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Lessa re�ne deputados para barrar oposi��o

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MARCOS RODRIGUES O governador Ronaldo Lessa (PSB) recuou na idéia de se reunir com os deputados estaduais que declararam apoio ao candidato a prefeito de Maceió Cícero Almeida (PDT). A mudança de posição aconteceu depois da confirmação de que 20 dos 27 parlamentares não sobem no palanque do candidato do governador, Alberto Sextafeira (PSB). Ontem, o líder do governo, deputado Sérgio Toledo (PSB), confirmou o encontro marcado para hoje apenas com os deputados do PSB, além de João Beltrão (PMDB) e Paulo Fernando dos Santos (PT). Ao todo, seis parlamentares. ?O que o governador me explicou é que será uma reunião de trabalho para saber como cada um poderá atuar nesta semana. Será uma reunião política?, explicou Toledo. Distante Como parte da estratégia de não alimentar o sentimento de oposição na Assembléia, o governador optou por não interferir na escolha da maioria dos deputados estaduais. Segundo o líder do governo, ?não há nesse momento uma cobrança do governador pela posição dos parlamentares?. O governo avalia que o momento é delicado em sua relação com a Assembléia Legislativa ? principalmente por causa dos resultados desfavoráveis para parte dos parlamentares em suas bases eleitorais. Por isso, a intenção do governo em desvincular o apoio dos deputados ao ressurgimento da oposição no parlamento. ?Para o governo, está claro que a posição dos parlamentares não tem ligação com as questões relativas ao Executivo. Por isso, até o nosso encontro com o governador será fora do palácio?, insistiu Toledo. O próprio governador, antes das eleições, reconhecia que ?alguns deputados? poderiam deixar sua base de apoio. Entre os motivos identificados por Lessa estavam os resultados das eleições no interior do Estado. Um exemplo é a cidade de Minador do Negrão. Lá, o deputado Cícero Ferro (PMDB), que integra a base do governo na Assembléia, não conseguiu eleger sua esposa, derrotada pelo candidato do PSB, que teve o natural apoio do governador. Ferro não admite que esteja a um passo da oposição. Entretanto, nos bastidores do Legislativo, isso é dado como certo. Amizade O deputado Francisco Tenório (PPS) também não assume que exista um ?sentimento de oposição? se formando a partir do apoio ao candidato Cícero Almeida (PDT). Ele negou, inclusive, que o apoio ao colega candidato tenha ocorrido de forma articulada. ?Desconheço essa articulação. Avalio que a maioria apóia Almeida por razões individuais. No meu caso, a opção é partidária?, argumentou Tenório, apoiando-se na orientação do diretório nacional do PPS. Ele também não acredita que o apoio de outros deputados ao candidato do PDT signifique a ?articulação de um grupo de oposição?. Preocupação Para o deputado Cícero Amélio (PMN), o apoio a Cícero Almeida tem feito alguns deputados especularem sobre o quadro sucessório de 2006. ?A partir de minha experiência na Casa, tenho notado, sim, um sentimento de preocupação já com a sucessão de 2006. No encontro de que participei, há 15 dias, notei o interesse de nos mantermos juntos para as próximas eleições?, avaliou Amélio. Ex-integrante do ?grupo dos 14?, que fez oposição ao primeiro mandato de Lessa, Amélio hoje se apresenta como um parlamentar de atuação independente. ?Tanto que o meu apoio a Cícero Almeida existe desde o primeiro turno. Ele não é meramente circunstancial?, avisou o deputado. Derrota Um dos articuladores políticos da campanha do candidato Alberto Sextafeira, o secretário executivo de Desenvolvimento Humano, Petrúcio Bandeira, avaliou como ?natural? a pouca influência do governador Ronaldo Lessa na Assembléia. Bandeira diz não acreditar que o governo teve uma ?derrota política? ao não conseguir o apoio da maioria dos deputados de sua base. ?De forma alguma isso pode ser interpretado dessa maneira. Pelo contrário, demonstra um novo momento político, onde o governo não tem mais o cabresto dos deputados?, considerou Bandeira. Para o secretário, as escolhas eleitorais dos parlamentares ?não se misturam com o acordo pela governabilidade? do Estado.

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