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N�vel da campanha afunda nos palanques

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ODILON RIOS ?Covarde?, ?vigarista?, ?vendido?, ?preguiçosa?, ?bacanais na prefeitura e no Palácio dos Martírios?. As acusações não fazem parte de um roteiro de novela, mas dos showmícios patrocinados pelos dois candidatos a prefeito em Maceió. A GAZETA acompanhou e gravou comícios de Alberto Sextafeira (PSB) e Cícero Almeida (PDT) na periferia de Maceió. Longe do guia eleitoral ? onde o nível da campanha, algumas vezes, já resvala o solo ? e dos ouvidos da Justiça Eleitoral, os dois candidatos soltam a língua com ferocidade ainda maior que na TV. Propostas para governar a cidade passam longe dos palanques. São substituídos por ataques virulentos ou por gravações dos espiões dos rivais políticos, espalhados entre a multidão que vai ao comício. Tudo isso misturado a policiais militares que fazem a segurança dos eventos de um e do outro. Segunda-feira, 25 de outubro. Conjunto Eustáquio Gomes. O comício é de Sextafeira e o primeiro a falar é o candidato a vice, Zé Roberto (PT): ?Sei que você está gravando este comício [provavelmente se dirige a Cícero Almeida]. Quero dizer que você é um covarde e um vendido?, berra Zé Roberto. ?É todo o tipo de porcaria e preconceito que este candidato [Almeida] chama, como crioulo, ou que vai colocar gasolina nas pessoas?, ataca o vice de Sexta. No palco estão o governador Ronaldo Lessa (PSB) e o deputado federal Jurandir Bóia (PSB). Sextafeira fala em seguida, ironizando os projetos de Almeida, como o eixo viário do Vale do Reginaldo ou o conjunto residencial que seria construído em cima do Lixão. Nas acusações, o nome do ?padrinho? de campanha de Almeida, o deputado federal João Lyra (PTB), aparece freqüentemente: ?Não venham nos dizer que João Lyra é bom samaritano porque quer eleger Cícero Almeida. Ninguém coloca R$ 50 milhões [em uma campanha] para dizer que é bonzinho?, afirmou o candidato. O valor da campanha do PDT, declarado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), é de R$ 5 milhões. ?Ele [Almeida] não quer que a gente pergunte sobre os acordos escusos que eles fizeram na calada da noite. Nunca vi tanto dinheiro em uma campanha?, falou o candidato do PSB, embalado pela platéia, que vibrava com as críticas a Almeida. Lessa O governador Ronaldo Lessa discursa logo em seguida, lamentando em tom amargo o fim da aliança no município com os senadores Renan Calheiros (PMDB) e Teotonio Vilela Filho (PSDB), mas logo as críticas mudam o tom do discurso. ?Mande ele [Almeida] perguntar ao João Lyra sobre o caso Sílvio Vianna?, afirmando, mais adiante: ?Essa fortuna que eles estão gastando, vocês vão pagar caro, quando esses vigaristas assumirem o poder?, diz o governador, em tom inflamado. Em outras acusações, Lessa fala até de prefeitos de seu partido, o PSB: ?Teve prefeito que entrou para roubar e nós queremos expulsá-lo do partido?, disse o governador, sem citar o nome do acusado que hoje estaria sofrendo processo de expulsão do partido. O comício termina com ironias do locutor e as músicas do cantor Chico Pessoa. PDT Um dia após o comício de Sextafeira, a alguns quilômetros do Eustáquio Gomes, no Salvador Lyra, é a vez de Cícero Almeida discursar. Antes, os aliados aparecem no palco, uma megaestrutura montada com som e luzes contrastando com a pobreza do lugar. Vereadores e deputados estaduais estão presentes. ?Quem conhece a primeira-dama de Alagoas? Quem conhece o marido da prefeita? Vamos votar em Cícero para acabar com os bacanais na prefeitura e no Palácio dos Martírios?, disparou o deputado Gilberto Gonçalves (PP). ?É uma prefeita preguiçosa e um governador desesperado?, berra. O deputado federal Helenildo Ribeiro (PSDB) também faz acusações: ?A preocupação deles é com os mais de mil cargos. Como será para aqueles que têm seu carro de luxo, suas casas de veraneio, que muitas vezes não têm como se manter, se estiverem fora da prefeitura??, perguntou o deputado. Já a vice de Almeida, Lourdinha Lyra (PTB), saía em defesa do pai, o usineiro e deputado federal João Lyra. ?Sou filha de João Lyra, que emprega doze mil pessoas. Vocês [referindo-se ao grupo de Sextafeira] não sabem o que é tomar conta de um dinheiro suado, que não é pendurado em máquina do Estado?, falou Lourdinha. Com ataques ao presidente Lula, que ?só mandou a Alagoas Fernandinho Beira-Mar e aquele juiz mafioso [Rocha Mattos, da Operação Anaconda]?, Cícero Almeida começa a falar e não poupa elogios aos senadores Renan e Téo e ao secretário de Saúde, Álvaro Machado, que apóia Sextafeira, fazendo a primeira acusação conta a ex-coordenadora do Laboratório Farmacêutico de Alagoas (Lifal), Amália Amorim: ?Sabe o que ela está fazendo agora? Arrancando os cartazes na praia. Está tudo gravado, tudo registrado, não estamos falando nenhuma mentira?, atacou Almeida: ?As emendas de subvenção direcionadas a três abrigos de Maceió, até hoje ela [Kátia Born] não pagou. Deus castiga?, ironizou, direcionando a artilharia a Lessa: ?O governador até hoje não liberou uma emenda de R$ 150 mil para os lares de idosos?. Perto do fim do comício, o pedetista lembra de um suposto encontro com o governador, no Palácio: ?No encontro que o senhor me convidou no Palácio, o senhor me disse que não tinha como atrapalhar o projeto para [governar] Maceió. Cheguei a ser cotado como o candidato ao governo [municipal]?, falou Almeida. O comício termina com ironias e com a coreografia do conjunto Bakanas do Brega.

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