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Paz em Minador est� distante, diz promotor

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GILVAN FERREIRA O processo de paz em Minador do Negrão não vai ser uma tarefa fácil para as autoridades públicas do Estado. Esta é a avaliação do promotor público da comarca de Cacimbinhas, Nilson Miranda. O promotor, que também responde por Minador do Negrão, afirma não ver interesse dos grupos do deputado estadual Cícero Ferro (PMDB) e do fazendeiro José Nilton Cardoso Ferro em estabelecer um acordo que coloque fim no clima de tensão e ameaças no município. ?A verdade é que nenhum dos dois grupos tem interesse em pacificar Minador do Negrão?, afirma o promotor. Ele diz que discorda da avaliação do prefeito Bosco Ferro ? ligado ao deputado Cícero Ferro ?, que disse, na reunião promovida pela Polícia Militar para tentar apaziguar os Ferro, na última quinta-feira, em Minador, que existe clima de tranqüilidade na cidade. Miranda lembra, nos últimos meses foram registrados três crimes com conotação política em Minador do Negrão. ?A população está intranqüila e é necessário providências para se resolver essa situação?, diz. Cobranças O promotor Nilson Miranda também responsabiliza as autoridades da área de segurança pública do Estado pelo clima tenso na região. Segundo ele, a polícia deve agir com mais energia e responsabilidade para mudar o quadro de violência no município. Ele alega que a situação de Minador não é a única naquela região. Segundo ele, o problema de violência atinge todo o Sertão de Alagoas. ?É necessário o reforço de policiamento em Minador do Negrão, além de uma melhoria na estrutura na área de segurança. O delegado de Minador do Negrão, Marcos Lins, trabalha sem uma viatura, não tem nenhum agente, não tem um escrivão e está sem estrutura na delegacia?, acusa o promotor. ?Ele não tem a menor condição para realizar o seu trabalho na cidade. A situação é semelhante em outras cidades do Sertão de Alagoas, que também sofrem com a falta de policiamento?, explicou. Miranda disse que vai participar de um segundo encontro, na próxima quarta-feira, em Minador do Negrão, para tentar promover a paz entre os dois grupos da família Ferro. A reunião, mais uma vez, terá a coordenação da Polícia Militar. Fuga de José Nilton O promotor Nilson Miranda não poupa críticas à ?falta de interesse da polícia? na prisão do fazendeiro José Nilton Cardoso Ferro e de outros quatro acusados de envolvimento no atentado contra o deputado Cícero Ferro, em 31 de janeiro deste ano. Ele defendeu a postura da juíza Iva Bernadete no caso e sugeriu que as autoridades policiais ajam para cumprir os mandatos de prisão. ?A polícia parece não ter interesse na prisão dos acusados no atentado contra o deputado. Todos nós sabemos que quando a polícia quer e tem interesse, consegue prender e resolver crimes. A polícia tem que agir com mais energia para prender os foragidos. Tem que trabalhar com inteligência, o que está faltando atualmente?, afirma Miranda. ?O trabalho da Justiça foi feito; inclusive tentaram responsabilizar a juíza Iva Bernadete pela incapacidade ou falta de interesse da polícia em prender os foragidos?, concluiu. Prisão mantida O promotor antecipou à GAZETA seu parecer com relação ao pedido de liberdade provisória impetrado pelo advogado do segurança do deputado Cícero Ferro, Eronildo Alves Barros, preso em flagrante no último dia 21, durante uma operação da Polícia Civil em Minador do Negrão. Eronildo é suspeito de envolvimento no assassinato do agricultor Ednilson Teixeira Alves. ?Meu parecer é contrário à liberdade provisória de Eronildo Alves. Ele foi preso em flagrante com uma arma de uso restrito. Com base no artigo 10826 [Lei do Desarmamento], ele não tem direito à liberdade provisória?, avalia. ?Minha posição também tem como objetivo a garantia da ordem pública. Já encaminhei meu parecer à juíza Iva Bernadete, sugerindo que ela deve decidir pela manutenção da prisão do acusado?, afirmou Miranda. Medo A família do agricultor Ednilson Alves revelou o receio de prestar depoimento sobre o assassinato. A mãe e a esposa do agricultor deixaram Minador do Negrão e evitam falar com a polícia sobre o caso. O delegado Marcos Lins tem até o dia 15 de novembro para concluir o inquérito e encaminhar à Justiça.

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