Política
PFL x PPS, a 1a crise do governo de Almeida
LUIZA BARREIROS A escolha do futuro secretário Municipal de Educação pode ter causado a primeira grande crise no governo eleito de Cícero Almeida (PDT), apenas uma semana depois do término do segundo turno. Segundo fontes ligadas à equipe de Almeida, o prefeito eleito teria prometido a pasta ao ex-deputado federal Regis Cavalcante (PPS), mas estaria tendo dificuldade em concretizar sua escolha pelo fato de o deputado federal João Lyra ? presidente do PTB e pai da vice-prefeita Lourdinha Lyra ? ter prometido anteriormente que a indicação do futuro secretário de Educação seria feita pelo presidente estadual do PFL, deputado José Thomaz Nonô. Como o prefeito eleito não quis abrir mão da indicação e o PFL também insiste em ficar com a Educação, foi criado um impasse que chegou a adiar, no início da tarde de ontem, o anúncio do secretariado. A coletiva só acabou ocorrendo à noite porque a lista de indicados vazou para a imprensa. Ainda sssim, o nome do secretário de Educação não foi anunciado. Cícero Almeida negou que esteja havendo impasse entre o PTB e o PFL e garantiu que a indicação será feita obedecendo a ?critérios técnicos?. ?Régis vai participar do governo, mas ainda não conversei com ele sobre qual pasta será ocupada?, afirmou o prefeito eleito. Conversa Hoje, Cícero Almeida viaja para Brasília junto com o deputado João Lyra e com a vice Lourdinha Lyra, para participar de uma reunião da Frente Nacional de Prefeitos, que terá a presença dos eleitos em todo o país. Lá, os três também deverão se reunir com o deputado Nonô para tentar uma saída para o impasse no loteamento dos cargos entre os aliados. O problema maior é que o PFL foi aliado de primeira hora do PDT, sendo, inclusive, um dos responsáveis pela concretização da aliança entre os grupos de Almeida e do deputado João Lyra, na época em que os dois ocupavam os primeiros lugares em pesquisas de opinião. Por isso, reivindica uma participação de peso na administração. Nos bastidores, circula a informação de que o indicado de Nonô seria Edivaldo Neiva, ex-subsecretário Estadual de Educação. Já Régis Cavalcante foi candidato a prefeito, ficou em quarto lugar, e no segundo turno, aderiu de corpo e alma à campanha de Cícero Almeida. Na primeira entrevista que deu após a divulgação do resultado da eleição, em 3 de outubro, Cícero Almeida disse que gostaria de tê-lo em seu secretariado e lembrou que os dois são amigos há muito tempo, desde quando Regis foi presidente do Sindicato dos Radialistas. Na campanha de 2000, quando Regis foi para o segundo turno contra a prefeita Kátia Born (PSB), Cícero Almeida foi o locutor oficial da campanha do PPS. O prefeito eleito teria oferecido ao PPS pastas de menor peso, como a Secretaria de Meio Ambiente e a direção da Fundação Municipal de Apoio à Criança e ao Adolescente (Funacriad), mas Regis teria fechado questão em torno da pasta da Educação. Segundo Cícero Almeida, na sexta-feira, quando retornar a Maceió, ele deverá conversar com os outros partidos aliados. Até o final da tarde de ontem, Almeida ainda não havia conversado com seu partido sobre as indicações de cargos e a cota que caberia ao PDT. Segundo Juca Sampaio, membro do Diretório Municipal, a conversa era aguardada para ontem, mas acabou sendo adiada.