Política
Candidatos mobilizam hoje multid�o para boca-de-urna
ODILON RIOS A campanha terminou, mas a guerra pelo voto do eleitor seguirá até o momento em que ele estiver para chegar à frente da urna eletrônica. Disfarçada ou não, a boca-de-urna é a última arma de Alberto Sextafeira (PSB) e Cícero Almeida (PDT) para conquistar a preferência do maceioense, que hoje escolherá quem será o futuro prefeito da capital alagoana a partir de janeiro de 2005. Os dirigentes dos dois comitês fazem mistério, mas uma tropa de choque foi armada para a caça aos últimos votos na capital. São os bandeirinhas, os distribuidores de santinhos e os cabos eleitorais contratados para, neste domingo da eleição, espalhar a marca de seu candidato a prefeito por todos os pontos possíveis. Nas ruas, as centenas de pessoas que carregam as bandeiras dos candidatos são orientadas a não falar com a imprensa. Mas uma delas revelou que vai ganhar R$ 100 para trabalhar neste domingo. Sua tarefa é alvo de fiscalização rigorosa por parte da chefia da campanha. Segundo disse o ?bandeirinha?, os olheiros do partido conferem se o contratado está fazendo o trabalho ?direitinho? ou se está distribuindo o material de campanha nos locais combinados. ?Claro que eles [os bandeiras] têm medo de falar?, disse o juiz coordenador da propaganda eleitoral, Alcides Gusmão da Silva, informando que, além de ilegal, a boca-de-urna pode resultar em cadeia. ?No primeiro turno identificamos várias pessoas fazendo boca-de-urna, mas não podíamos prendê-las. Se a polícia tentava agir, elas corriam?, afirmou o juiz. ?Como o número de policiais era pequeno, não conseguimos inibir a boca-de-urna?, justificou Gusmão. Apenas oito bandeiras foram apreendidas no primeiro turno. A manifestação de voto em relação ao candidato, segundo Gusmão, só poderá ser feita de maneira individual. O trabalho de-senvolvido no dia da eleição é o dos fiscais, que são cadastrados no Tribunal Regional Eleitoral (TRE). PSB No quartel geral de Sextafeira, na Praia de Pajuçara, o coordenador de campanha e gerenciador do comitê, Francisco Beltrão, não admite a boca-de-urna, mas avisa que os fiscais para as seções eleitorais já estão cadastrados. ?Teremos mil fiscais no dia da eleição?, disse. Segundo ele, o PSB vai colocar nas ruas oito delegados e 30 coordenadores. A função dos fiscais será, segundo Beltrão, ajudar os mesários nas seções e inibir a suposta tentativa de compra de voto do outro candidato. Mas a GAZETA apurou que eles terão outra função: competir com os fiscais da coligação rival em número de pessoas nas seções e dirigir os trabalhos de todo o pessoal que está na rua, estrategicamente colocado nos maiores locais de votação, mas também de olho em todas as seções. ?Temos informações de que há um aparato grande nas favelas e grotões, onde o pessoal parte para a compra de votos. Eles vão ter de pagar um dia, e será neste instante que flagraremos?, alegou Beltrão. ?Nós estamos pedindo a colaboração das pessoas que queiram adesivos ou bandeiras, que entrem em contato conosco, porque entregaremos o material e a pessoa poderá nos ajudar na porta de casa fazendo a nossa campanha?, pediu o coordenador de campanha de Sextafeira. Para facilitar o trabalho e o contato com os fiscais, o PSB chamou o secretário de Infra-Estrutura do município, Jorge Brizeno, que revelou ter feito um treinamento com os fiscais, mas não quis entrar em detalhes sobre o assunto. PDT A tropa de choque dos pedetistas está no bairro do Poço, no comitê do PPS. Lá, o candidato derrotado no primeiro turno, Regis Cavalcante, chefia a coordenação de rua da campanha de Cícero Almeida. ?Teremos mil fiscais no dia da eleição?, avaliou Cavalcante que, segundo ele, montou a estrutura com a contribuição dos outros partidos que formam a base aliada de Almeida, como o PFL e o PTB. ?Nós do PPS assumimos a mobilização nas carreatas e comícios?, disse. Quando Regis concorreu para a prefeitura, em 2000, Almeida foi responsável pelos cabos eleitorais nas ruas da cidade; hoje, a situação mostra os dois em posições inversas. Os vereadores eleitos e que apóiam a chapa de Almeida bancaram os vinte carros de som que circularam pelas ruas, durante o segundo turno. E os 20 deputados que também declararam apoio ao candidato do PDT, segundo Regis, entraram com a presença nos comícios ou nas mobilizações, além de áreas da cidade onde são fortes nas urnas. ?Acho que os ?bandeiras? vão estar nas ruas [no dia da eleição], mas isso não é boca-de-urna. Estamos orientando as pessoas a nos procurar para nos ajudar com a campanha?, falou. Os fiscais também serão coordenados de uma maneira bastante semelhante ao PSB: terão celulares e a função de reforçar os locais de votação ou ainda inibir a possível compra de votos do adversário.