Política
Ataques pessoais invadem Guia Eleitoral na TV
LUIZA BARREIROS Os ataques entre os candidatos a prefeito de Maceió ganham cada vez mais espaço nos programas eleitorais exibidos na televisão. Ontem à noite, o deputado João Lyra (PTB) ? principal padrinho político da campanha de Cícero Almeida (PDT-PTB) ? e o presidente estadual do PDT, Geraldo Sampaio, foram chamados de sonegadores de impostos no programa do candidato Alberto Sextafeira (PSB-PT). Os dois também foram chamados de ?patrocinadores do despreparado Cícero Almeida?. Já o programa do candidato Cícero Almeida, exibiu imagens de arquivo da prefeita Kátia Born (PSB) tomando banho na foz do Riacho Salgadinho, na véspera da eleição municipal passada, e chamou o próprio candidato Alberto Sextafeira de ?incompetente? e ?preconceituoso?. O programa de Almeida também voltou a explorar as denúncias de envolvimento do candidato Alberto Sextafeira com irregularidades na administração do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet), inclusive mostrando que as denúncias foram feitas pelo deputado Paulo Fernando dos Santos, o Paulão (PT), atual aliado do candidato do governo. Paulão foi mostrado cobrando a aplicação de R$ 600 mil no órgão. Sonegação Para abordar o tema sonegação de impostos, o programa de Sextafeira ? que abriu o Guia Eleitoral da noite ? afirmou que Maceió não tem uma prefeitura rica e que os recursos públicos para assistência social, saúde e educação vêm do pagamento de tributos. Foi então que acusou o deputado João Lyra de, até hoje, não ter pago uma suposta dívida de R$ 60 milhões ao antigo Banco do Estado de Alagoas (Produban). ?São dados de 1997. Hoje seria muito mais. Se ele pagasse daria para fazer milhares de casas para o povo que sofre nas grotas?, disse a apresentadora do programa de Sextafeira. O programa ainda acusou o deputado e usineiro de estar ?inscrito na Dívida Ativa do INSS?. Segundo o programa, a Lajinha Agroindustrial e a Empresa Editora O JORNAL devem ao INSS quase R$ 39 milhões. A TV Alagoas, de propriedade de Geraldo Sampaio, foi acusada de dever mais de R$ 3 milhões. O programa de Sextafeita também levantou a possibilidade de a campanha de Cícero Almeida ter cometido crime eleitoral. Foram mostradas imagens de um jornal em que o marqueteiro do candidato Ildo Rafael (PMN), o publicitário José Helito, o acusa de ter vendido sua candidatura ao deputado João Lyra por R$ 150 mil. O próprio programa, no entanto, dá mostra da fragilidade da denúncia, ao dizer que ?se forem verdadeiras?, as denúncias podem ser crime eleitoral. ?Incompetente? O programa de Cícero Almeida exibiu várias vezes as imagens da prefeita Kátia Born tomando banho na Praia da Avenida e um áudio em que a própria Kátia dizia que como era da Saúde Pública, ?jamais tomaria banho na Praia da Avenida para ganhar eleição?. Também foram mostradas imagens do tamponamento feito pela ?prefeitura de Kátia e Sexta?, para ?entupir a Foz do Salgadinho?. ?A poluição do Salgadinho, na verdade, só tem aumentado desde o banho da Kátia?, disse a apresentadora. ?A descarga de dejetos é intensa e o lixo está em toda parte?. O programa também acusou o atual governo de ser responsável por indicadores sociais negativos, a exemplo do número do IBGE que indica que apenas 27% dos domicílios de Maceió têm esgoto, e das pesquisas que colocam Maceió como a detentora do maior índice de mortalidade infantil entre as capitais. O programa também afirmou que Maceió tem 70 mil crianças fora da sala de aula. O candidato Alberto Sextafeita também foi acusado de ser preconceituoso, por ter criticado a simplicidade do candidato Cícero Almeida. Uma imagem do candidato Sextafeira dizendo a frase ?o prejuízo que a incompetência causa ao serviço público é cruel? foi mostrada várias vezes, junto com cenas de favelas, da sujeira do Salgadinho e de crianças nas ruas. ?A sua incompetência, Sextafeira, deixa 70 mil crianças fora da escola. É o mal, que está fazendo Maceió sofrer, e tem que acabar?, disse o programa.