Política
MP vai �s urnas eleger novo procurador-geral
LUIZA BARREIROS Os membros do Ministério Público Estadual escolherão pelo voto direto, no próximo dia 30, os nomes para uma lista tríplice que será encaminhada ao governador Ronaldo Lessa (PSB) para indicação do novo procurador-geral de Justiça para o biênio 2005-2006. Nas últimas eleições, a vontade da categoria tem sido respeitada pelos governadores, que nomeiam o mais votado da lista. O escolhido substituirá o procurador-geral Dilmar Camerino. Ele não é candidato à reeleição, apesar de a recondução ao cargo por mais um período ser prevista na Lei Orgânica do Ministério Público. A lista será votada por 158 promotores e procuradores. As inscrições dos candidatos foram encerradas ontem à noite. As três vagas serão disputadas por cinco candidatos: os procuradores de Justiça Lean Ferreira de Araújo, Luciano Chagas da Silva e Eduardo Barros Malheiros e os promotores de Justiça Eduardo Tavares Mendes e Coaracy de Oliveira Fonseca. Entre eles, apenas Lean Araújo já passou pela chefia do Ministério Público. Ele foi o procurador-geral de Justiça por dois períodos: de 1998 a 2000 e depois foi reconduzido ao cargo para o biênio 2000-2002. Desde que deixou a chefia do MP, Lean Araújo assumiu a Corregedoria-Geral do Ministério Público. Luciano Chagas é ex-presidente da Associação do Ministério Público de Alagoas (Ampal) e atual membro do Colégio de Procuradores de Justiça e do Conselho Superior do Ministério Público. Eduardo Malheiros também presidiu a Associação do Ministério Público, foi corregedor-geral do MP e um dos 15 membros do Colégio de Procuradores de Justiça. Coaracy Fonseca é promotor de 3ª entrância e atuou na assessoria de gabinete da gestão Lean Araújo. Eduardo Tavares Mendes é promotor, também presidiu a Ampal e é diretor do Centro de Ciências Jurídicas (CCJur) do Cesmac. Na última eleição, Tavares compôs a lista tríplice e disputou a indicação do governador Ronaldo Lessa com Dilmar Camerino e José Carlos Malta. A eleição foi uma das mais disputadas dos últimos tempos e o governador Ronaldo Lessa indicou Camerino, por ter sido o mais votado entre os três. A partir do recebimento da lista tríplice, Lessa terá 15 dias para fazer sua escolha. Se isso não ocorrer, o Colégio de Procuradores de Justiça dará posse ao candidato mais votado. Orçamento O procurador-geral de Justiça Dilmar Camerino disse ontem que optou por não disputar a reeleição ?porque está na hora de haver uma renovação no Ministério Público?. Ele diz que não apoiará nenhum dos candidatos e atuará no pleito ?como magistrado?. Segundo fontes ligadas ao Ministério Público, Camerino teve muita dificuldade para administrar a Procuradoria Geral de Justiça e acabou se desgastando com a categoria. ?Da primeira vez que dirigiu o MP, Dilmar tinha um ultraleve em suas mãos. Agora, ele teve que pilotar um boeing e sentiu o peso?, resumiu um membro do MP, ao analisar a decisão de Camerino de não concorrer à reeleição. O próprio Camerino admitiu que o atual mandato foi muito diferente dos outros dois anteriores. ?Tivemos um ano difícil?, disse. Ele lembrou que quando assumiu o cargo, em 2002, recebeu um orçamento de R$ 35 milhões e teve que lutar no final do ano para obter uma suplementação de R$ 7,2 milhões que possibilitasse o pagamento da folha e outras obrigações. Esse ano, a proposta orçamentária encaminhada pelo MP ao governo foi de R$ 61 milhões, mas o valor incluído no Orçamento foi R$ 46 milhões. ?O grande desafio do meu sucessor será adequar o orçamento às atuais necessidades do MP?, afirmou. ?A falta de dinheiro reflete em todos os setores, desestruturando as promotorias?, disse. Ele também reclamou da falta de recursos para informatização das promotorias.