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Prefeito renuncia ap�s deixar cidade endividada

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GILVAN FERREIRA Pressionado por agiotas, fornecedores e funcionários públicos que cobravam o pagamento de dois meses de salários atrasados, o prefeito José Damacena Filho (PTB), da cidade de Dois Riachos, a 186 km de Maceió (cidade da atacante Marta, da seleção), renunciou ao cargo, na última sexta-feira e ?fugiu? para o Estado do Maranhão. Com a renúncia de ?Dezinho? (como é mais conhecido) o vice-prefeito Antônio Neto Camilo Silva, 39 anos, que disputou e perdeu a eleição em Dois Diachos para Jailton Matias (PSB), vai ocupar o cargo até o dia 31 de dezembro. Ele foi empossado pelo presidente da Câmara Municipal de Dois Riachos, Cícero Rodrigues. Os assessores do agora prefeito Antônio Neto informaram que foi iniciado um levantamento contábil para saber o valor do rombo deixado pela administração de Dezinho, que ia completar seu quarto mandato como prefeito de Dois Riachos. O prefeito que renunciou vinha sendo ameaçado por agiotas que cobravam o pagamento de empréstimos feitos para bancar a campanha eleitoral, e por fornecedores da prefeitura de Dois Riachos, que não recebem há mais de 90 dias. O prefeito também vinha sendo cobrado pelos servidores públicos municipais, que querem receber quatro folhas de pagamento em atraso. Os professores e funcionários da área de saúde tinham iniciado uma greve geral. O município tem cerca de 500 servidores. Segundo fontes do município, a dívida do prefeito Dezinho com agiotas é superior a R$ 1 milhão. O dinheiro teria sido utilizado durante a campanha eleitoral. A GAZETA apurou que Dezinho é fazendeiro e criador de gado no Maranhão. Ele é proprietário de duas fazendas na divisa dos municípios de Nova Olinda e Santa Luzia do Paroá. Segundo o prefeito eleito de Dois Riachos, Jailton Matias (PSB), que assume o cargo em 1º de janeiro, a crise administrativa no município foi provocada pela ?irresponsabilidade? do prefeito Dezinho, que vinha acumulando dívidas com fornecedores, atrasando salários dos servidores municipais, além de aumentar a dívida com empréstimos em bancos privados. Matias prometeu fazer uma auditoria nas contas da prefeitura, com a contratação de uma empresa especializada, além de encaminhar um pedido de auditoria do Tribunal de Contas do Estado. ?Vamos fazer uma auditoria nas contas da prefeitura e vou pedir auxílio do Tribunal de Contas para que possa conhecer a real situação do rombo na prefeitura. Já fui informado de que somente com os servidores públicos o débito é superior a R$ 500 mil?, disse. ?Além disso, temos a informação de que o prefeito Dezinho tomou um empréstimo de R$ 480 mil no Banco Real e já temos um grande número de cheques devolvidos da prefeitura de Dois Riachos [do FPM]. Já posso antecipar que quando assumir a prefeitura, em janeiro, só vou me responsabilizar pelos débitos legais da prefeitura, como o do INSS. Os outros são de responsabilidade pessoal do prefeito Dezinho, que deve ser cobrado na Justiça?, disse Matias. Jailton Matias sugeriu que, mesmo com a renúncia de Dezinho, a crise no município não vai ser resolvida. Segundo ele, o atual prefeito, Antônio Neto, que vai ocupar o cargo até o dia 31 de dezembro, tinha participação efetiva na administração da cidade. ?O prefeito que assumiu o cargo, Antônio Neto, já foi prefeito de Dois Riachos e apoiou a eleição de Dezinho; ele deixou a prefeitura com sete folhas de pagamento em atraso. Eles faziam uma administração em conjunto e eu passo a ter dúvidas se ele vai pagar as duas folhas do período que ele vai assumir [novembro e dezembro]?, concluiu. A GAZETA tentou ouvir o prefeito Antônio Neto, mas ele não foi encontrado em Dois Riachos. A esposa do prefeito, Elaine Camilo, disse que ele estava em Maceió, mas tinha deixado o telefone celular em sua residência. Surpresa Os moradores de Dois Riachos se dizem surpresos com a renúncia do prefeito Dezinho, que é ligado ao deputado estadual Antônio Albuquerque (PL). Ele era considerado uma das maiores lideranças políticas na região sertaneja. ?Foi surpresa para todo mundo em Dois Riachos. O que se comentava é que depois que o Dezinho perdeu a eleição, tinha muita gente pressionando, tentando receber o dinheiro que ele tomou emprestado para tentar eleger o Antônio Neto. Mas ninguém imaginava que o prefeito ia entregar a prefeitura e deixar a cidade com medo desse povo, a quem ele devia muito dinheiro?, contou o funcionário público Roberto Gomes.

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