcelo Victor disputou pela segunda vez um mandato de vereador em Maceió. Ele é filho do deputado estadual Gervásio Raimundo (PTB). Foi denunciado por eleitores que supostamente teriam recebido a promessa de receber R$ 30 pelo voto. Dois cabos eleitorais, presos no dia da eleição, confirmaram à PF parte das denúncias contra Marcelo Victor. Cícero dos Santos e Luiz Eduardo Cavalcante Correia foram presos em flagrante, no domingo, 3 de outubro, por policiais militares, em frente ao Colégio Élio Lemos, no Vergel do Lago, e levados para a sede da Superintendência da Polícia Federal, onde foram autuados em flagrante. No seu depoimento, Cícero dos Santos disse que, cerca de 15 dias antes da eleição, foi ?convidado? por um vizinho para trabalhar para o candidato Marcelo Victor, como ?fiscal?. Segundo o acusado, sua função era fiscalizar as pessoas que prometeram votar em Marcelo Victor. Cícero disse que recebeu a promessa de pagamento de R$ 40 pelo trabalho. ?No dia da eleição, eu recebi uma camisa e um boné, com o símbolo do candidato, uma prancheta com um papel com o título CEAGB e vários números. Depois de receber o material, fui levado por um motoqueiro até o Colégio Nosso Lar, no Vergel do Lago?, disse Cícero dos Santos, que foi preso quando conversava com um suposto eleitor. O cabo eleitoral revelou que fora orientado para, quando procurado pelos eleitores de Marcelo Victor, informar qual a sessão em que deveria votar, além de explicar como o eleitor deveria fazer para receber os R$ 30. Santos disse que o dinheiro para ?pagar? pelos votos não teria sido repassado para ele. Uma mulher, que ele disse não conhecer, era responsável pelo pagamento, feito aos eleitores que recebiam um adesivo com uma numeração, que ele afirmou não saber o significado. O motoqueiro Luiz Eduardo Cavalcante Correia, que também foi preso em flagrante com Cícero dos Santos, confirmou que foi contratado para trabalhar como ?fiscal? para o candidato Marcelo Victor. Ele contou que uma de suas funções era transportar os ?fiscais? do candidato para os locais de votação. Luiz Correia disse que, 20 dias antes da eleição, participou de uma reunião com mais 20 motoqueiros, coordenada por assessores do candidato Marcelo Victor. A GAZETA tentou falar com o vereador eleito Marcelo Victor, mas os telefones repassados por seus assessores estavam desligados. A informação era de que Marcelo estaria viajando. O delegado-executivo da Polícia Federal Arivaldo Marques disse que foi aberto inquérito policial para apurar as denúncias contra Marcelo Victor e os dois cabos eleitorais. Eles vão responder a processo com base no artigo 299, do Código Eleitoral. Se condenados, os acusados podem cumprir até quatro anos de prisão. Depois de concluído, provavelmente em 30 dias, o inquérito vai ser encaminhado à Justiça Eleitoral, onde caberiam as providências finais sobre o caso, como a perda do mandato, se ficar comprovado que houve crime eleitoral. O delegado Arivaldo Marques disse que, a pedido do promotor da 2ª Zona Eleitoral, Carlos Tadeu Vilanova, abriu inquérito policial para apurar as denúncias de envolvimento dos vereadores eleitos Paulo Corinthio (PV) e Zé Márcio (PTB), também denunciados por eleitores por suposta compra de votos. Os eleitores alegaram que não receberam o valores prometidos pelos dois candidatos. Paulo Corinthio, que é filho do ex-prefeito de Maceió e ex-secretário do Trabalho, Corinthio Campelo da Paz, foi eleito com 3.967 votos. O candidato Zé Márcio, que atualmente é suplente de vereador, recebeu a terceira maior votação em Maceió. Ele teve 7.894 votos.