Política
Deputados negam acobertamento de crimes
Os deputados cujos seguranças são envolvidos em crimes, até com condenação pela Justiça, também se defendem da mesma forma quando se pronunciam sobre o assunto. Todos, sem exceção, admitem que conhecem os acusados, mas negam, sempre, que eles sejam seguranças. São apenas ?amigos?. Na época da prisão de Jesse James, o deputado João Beltrão negou que ele fosse seu segurança e disse que o acusado era apenas um ?correligionário?. Mas a quebra do sigilo telefônico de Jesse James, autorizada pela Justiça, mostrou que ele tinha até intimidade com o deputado. Em trechos das conversas, Jesse James chama o deputado João Beltrão de ?Pai? e ?Painho?. Ele também fala em ?acertos? de negócios, em ?resolver problemas? e discute estratégia eleitoral para a eleição municipal em Coruripe. Os advogados de Jesse James afirmam, confiantes, que ele deve ser absolvido pelo juiz Maurício Breda, pois não existiria ?uma única prova contra ele? na denúncia apresentada pelo Ministério Público e pelo delegado Marcílio Barenco. ?Amigos? O deputado Cícero Ferro utiliza discurso parecido para explicar sua ligação com os três acusados de envolvimento na morte do agricultor Ednilson Teixeira Alves. Eronildo Alves, Elinton Barros e Hugo Correia seriam velhos conhecidos do parlamentar, mas, segundo ele, nenhum deles faria a sua segurança. ?Eles são meus amigos, são meus eleitores e freqüentam a minha casa, mas não são meus seguranças, como vocês estão dizendo?, reclamou Ferro. Em Minador do Negrão, contudo, parentes do parlamentar afirmam que os três homens fazem a segurança de Cícero Ferro quando ele está na cidade. O advogado João Luiz de Araújo, que foi contratado por Cícero Ferro para defender os três acusados, disse que Eronildo e Elinton Barros são comerciantes em Minador do Negrão. Sobre Eronildo, o advogado João Luiz antecipou a sua decisão de encaminhar um novo pedido de liberdade provisória à juíza de Cacimbinhas, Iva Bernadete, que negou o primeiro recurso na semana passada. Luiz Pedro: ?burrice? Na última quinta-feira, o deputado Luiz Pedro falou por telefone com a GAZETA e se disse inocente das acusações que lhe foram feitas pelas testemunhas ouvidas pela polícia. ?Seria um atestado de burrice se depois de ser eleito vereador duas vezes e de ser eleito deputado, de ter um trabalho social como o que eu tenho, eu mandasse matar uma pessoa?, disse. ?Pelo amor de Deus, o cara político não ia fazer isso. Não existe nada disso que estão falando?, reagiu, ao ouvir o conteúdo dos depoimentos que o apontam como responsável por crimes de extermínio. Luiz Pedro afirmou ainda ter ?certeza? de que o pai de Beto (vítima do seqüestro), Sebastião Pereira dos Santos, foi o mandante do assassinato do filho. ?O ?seu? Sebastião matou o próprio irmão e, através de um conhecido meu, fez a proposta para que eu arranjasse alguém para dar um jeito no filho dele?, acusou. A GAZETA tentou ouvir Sebastião Pereira, mas foi informada de que ele está no Programa de Proteção à Testemunha. Perguntado sobre os motivos que levariam alguém a fazer tal pedido [?dar um jeito?, na expressão de Luiz Pedro], o deputado disse acreditar que o pai da vítima quisesse que Beto fosse internado no Centro de Recuperação de Drogados, mantido por ele. ?Jamais na minha vida eu iria matar ou arranjar uma pessoa para matar alguém?, garantiu o deputado. Ele disse também que deu uma casa em um de seus conjuntos para o acusado Laércio e, lá, ele começou a trabalhar como vigia. ?Ele tinha acesso a mim, mas recebia do povo para olhar as casas?, justificou. O deputado negou qualquer ligação com o segundo acusado, Adézio. Passado Luiz Pedro era cabo da Polícia Militar e atuava como subdelegado de polícia na periferia de Maceió. Fez carreira política construindo conjuntos residenciais para famílias de classe baixa, todos batizados com seu próprio nome. Além das moradias, o deputado oferece aos seus eleitores escolas, postos de saúde, centros comerciais e segurança. Quando atuava na periferia como sub-delegado, Luiz Pedro fez fama de ?linha dura? no tratamento dispensado a acusados de crimes, que atuavam na região sob seu comando. (GF/LB)