Política
Prefeita eleita enfrenta um doce dilema
LUIZA BARREIROS Ser deputada estadual por dois anos ou prefeita por quatro anos? É com essa dúvida que a prefeita eleita de Joaquim Gomes, Cristina Brandão (PTB), está dormindo desde a noite do último domingo, quando o deputado estadual Cícero Almeida (PDT) foi eleito prefeito de Maceió. Como primeira suplente da coligação que elegeu Almeida para a Assembléia Legislativa em 2002, Cristina Brandão tem o direito legal de assumir em definitivo o mandato de deputada depois que ele renunciar para ocupar o cargo de prefeito de Maceió. O problema é que Cristina Brandão foi eleita em 3 de outubro prefeita do município de Joaquim Gomes e, para assumir a vaga de deputada, terá que renunciar à prefeitura. Se, ao contrário, decidir ficar na prefeitura, Cristina terá que renunciar à suplência e abrirá vaga para o segundo suplente da coligação, o ex-deputado Judá Nicácio (PDT). Se isso acontecer, Nicácio chegará à Assembléia com apenas 1.045 votos obtidos na eleição de 2002. Para se ter uma idéia de quanto essa votação é pequena, basta lembrar que o próprio Cícero Almeida foi eleito em 2002 com 27.866 votos e Cristina Brandão ficou na primeira suplência com 16.153 votos. E mais: o vereador eleito em Maceió com a menor votação, Eduardo Canuto (PV), teve que suar para conseguir 3.915 votos. Indecisão Embora a maioria dos políticos considere mais lógico que Cristina Brandão prefira um mandato executivo de quatro anos, a ficar apenas dois como deputada, ela disse ontem à GAZETA que ainda não tomou a decisão. ?Estou pedindo a Deus que me dê sabedoria para tomar essa decisão. Muitas coisas estão em jogo e tenho que ouvir meus eleitores, correligionários e o meu marido?, afirmou, referindo-se ao ex-prefeito de Mata Grande, Hélio Brandão (PDT). Ela disse que também pesa em sua decisão o fato de o ex-deputado Judá Nicácio ?não ter trabalhado muito para se eleger na última eleição? e agora assumir um mandato com apenas 1.045 votos. Cristina e Nicácio disseram ainda não ter conversado um com o outro para tratar do assunto. Desempregado Morando em São Paulo desde o final de 2002, quando não conseguiu se reeleger, o ex-deputado Judá Nicácio (1999-2002) trabalhou por um tempo numa marcenaria no interior paulista e atualmente está desempregado. Os colegas deputados alagoanos o ajudam, descontando, cada um, R$ 100 de seus vencimentos, que são enviados mensalmente a ele. No último final de semana, Judá esteve em Maceió, mas não votou em Cícero Almeida. Ele disse que seu título e a filiação ao PDT foram transferidos para São Paulo, mas caso a vaga na Assembléia sobre para ele, voltará para Alagoas para assumir o mandato. ?Enquanto a questão não for decidida, prefiro não falar nisso?, disse ele, garantindo que amanhã retorna para São Paulo para continuar sua vida normalmente. O caso abre mais uma vez dúvidas sobre os critérios de escolha na formação de chapas para uma eleição.