Política
Candidatos elevam ataques e campanha de rua fica acirrada
CELIO GOMES ODILON RIOS Com apenas mais três dias de campanha pela frente, os dois candidatos que disputam a Prefeitura de Maceió travam batalhas em todos os campos, na caça ao voto. Em debates e entrevistas, Alberto Sextafeira (PSB) e Cícero Almeida (PDT) trocam acusações até no campo pessoal e avisam: vem mais por aí no guia eleitoral do rádio e da TV. Enquanto os candidatos se enfrentam diretamente nos disparos verbais, seus cabos eleitorais contratados vão às ruas e disputam espaços com a mesma ferocidade que anima os dois adversários na eleição. O dia de ontem teve todos esses ingredientes. Sextafeira foi a um debate na Faculdade de Alagoas (FAL); Cícero Almeida gravou para o seu horário da propaganda eleitoral no rádio e na televisão. No debate da FAL, Sextafeira voltou a acusar o grupo que patrocina a campanha de Almeida de ?apelar para a violência? e reafirmou que a luta nas eleições, para ele, está dividida ?entre o bem e o mal?. Naturalmente, para Sexta, a maldade está toda do outro lado. Ao falar para estudantes e professores, entre propostas para a área de turismo, Sexta desferiu novos ataques ao ?padrinho? da campanha de Almeida, o deputado federal João Lyra (PTB): ?Antes, vivíamos em uma época onde não se podia criticar João Lyra, senão alguém ficaria esperando na esquina para dar uma boa surra em você?, disse Sextafeira. O candidato, no entanto, não esclareceu a ?época? a que se referia e nem a origem da informação sobre a história por ele contada. Segundo os organizadores do debate, foi programada a participação separada de cada candidato. Hoje, segundo a faculdade, será a vez de Cícero Almeida. Mas ontem sua candidatura já marcou presença na mesma faculdade ? na guerra das bandeiras contra a torcida de Sexta, que o esperava do lado de fora do prédio, em Jaraguá. Na frente da escola, a gritaria, as buzinas e o serviço de som formavam o cenário da disputa. Segundo um dos integrantes da equipe de Almeida, havia no local um carro de som, 100 bandeirinhas e a distribuição de 500 adesivos e 500 camisetas. ?Foi uma coincidência estarmos aqui?, disse Paulo Pedro, que chefiava a operação e tentava convencer a reportagem sobre o ?acaso do destino.? Nas calçadas e na principal rua de Jaraguá, o que se viu foi um mar de bandeiras, onde o número 12 (de Almeida) e o 40 (de Sextafeira) tremulavam misturados entre si. Depois do debate, Sextafeira avisou que os últimos guias eleitorais vão mostrar ?as mentiras, o despreparo, por que Cícero Almeida foge dos debates e que quem se esconde, faz o mal?, adiantou. Na produtora de vídeo onde grava os programas eleitorais, Almeida reclamou da ?baixaria do outro candidato?, numa crítica a Sextafeira. Sobre as armas que ainda serão usadas nos últimos programas eleitorais da TV, o candidato fez suspense: ?Vamos mostrar surpresas no guia eleitoral. Aguardem?. Ele confirmou ainda os elogios que fez ao ex-tenente-coronel Manoel Cavalcante, que cumpre sentença por liderar a gangue fardada. As declarações elogiosas a Cavalcante estão em um vídeo mostrado pela coligação de Sextafeira no guia eleitoral, desde o último domingo. No vídeo, o candidato chama Cavalcante de um ?cara dez?. ?Eu falei da pessoa do Cavalcante. Os atos dele, cabe à Justiça decidir?, limitou-se a dizer. Sobre o debate na faculdade, Almeida criticou: ?Os debates estão sendo patrocinados por ele [Sextafeira] e eu não sou convidado. Não tenho interesse de debater com ele. Já discuti com todas as pessoas que têm interesse em mudar Maceió?. Os ataques do pedetista também atingiram o governador Ronaldo Lessa (PSB). ?Se o governador tem alguma coisa contra o doutor João Lyra, isso não é problema meu. Agora, o Cícero Almeida ele tem de respeitar. Cícero Almeida é deputado da bancada dele e tenho ajudado a governar o Estado junto a ele nestes dois anos?, disse o candidato. ?Ele não teria executado nenhum dos projetos, se não tivesse a minha assinatura?.