Política
PMDB tenta negociar mais espa�o no governo
Brasília - Depois de um encontro na noite de quarta-feira com o ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), reuniu-se ontem com o presidente nacional do PT, José Genoino. Na pauta dos dois encontros o mesmo tema: a permanência do PMDB na base governista. Segundo Renan Calheiros, na reunião de quarta-feira com Rebelo, tanto ele como o líder do partido na Câmara, deputado José Borba (PMDB-PR), e o ministro das Comunicações, Eunício Oliveira, traçaram um panorama da situação atual do PMDB, das disputas internas do partido e de que forma a legenda pode se manter na base. Calheiros avaliou que o encontro do PMDB, realizado na quarta-feira em Brasília, foi tenso, ?mas não representou todas as correntes do partido?. Ele informou ainda que às 21h de quarta foi entregue ao presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), um documento exigindo convenções regionais antes da convenção nacional, marcada para o dia 12 de dezembro. A Executiva Nacional do PMDB é formada por 15 membros. Nove deles assinaram o documento exigindo as convenções regionais. A maioria dos que assinaram a petição é da ala que defende o governo Lula. Na reunião de quarta-feira ficou determinado que os diretórios regionais teriam até o dia 5 de dezembro para encaminhar à Executiva Nacional suas posições. Os diretórios regionais terão de dizer se são favoráveis à independência do partido em relação ao governo, se querem ir para a oposição ou continuar na base aliada. Não ficou acertada a obrigatoriedade de realização de convenções regionais. A estratégia dos governistas, de exigir as convenções regionais, tem dois objetivos. O primeiro é ganhar tempo para negociar com o Planalto a liberação de verbas e cargos para o partido. O segundo é fazer com que cada corrente mostre sua tendência para as bases. Quanto ao segundo objetivo da petição, a idéia é fazer com que os governadores deixem de defender a independência, como o governador do Paraná, Roberto Requião. Aliado do presidente Lula desde o primeiro turno das eleições de 2002, Requião não quer o PMDB contrário ao governo Lula. Após a reunião do PMDB, Requião foi ao Planalto para um encontro com o presidente da República. Mais uma vez o governador pediu a liberação de recursos para o Estado. Os governistas argumentam que não existe ?independência?, ou o partido está a favor do governo ou contra.